Às vezes me pego contemplando a vida e o comportamento humano e, quase sempre, me surpreendo com capacidade indescritível que algumas pessoas sensacionais têm para se reinventar. A dor, os erros e desencontros que cometemos ao longo da vida são de fato extraordinárias oportunidades de evolução.
Quase sempre estamos mergulhados em nossas angústias, medos, traumas e decepções. Tentamos cuidar e curar as feridas emocionais que nos aprisionam e nos tornam incapazes de discernir o que é justo e perfeito daquilo que é necessário e salutar para a nossa jornada.
Tudo parece estar contra nós porque fomos treinados desde a infância a valorizar muito mais as coisas ruins ou desafiadoras do que aquilo que é “presente” e “milagre” em nossas vidas a todos os instantes e nós, sequer conseguimos enxergar.
Reclamamos por não cumprir as tarefas, definir a rotina, atingir os objetivos, realizar os sonhos, aproveitar o tempo… Nos vitimizamos por sermos surpreendidos com as adversidades da vida, sem perceber que somos frequentemente convidados a olhar de frente para as nossas fragilidades, vulnerabilidades e mazelas que corroem nossas entranhas porque não aceitamos quem de fato somos e nem tampouco, as pessoas que amamos como realmente são.
Negamos nossas identidades, fugimos da nossa essência e das nossas próprias histórias!
É difícil aceitar que nem tudo aquilo que idealizamos é do jeito que gostaríamos, mas sim, exatamente como deve ser para que possamos absorver da caminhada o MELHOR que a vida pode nos proporcionar.
Olhe no fundo dos seus olhos! Olhe no fundo dos olhos de quem você ama! Quem está lá?
Nossos pais podem não ter sido como esperávamos, mas certamente foram ou são a medida perfeita daquilo que precisávamos para ter motivos suficientes para estar AQUI e AGORA.
O que importa no final das contas é “o que fazemos com aquilo que fizeram de nós”. É uma escolha!!!
E na mesma medida, nossos companheiros e companheiras são aquilo que permitimos que sejam conosco. É sobre as nossas escolhas, não as deles!
Você se permite ser amada ou amado?
Os filhos são o reflexo perfeito dos saberes, valores, comportamentos, emoções e recursos que lhes entregamos diariamente: amor, alegria, empatia, gentileza, cooperação, respeito, compreensão, diálogo, autocuidado, autoconhecimento, autocontrole…
Agressividade, intolerância, desafeto, autoritarismo, violência, tristeza, raiva, desespero, confusão, caos…
Quem dera todo aquele que se vê diante do caos ter recursos nobres para rapidamente recobrar a sanidade mental, se autorregular e garantir a saúde emocional para ver com olhos de ver… Se desapegar das armadilhas da vaidade, do Ego e da ganância para despertar para o grande bem que há em perder de vez em quando.
Já parou para pensar sobre isso?
Perder não significa em hipótese alguma fracassar, pelo contrário, trata-se de uma primorosa possibilidade de olhar francamente para as nossas dores e desabores e perceber a grandiosidade de ensinamentos que há por trás dos desafios. Sim, quando nos sentimos vulneráveis, abandonados, negligenciados, abusados em nossos direitos, emoções e voz no mundo, parece que tudo perde o sentido.
Então,experimentamos a humildade.
É lindo ver a transformação de alguém! Renascer das cinzas como a lenda da Fênix e mesmo diante da mais profunda dor, mesmo quanto todas as portas parecem se fechar ou quando o mundo parece não te exergar ou dar o valor que merece ter, você respira fundo, solta o ar, olha para o céu e segue adiante.
É assim que desenvolvemos uma das competências mais buscadas no século 21: a RESILIÊNCIA.
Que coisa fantástica é assumir esse papel de mola que se achata de um jeito que quase toca o chão. Pega impulso e voa tão alto que a grande maioria das pessoas é incapaz de alcançar a luz e a paz que se expande.
Ao longo da caminhada cruzei com gente de toda a espécie e isso me fez perceber que um dos grandes erros do ser humano é julgar.
Que coisa linda é ver alguém ter a humildade de refazer o caminho, voltar quantos passos forem necessários para trás, pegar impulso e voar alto. Isso é RESSIGNIFICAR!
Quanto mais eu vivo, mais compreendo que os verdadeiros milagres, àqueles que nos transformam nas entranhas e nos permitem acessar saberes poderosos sobre nós mesmos e a vida, estão nas pequenas sutilezas da caminhada. Simplesmente assim!
Creia, existem saberes poderosos que transbordam de você pelo simples fato de viver, existir, ser alguém comum, um grãozinho de areia perdido no Universo como costumo dizer.
Alguém comum, cheia de desafios, dores e alegrias que busca entender, acolher, ser melhor a cada dia e curar de algum modo aquilo que foi sufocado, ignorado ou negligenciado em algum momento da trajetória. Afinal, toda história tem seus desafios!
Exerço diferentes papéis como mulher, mãe, esposa, profissional, filha, irmã, madrinha, amiga… Fora àqueles que nem sei como surgem diante de mim e que de algum modo assumo e inspiro pessoas que nem mesmo conheço, mas confiam naquilo que eu digo e faço. Tanto como as tantas pessoas que me inspiram e ajudam sem sequer saber que existo. Que coisa linda!
Oh Deus! Quanta responsabilidade há no simples fato de existir! A vida é assim! Então viva com plenitude e sabedoria. Respeite seus limites, mas ame ilimitadamente porque no final das contas é somente ele, o AMOR desinteressado e gratuito pelo teu próximo que levarás daqui, seja lá para o de desejes ir. Escolha as sementes!
É preciso cuidar das pessoas para transformar o mundo!
Com amor, luz e paz,
Roberta Borges

