A calçada é uma infraestrutura simples, barata e fundamental para a circulação das pessoas em qualquer cidade civilizada. No Brasil, apesar de várias campanhas e iniciativas para melhorar esses passeios, a situação continua muito ruim, segundo os resultados da Campanha Calçada Cilada 2017.
Encerrada no último final de semana, a Campanha Calçada Cilada 2017 chega à sua quarta edição com um resultado que revela o descompromisso dos gestores públicos para com o pedestre. A ação foi idealizada pelo Instituto Corrida Amiga com o objetivo central de engajar a população em favor de cidades caminháveis e acessíveis a pedestres de todas as idades, mesmo aqueles que tenham alguma restrição física.
Durante todo o mês as pessoas foram chamadas a fiscalizar as calçadas de suas cidades, com prioridade aos locais com grande fluxo de pedestres, perto de escolas, hospitais, terminais de transportes e outros pontos de interesse.
Resultados
Em apenas quatro semanas foram realizados 30 eventos de mobilização em várias cidades do Brasil, levando a campanha às ruas. Com isso, foi possível fiscalizar quase 1.600 pontos de calçadas irregulares, inexistentes, obstruídas ou inacessíveis.
“Mobilizamos várias cidades nas cinco regiões do país com destaque para o Distrito Federal e para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Paraná e Goiás. Os principais apontamentos, em todas as regiões foram: calçada irregular, falta de acessibilidade e calçada inexistente”, explica a representante do Corrida Amiga, Sílvia Stuchi.
O início, em 2014
A campanha Calçada Cilada acontece desde 2014. “O processo começou com 33 imagens de pessoas fazendo careta numa cilada em calçadas e postando nas redes sociais”, lembra Sílvia.
“Em 2015 e 2016, passamos a reportar as más condições dos pavimentos utilizando o aplicativo e a plataforma online Cidadera. Agora em 2017 fechamos a parceria com o app Colab.re, o que nos permitiu fortalecer a ponte ‘prefeitura-sociedade’ e encaminhar muitas das fiscalizações diretamente ao poder público”, completa.
Para ela é necessário jogar luz e destacar permanentemente os problemas com as calçadas “para que tenhamos cidades mais humanas, que garantam o direito de acesso a quem caminha, a integração, a acessibilidade e a segurança para todos, cidadãs e cidadãos”. Ela avalia que o mapeamento de dados, a mobilização e sensibilização da comunidade, bem como o encaminhamento das fiscalizações ao poder público podem causar impactos e gerar transformações reais.
Cases Positivos
Goiânia (GO): A campanha foi apresentada na Secretaria de Trânsito, Transportes e Mobilidade. A Secretaria de Planejamento Urbano vai incorporar todas as fiscalizações realizadas em seu sistema oficial. Durante a campanha, um conjunto de faixas de pedestres foi implantado após a fiscalização feita por uma articuladora goianiense.
São Carlos (SP): Após matéria de divulgação na mídia, a prefeitura declarou que aguarda os dados da campanha para que as providências sejam tomadas. Articuladores locais protocolarão o documento com todas as fiscalizações na cidade.
São Paulo (SP): Foram realizadas apresentações da campanha e dos dados preliminares para o vice-prefeito da cidade e para representantes das secretarias da Pessoa com Deficiência; das Prefeituras Regionais; de Transportes e Mobilidade; e para a Regional de Pinheiros.

