Hoje vocês vão conhecer a história de Julyana Maia, uma garota ‘atípica’ que conta como foi receber o diagnóstico de autismo tardio.
Confira!
Bem, meu nome é Julyana Maia e tenho 23 anos. Desde criança, meus pais percebiam que eu era diferente. Eu não gostava das outras crianças, não falava com ninguém que não fosse da minha família e tinha uma série de comportamentos muito diferenciados, como: falar o português corretíssimo aos 2 anos de idade, ter uma memória impecável e me interessar por questões de adulto – sim, eu via jornais e sabia até a cotação do dólar!
Apesar dessas diferenças significativas que sempre apresentei, minha família desde sempre levou isso como minha personalidade. Eles nunca podaram este meu modo de ser. Embora não soubessemos que esta minha diferença tinha nome, ela já era percebida e respeitada por todas as pessoas especiais para mim.
Conforme fui crescendo, essa diferença no meu comportamento foi mudando. Eu, infelizmente, aprendi a esconder quem eu era de verdade para conseguir sobreviver nesta sociedade capacitista. Todavia, na adolescência, o peso de esconder quem eu era de verdade se tornou insuportável. E, assim, que caí em uma depressão ansiosa, aos 17 anos.
Durante todos estes episódios tristes da minha vida foram melhorando, passei a perceber que minhas atípicas características, as quais eu associava erroneamente à ansiedade, não passavam. Eu continuei sem ter vontade de interagir com as pessoas, segui fazendo movimentos autoestimulantes para me acalmar, bem como permaneci repetindo frases sem sentido apenas por puro prazer.
Isto tudo me intrigava muito. Tanto a ponto de eu resolver buscar o motivo disso a fundo. Até o dia que topei no instagram com perfis de mulheres autistas adultas. Tudo que eles falavam sobre si, eu me identificava. Eu fiquei tão chocada com as semelhanças que resolvi investigar se eu de fato era autista.
Apesar de ter tido este insight, não foi fácil chegar a um profissional adequado, o qual consegue lidar, sem preconceito, com mulheres autistas. Ouvi por vários profissionais capacitistas que eu ‘não tinha cara de autista’, que eu ‘devia ignorar isso’, que eu ‘estava enlouquecendo’. Isso me desanimou muito. Mas não desisti.
Consegui uma profissional muito humana e anti-capacitismo, a qual fez meu diagnóstico. Quando eu ouvi a médica especializada em autismo falar que eu realmente era autista, parece que um grande peso saiu das minhas costas.
Finalmente eu estava livre. Eu não era ‘estranha’ e ‘inadequada’, como todos diziam. Eu sempre fui simplesmente autista. Nunca fui nada disso o que as pessoas falavam. Eu sempre fui apenas diferente dos outros. E agora que sei disso, consegui fazer as pazes comigo mesma.
Hoje eu também falo de autismo nas redes sociais, no Instagram @atipicamente__ para fazer este acolhimento e conscientização. Nós precisamos falar sobre autismo, para que cada vez menos histórias de se sentir inadequado por falta de diagnóstico adequado, ocorram.

