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Especialista destaca a importância da acessibilidade em parques

#descriçãodaimagem #pratodosverem foto de uma mulher tateando algumas pedras em um parque.

Trilha sensorial no Parque Nacional do Itatiaia (Foto: Acervo do Parque)

Hoje, 13 de dezembro, é comemorado o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual. Criada por decreto pelo ex-presidente Jânio Quadros, a data destaca a importância de assegurar direitos e oportunidades para as pessoas com limitações visuais, sejam elas cegas ou com baixa visão. 

Mais do que sensibilizar a sociedade sobre as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência visual, a data reforça a necessidade de promover a inclusão e a acessibilidade

Para que todos possam usufruir de seus direitos como cidadãos, é preciso que a cidade e seus espaços sejam acessíveis. E isso envolve inclusive os parques e unidades de conservação (UCs), locais de visitação pública. 

Segundo o IBGE, o Brasil possui mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual severa, sendo 582 mil cegas e 6 milhões com baixa visão. Essa realidade torna ainda mais desafiadora a tarefa de tornar as atividades em unidades de conservação acessíveis a todos – mas não é impossível.

O desafio da acessibilidade nos parques 

Para a diretora executiva do Instituto Semeia, Renata Mendes, a relação com ambientes naturais está comumente associada a desafios físicos, como caminhadas, subidas de montanhas e observação do ambiente silvestre. 

“Mas é importante saber que é possível que uma parcela cada vez maior da população esteja incluída e tenha acesso aos parques naturais do Brasil”, destaca Renata. 

As trilhas sensoriais, por exemplo, podem ser feitas em praticamente qualquer ambiente natural, aproveitando os caminhos, a flora e a fauna do local. O ideal é passar por caminhos que ofereçam texturas, aromas e sensações distintas para quem participa da atividade. 

“É um trajeto em que o toque em árvore, o cheiro das plantas e a brisa do vento trazem percepções únicas em meio ao ambiente natural. Essa atividade torna mais acessível o espaço para pessoas idosas, crianças, pessoas com deficiência visual e auditiva”, comenta.

Na caminhada interpretativa a ideia principal é estimular o cérebro ao mesmo tempo em que se vivencia o ambiente natural. Existem diversas formas de se propor esta interpretação do ambiente. Uma delas é olhar um parque natural e o entorno dele buscando compreender as interações humanas com o ambiente, os aspectos visíveis da conservação de um ambiente natural, as diferenças nos sons e também o que não se percebe tão facilmente. 

Outra maneira é estar em um local específico no parque e encontrar pontos de informação sobre os elementos: árvores, sons de pássaros, tipo de solo, plantas, flores, águas e o que mais tiver no local, e estimular a conversa e as percepções sobre eles.

“As caminhadas interpretativas, por meio de recursos sensoriais como som e descrição detalhada, são uma forma eficaz de aproximar as pessoas dos parques naturais e de valorizar a interação delas com atividades ao ar livre, especialmente para pessoas com deficiência visual”, reforça a diretora.

Conheça 4 unidades de conservação com acessibilidade:

1. Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO)

O parque dispõe de um serviço de transporte interno, facilitando o acesso de idosos e pessoas com mobilidade reduzida a um dos principais atrativos da unidade, as Corredeiras. O trecho também conta com banheiro seco e ponto de venda de alimentos. Outra opção do parque é a Julietti, cadeira de rodas adaptada, que foi desenvolvida para a prática de montanhismo e que permite o acesso a diversas trilhas.

Para saber mais, acesse o Instagram do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

2. Parque Nacional da Serra dos Órgãos (RJ)

Com trilha suspensa – caminho que permite a passagem de cadeira de rodas e também facilita o acesso para pessoas com outras dificuldades de locomoção – em meio à floresta, proporciona ao visitante uma experiência ímpar de imersão na floresta. O passeio permite contato com espécies da flora e da fauna, além de uma visão mais ampla da área, o que é especialmente interessante para pessoas com deficiência física, que geralmente têm seu deslocamento limitado em regiões de mata.

Para saber mais, acesse o Instagram do Parque Nacional da Serra dos Órgãos.

3. Parque Nacional do Itatiaia (RJ/MG)

Desde 2017, conta com um bosque sensorial, com duas pequenas trilhas, sendo uma delas percorrida de pés descalços, olhos fechados ou vendados, ao passo que a outra oferece acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, inclusive idosos. Ambos os percursos permitem, de maneira independente e segura, explorar o sistema sensorial humano por meio da percepção de cores, formas, texturas, odores e sons.

Para saber mais, acesse o Instagram do Parque Nacional do Itatiaia.

4. Parque Nacional da Tijuca (RJ)

Possui uma trilha adaptada para permitir que pessoas com deficiência possam vivenciar a floresta tropical. Conhecida como ‘Caminho Dom Pedro Augusto’, ela liga duas construções históricas: o Barracão e o restaurante Os Esquilos. O caminho proporciona contato direto com a floresta, e conta com um cabo guia para pessoas com deficiência visual, que passa bem próximo de elementos naturais, proporcionando experiências táteis e olfativas com troncos e folhas de árvores, por exemplo.

Para saber mais, acesse o Instagram do Parque Nacional da Tijuca.

Embora a acessibilidade em parques nacionais e unidades de conservação seja um tema desafiador, existem iniciativas bem-sucedidas que apontam para um horizonte promissor. 

“A verdadeira inclusão só será alcançada quando todas as pessoas, em todos os espaços, forem contempladas, incluindo os parques e áreas protegidas. Por isso, é essencial promover boas práticas de inclusão e repensar a acessibilidade nesses locais”, completa Renata Mendes finaliza.

Sobre o Instituto Semeia

Uma organização filantrópica, sem fins lucrativos, o instituto que trabalha para potencializar o desenvolvimento socioeconômico sustentável de parques e unidades de conservação brasileiras. Desde sua fundação, em 2011, o Semeia apoia governos na concepção e implementação de projetos de parcerias em parques, e promove diálogos entre governos, sociedade, iniciativa privada e entidades do terceiro setor para a viabilização dessas parcerias.Para saber mais acesse o site do Instituto Semeia.

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