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Educação brasileira: escola da amorosidade

#descricaodaimagem #pratodosverem foto de um livro aberto. Suas páginas formam um coração. A imagem tem fundo laranja.

Um dia desses, observando o panorama caótico da educação brasileira, parei para refletir sobre a essência da educadora que sempre habitou em mim. Fiz uma retrospectiva da minha história, acessei memórias afetivas e percebi, pouco a pouco, que esse era o meu propósito de vida.

Notei que apesar de ter iniciado profissionalmente aos 16 anos na sala de aula, quando ainda estava no 1º ano do Magistério, desde muito pequenina, já havia uma semente da educação germinando em meu coração. Eu me interessava pelas pessoas, seus comportamentos e emoções. Sonhava com um mundo melhor, questionava os modelos parentais que eu observava ao meu redor e também as diferentes posturas dos professores que me cercavam na escola. Era idealista, curiosa, criativa, sensível e interessada por gente. E foi assim, passo a passo, que fui trilhando esse percurso apaixonante, repleto de aventuras e aprendizados aqui na Terra. 

É verdade que passei por momentos muito desafiadores na minha trajetória acadêmica. E confesso que na infância, a escola foi um lugar sufocante e assustador para mim.

As minhas peculiaridades neurobiológicas contribuíram para eu receber rótulos a vida inteira, dos mais destrutivos e limitantes da capacidade intelectual que uma pessoa pode receber. Afinal, parece mesmo que esse é um comportamento incorporado na maioria das crianças e adolescentes, especialmente quando são conduzidos por adultos que, sendo mal resolvidos em suas questões íntimas, educam oferecendo esses padrões ofensivos e descontextualizados com virtudes como bondade, compaixão, empatia, amizade e respeito às diferenças. 

Talvez eu tivesse muitos motivos para desistir. As lágrimas e o medo sempre estiveram presentes na minha caminhada. Frutos de xingamentos, más palavras, agressões, abusos e tudo o que a miséria afetiva pode gerar na conduta humana. Mas de algum modo, em todos, absolutamente todos os momentos de maior dor e desespero da minha jornada, pude contar com um anjo amigo que me acolheu, encorajou, aceitou, cuidou e amou. Sim, o amor cura poderosamente!

É preciso cuidar das pessoas para transformar o mundo. Comece por você!

Algo que me ajudava bastante na infância e, um pouco menos na adolescência, era a minha forma cativante e acolhedora de me relacionar com as pessoas.

Então, apesar dos desafios acadêmicos, sempre fui uma criança afetiva e cercada de amigos queridos. Pessoas que de algum modo, queriam estar por perto e sem perceber, amenizavam bastante o meu desejo de desistir da vida para acabar com a tristeza e o sentimento de abandono.

Ter uma Rede de Apoio pode ser decisivo em momentos tempestuosos!

Sei muito bem o que é se sentir só num mundo tão gigante. Ter a sensação de incapacidade, não pertencimento. Sentir na carne e na alma a intolerância e a crueldade do outro. Sonhar escondida e ainda assim, ver seus projetos desmoronarem diante dos seus olhos pela ira e total descontrole emocional dos seus cuidadores ou rede de apoio inconsistente. 

Educadores precisam ver com olhos de ver e ouvir o que as crianças e adolescentes dizem. Muitas vezes, são tudo o que elas têm!

Educadores precisam ter uma dose de amor, generosidade, lealdade, alegria e coragem extra, além das performances razoáveis da maioria das pessoas, pois quer queiram ou não, são fonte de inspiração e segurança dos seus alunos. E escolheram esse caminho.

Conheço muito bem a força que um simples sorriso, um abraço gostoso, um beijo ou uma piscadinha encorajadora de olhos pode causar na caminhada de uma criança ou adolescente. Atitudes falam mais do que palavras.

Às vezes, tudo o que precisamos é da mão de alguém em quem confiamos e admiramos no nosso ombro, dizendo com firmeza e convicção: Voe! Você pode ir aonde quiser. E eu estarei aqui para contemplar o seu voo. 

E esses sentimentos essenciais de gratidão e esperança nas pessoas e na incrível possibilidade de colaborar com a construção de um mundo melhor, foram determinantes para eu escolher ser educadora, jardineira de sonhos!

Essa é a escola que desejo para as futuras gerações. Uma escola que vibre amor, acolhimento, diálogo e exemplo! É sobre isso que eu quero falar nessa reflexão sobre a necessidade de uma escola que clama por amorosidade para os professores, as crianças, adolescentes, gestores e todos que direta ou indiretamente colaboram para formar gente para o mundo.

Sim, apesar dos desafios relatados anteriormente, tive a sorte de encontrar professores extraordinários na minha trajetória acadêmica. E são eles que importam, pois me salvaram e me amaram, do jeitinho que eu era, cheia de limitações e muitos potenciais. E exatamente por isso, defendo o AMOR como fio condutor primordial do processo de ensino e aprendizagem. Ele me trouxe até aqui!

Ninguém APRENDE sem emoção e amor para despertarem o desejo, a curiosidade e a fome de saber! 

Então, a semente poderosa da educação não está no vasto e cansativo currículo obrigatório. Nem nos extensos e incoerentes protocolos escolares.

Nem nas infindáveis festividades ou projetos, muitas vezes descontextualizado do dia a dia da comunidade educativa. E muito menos nas pessoas que equivocadamente insistem em se manter dentro da escola.

A semente poderosa que gera transformação, alegria, entusiasmo, significância, fortalecimento de vínculos, evoluções acadêmicas e socioemocionais nas pessoas, é o afeto. É aqui que está o verdadeiro segredo das histórias de sucesso no ambiente escolar!

É isso o que sonho para as novas gerações. Professores apaixonados, firmes e gentis, maduros emocionalmente, mentalmente saudáveis e acolhidos, humildes na sua condição de mediadores dos saberes acadêmicos e, especialmente, humanos e felizes por ensinar. 

Faz sentido para você? 

Com amor, 
Roberta Borges

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