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Festival de Cinema Acessível Kids exibe filme na Escola para Surdos Frei Pacífico

#descriçãodaimagem #pratodosverem foto de uma sala de cinema. Na tela está uma cena do filme Divertidamente.

Exibição contará com acessibilidade em Libras para crianças surdas (Foto: Divulgação)

O Festival de Cinema Acessível Kids – a serviço da inclusão educacional, voltado a crianças cegas ou com baixa visão, surdas ou com deficiência auditiva ou com deficiência intelectual ou cognitiva e população de baixa renda, fará na próxima terça-feira, 10/09/24, às 13h30, uma sessão especial.

Será exibido o filme Divertida Mente, na Escola Especial para Surdos Frei Pacífico, o bairro Santo Antônio, em Porto Alegre. O projeto tem a chancela da Unesco e este ano participa da 38ª edição do ‘Criança Esperança’. A sessão é fechada para cerca de 60 alunos da escola.

Segundo idealizador e diretor do Festival de Cinema Acessível Kids, Sidnei Schames, o ‘Sid’, a janela de Libras (Língua Brasileira de Sinais), para quem não ouve e as legendas descritivas, para quem não sabe Libras garantem acessibilidade ao público. Além disso, o Festival promove uma recepção acolhedora do público, para que todos se sintam bem e possam aprender uns com os outros a partir das sessões de cinema.

“Tivemos casos de pessoas que fizeram curso de Libras para poder se comunicar com pessoas surdas a partir da experiência que tiveram nas edições anteriores. O Festival Kids é muito mais do que a exibição de filmes acessíveis. Trata-se de uma oportunidade de troca e aprendizado”, afirma, acrescentando que é a primeira vez que o evento acontece na Escola Especial para Surdos Frei Pacífico, embora a escola já tenha levado alunos em sessões do Festival na capital gaúcha.

Já a audiodescrição, permite ao público com deficiência visual (pessoas cegas ou com baixa visão) ter acesso aos filmes através da descrição dos elementos visuais da obra. Pesquisas demonstram que esse recurso beneficia, ainda, espectadores com autismo, síndrome de Down, deficiência intelectual e déficit de atenção.

O Festival de Cinema Acessível Kids – a serviço da inclusão educacional, Edição 2024, que tem a produção da Som da Luz, conta com o patrocínio da Bem Promotora e tem os seguintes apoiadores:  Abraccio, Outback, Total Seguros, Gontof Comunicação, Dextera, Expressão Natura, Camale, iQueest, Sopa Digital, Senado Federal e Mundo Melhor.

O projeto nasceu há nove anos em Porto Alegre, como Festival de Cinema Acessível. Foi idealizado por Schames, que é empreendedor, musicista, presidente da OSC Mais Criança (a proponente do projeto) e diretor da empresa Som da Luz. Logo na estreia, em 2015, seu filho, David, então com oito anos, não pode entrar no cinema, por não ter a idade necessária. Acabrunhado, exclamou: “meu pai criou um Festival Acessível para os outros; mas não é acessível para mim!”. Logo depois, transformou a indignação em projeto: “Pai, que tal a gente criar também um festival para as crianças? Já tenho até nome e slogan: ‘Festival de Cinema Acessível Kids, leve seu pai ao cinema”.

Esse é o projeto que estreou em 2017 e que recebeu a chancela da Unesco. Em 2022 foi expandido, com a paticipação na 36ª edição do Criança Esperança, onde ganhou uma maior relevância e saiu pela primeira vez da região Sul do país. Nessa nova fase, passou a ser alicerçado em duas grandes ações: a capacitação de professores das escolas públicas em inclusão social, em oficinas de seis horas, para grupos de até 25 professores; e a exibição de filmes acessíveis com um debate após a sessão. No ano passado, participou da 37ª edição do Criança Esperança.  

“Para chegar às telas de cinema com toda a acessibilidade necessária, tudo é gravado em estúdio. É preciso de tecnologia e muita sensibilidade”, diz Schames. E acrescenta: “Todos somos diferentes, mas podemos compartilhar uma mesma sala de cinema. Nas sessões tem o pai com deficiência visual, com o filho que enxerga; a filha com deficiência auditiva com a mãe que escuta, crianças com deficiência intelectual ou cognitiva e todos estão juntos se divertindo dentro do cinema”.  David, hoje com 17 anos, afirma: “criamos o Festival para todo mundo ser igual. Não igual no sentido de ter as mesmas características, mas os mesmos direitos e possibilidades. É um momento de inclusão estar todo mundo, pessoas com e sem deficiência, assistindo ao filme”.

Quando David e Sid contam sobre pessoas sem deficiência, se referem à presença de familiares, crianças, adolescentes e jovens não PCDs,também a quem vai às exibições como um exercício de aprendizado e empatia. “Fizemos sessões em escolas, onde as crianças assistem aos filmes de olhos fechados ou com venda nos olhos, para sentir como é um mundo sem imagens. Assim, esses alunos tentam se colocar na posição do Outro e aprendem a entender e respeitar as diferenças”, reflete Sid.

Até hoje, em suas versões adulto e infantil, o Festival de Cinema Acessível, que também conta com o apoio do Senado Federal, foi assistido por cerca de 23.238 pessoas, em 40 cidades (São Paulo, Natal, Niterói, Florianópolis e Brasília, além de 33 no Rio Grande do Sul e duas em Santa Catarina), com um total de 123 exibições..

Recentemente, dias 6 e 7 de agosto, o projeto projeto de arte, educação e lazer esteve em em Mostardas (a 200 km de Porto Alegre), na área urbana e na comunidade quilombola dos Teixeiras. Schames conta que o evento atendeu as crianças que moram na zona urbana e também alunos de escolas rurais. “Para muitas dessas crianças da comunidade dos Teixeiras, que tem cerca de 90 famílias, foi a primeira experiência com cinema.” 

Em outubro, o projeto vai pelo terceiro ano consecutivo, a Brasília, durante a Semana da Criança, em evento com o apoio do Senado Federal. Depois,  o Festival deve mudar a programação para o resante do ano de 2024, que previa algumas viagens para outras cidades, como capitais, como Fortaleza (CE) e Campo Grande (MS).  Segundo Schames, em função da necessidade emergencial pela qual o estado está passando, o projeto busca agora diminuir as viagens para outros estados e concentrar os eventos no Rio Grande do Sul.

“Já tinhámos escrito e proposto para o Programa Criança Esperança um projeto inicial para 2025, após as cheias do Guaíba do ano passado. Pensávamos em visitar as cidades atingidas e chegar, por exemplo, à região metropolitana das ilhas. Mas agora as cheias vieram com ainda maior intensidade, atingindo mais cidades e pessoas; e queremos antecipar algumas das nossas ações. O estado está se reestruturando e nosso projeto também procura se adeaquar à nova realidade.”

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