Fonte: Jornal da Unicamp*
Nascido no interior de Pernambuco, o músico Reinaldo Amorim Casteluzzo se apaixonou pela música ainda na infância, quando ganhou seu primeiro violão, aos cinco anos de idade. Na década de 1980, quando começou a atuar como professor, notou que não haviam instrumentos adaptados e foi então que começou a proposta do violão terapêutico para pessoas com deficiência.
Nessa época, Reinaldo dava aulas de violão em um conservatório para alguns alunos com deficiência. Decidiu, então, que faria algo para incluí-los nesse universo. Ingressou no mestrado na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e foi orientado pelo pediatra Roberto Teixeira Mendes, que avaliou o uso de um violão adaptado por crianças com paralisia cerebral (PC). Surgia então o violão terapêutico.
Os primeiros testes do violão terapêutico
Para validar o instrumento, o professor fez uma intervenção com 22 jovens da APAE de Arthur Nogueira, cidade do interior de São Paulo, atendidos pelo HC da Unicamp. Apresentou-lhes o violão que, num primeiro momento, não levantou suspeita. Aos primeiros acordes, eles perceberam que o instrumento era diferente, já que podia ser tocado só com uma mão.
Para a intervenção, o pesquisador foi acompanhado de uma psicóloga, de uma assistente social e de uma professora de música, que aplicaram um questionário aos pacientes, que avaliou o conceito de autoestima, de Rosenberg (1965), adaptado para língua portuguesa.
Três meses após a primeira intervenção, o questionário foi reaplicado e os resultados surpreenderam, já que todos os alunos com paralisia cerebral conseguiram tocar o instrumento.
O violão terapêutico
Com 12 cordas, o violão terapêutico tem base teórica que segue as notas fundamentais da música e que foi trabalhado na luthieria para permanecer com a mesma estética do tradicional, mas exercendo a função de três violões. “Eu os acoplei em um braço só. Ficou um pouco largo, contudo pode ser construído com outras medidas. Fiz várias tentativas. Essa foi a invenção que mais deu certo, uma afinação chamada ‘cebolão’, no popular, de modo que as notas que pertencem à escala já estão todas afinadas”, explica Reinaldo.
Ao falar sobre outras adaptações, o músico imagina que a nova geração de violões poderá ganhar algum recurso eletrônico de uma mão que faça os acordes sozinho. “Mas o nosso é artesanal e deve continuar sendo o modelo tradicional, pois pode ser tocado em qualquer lugar.”
O músico espera conseguir colocar o violão terapêutico no mercado. “Já vendemos mais de 50 violões, porém o custo ainda é alto. Um violão não sai por menos de 2 mil reais”, conta Reinaldo, que completou: “o instrumento serve tanto para o paciente quanto para uso pelo terapeuta, em sua atividade profissional”.
Apesar da pesquisa do violão terapêutico ter sido realizada com pessoas com paralisia cerebral, Reinaldo garante que o instrumento pode beneficiar ainda pessoas com mobilidade reduzira, que tenham sofrido um AVC ou com amputação de membro superior, por exemplo.
*Texto: Isabel Gardeal | Fotos: Antoninho Perri | Edição: Luis Paulo Silva Clique aqui para conferir a reportagem, na íntegra!
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