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Pesquisadores iniciam estudo para identificar e prevenir abusos contra crianças com deficiência

Descrição da imagem #pracegover: Foto de uma mão de criança sobre a mão de um adulto. Fim da descrição.

Estudo pretende proteger crianças com deficiência de abusos (Foto: Juan Pablo Serrano Arenas/Pexels)

Você sabia que crianças com qualquer tipo de deficiência têm quatro vezes mais chances de sofrer algum tipo de violência e abuso do que as crianças sem deficiência? No entanto, os números são praticamente invisíveis nas pesquisas gerais sobre proteção infantil.

Para entender como proteger melhor crianças e adolescentes de situações de abuso, pesquisadores das universidades de Portsmouth, East Anglia, Nottingham Trent e Ann Craft Trust, todas no Reino Unido, estão trabalhando em parceria para avaliar a natureza e a qualidade das evidências já existentes sobre o assunto. 

De acordo com a pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, Ana Cláudia Brandão, muitos fatores contribuem para o aumento do abuso e violência contra as crianças com a deficiência. “O principal deles é a dificuldade de uma criança saber que está sendo vítima de algum tipo de violência, especialmente porque na maioria dos casos, o abuso vem de quem cuida ou de uma pessoa muito próxima”, explica a médica.  

Financiado pelo instituto What Works For Children’s Social Care, reconhecido por atuar no atendimento de crianças e adolescentes, o estudo tem objetivo de identificar os abusos sofridos por crianças com deficiência e os procedimentos das famílias na proteção infantil.

Como resultado, será elaborada uma recomendação para criar respostas eficazes no atendimento desse público. “É fundamental entender melhor as evidências sobre o aumento do risco de abuso e negligência para crianças com deficiência. Até agora, as evidências sugerem que, apesar do risco aumentado de sofrer abusos, o acesso de crianças com deficiência à proteção é frequentemente problemático e o apoio em todas as fases do sistema de proteção infantil é, na melhor das hipóteses, inconsistente”, afirma Anita Franklin, pesquisadora principal do projeto e professora de Estudos da Infância da Universidade de Portsmouth.  

Crianças com deficiência

“As crianças com deficiência enfrentam um risco desproporcionalmente maior de abuso, incluindo ameaças emergentes de exploração sexual infantil. Isso torna esta revisão urgente e oportuna para ajudar a orientar os profissionais a identificar, ouvir e proteger mais efetivamente crianças deficientes em risco de abuso”, explica Jane Hernon, professora de Serviço Social da Universidade de East Anglia. 

Enquanto a revisão científica não fica pronta, a médica do Einstein recomenda às famílias que estejam sempre alerta a todos os sinais, além de ensinarem as crianças sobre proteção do corpo. “Não podemos menosprezar o ambiente, achar que quem conhece a criança vai cuidar porque sabemos que não é sempre assim. Nosso dever é garantir a segurança dessas crianças.”  

Todas as crianças, especialmente as que têm dificuldade de se comunicar, precisam ser ensinadas sobre proteção do próprio corpo desde muito pequenas. “Elas precisam saber os nomes das partes intimas e onde está cada uma delas, como protegê-las e quem pode ver ou tocar nelas. É importante que elas saibam reconhecer uma violência e serem ensinadas que não pode ter ameaça ou sedução por troca, que tocar no corpo de alguém sem consentimento não é brincadeira”, diz Ana Claudia. Este entendimento é valido para todos os tipos de violência e todos os tipos de deficiência.  

Violência contra as crianças

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a violência contra as crianças está classificada em seis principais tipos: 

Fonte: Agência Einstein 

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