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A Dança em Nós: espetáculo promove inclusão e discute autoconhecimento

Descrição da imagem: foto de uma cena da peça. Nela estão os atores / bailarinos. O cenário tem fundo preto e o palco está iluminado com uma cor lilás. Fim da descrição.

Musical promove inclusão e discute autoconhecimento (Foto: Denys Flores)

A Cia Experimental de Dança Movimentarte, em parceria com a Tangará Cia de Dança e o Palíndromo Coletivo Artístico, levam o espetáculo A Dança em Nós para o Teatro Paulo Eiró nos próximos dias 14, 15 e 16 de outubro de 2022.

Com o objetivo de abrir espaço para a diversidade e potencializar talentos de bailarinos com síndrome de Down, a montagem trabalha com a integração da sociedade e o universo das pessoas com deficiência. Além do Teatro Paulo Eiró, a trupe se apresenta nos dias 20 e 21 de outubro de 2022 no Teatro Ítalo Brasileiro.

A Dança em Nós

A Dança em Nós traz aos espectadores reflexões profundas na intenção de amenizar o capacitismo estrutural impregnado em nossa sociedade e na maioria das vezes, invisível àquele que não tem contato com esse universo plural. 

A grande motivação deste trabalho é exaltar a potência  das relações humanas a partir das conexões entre pessoas com diferentes características, condições e necessidades por meio da performance artística em dança, cujo trajetória inicia-se a partir do estudo corporal feito com e para pessoas com deficiência intelectual (em sua maioria, com síndrome de Down) através de atividades específicas  para o aprimoramento da capacidade física, intelectual, cognitiva e social. 

Montagem traz no elenco atores e bailarinos com deficiência (Foto: Denys Flores)

O espetáculo é uma continuidade da pesquisa realizada pelo grupo e que deu origem ao vídeo dança homônimo que foi exibido no último mês de agosto na Oficina Cultural Oswald de Andrade e também está disponível on-line. A Dança em Nós ressalta o poder da dança como um caminho para o autoconhecimento, expressão, comunicação e integração social.

“Fomos buscar a intenção do trabalho na polissemia da palavra ‘nós’: ela é o plural de nó (relações, conexões e emaranhados) e também o pronome da primeira pessoa do plural. A dança permite que a gente explore a temática da deficiência e a integração real das pessoas com deficiência no mundo por meio da compreensão, empatia, buscando entender que todos nós temos nossas limitações e realidade. Foi dessa imagem do nó e a relação com o nós que surgiu o embrião da nossa pesquisa”, explica Lígia Oliveira, responsável pela direção e coreografia da montagem.

O que começou como uma ferramenta de inserção de bailarinos com deficiência no mundo da dança, se mostrou uma pesquisa muito mais ampla.

“O que trouxemos para o palco foi uma busca profunda por autoconhecimento. Trabalhamos muito essa questão ao longo do processo de criação. Vimos que estávamos falando na sala de ensaio sobre as relações humanas e o quanto minhas ações podem me transformar e transformar o outro. Temos em cena corpos diversos, que se movimentam de maneiras diferentes e se relacionam com o espaço também de maneiras diferentes. Ao prestar atenção em nós, descobrimos que podemos transformar nosso olhar para o mundo. Ser mais empáticos e não ficar o tempo inteiro assumindo máscaras e nos encaixando em padrões”. 

Da brasilidade ao soturno

Para criar A Dança em Nós,  o diretor coreográfico, Guilherme Rienzo, partiu de ritmos bem brasileiros para que os bailarinos pudessem transformar sua relação com o chão. Porém, o que se vê em cena é um trabalho com um tom soturno, que reflete a profundidade que é uma viagem em busca de autoconhecimento, sem perder a delicadeza e o lúdico. A influência da brasilidade aparece na trilha sonora, cuidadosamente selecionada pelo próprio coreógrafo e também pelo diretor artístico, Diego Dac. 

O Guilherme diz que, apesar de possuir um elenco com pessoas com e sem deficiência, o que se vê em cena não é um espetáculo de dança contemporânea café com leite.

“Trabalhamos demais a intenção da dança e do movimento. Temos uma cia verdadeiramente inclusiva, com bailarinos profissionais, não profissionais, que não dançavam há muito tempo. A ideia é mostrar que a dança é um lugar acolhedor de verdade e uma arte em que é possível se expressar de maneira muito potente”.

Serviço:

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