Às vezes, sinto que sou apenas um pedaço de muitas histórias que vivem em mim. Uma peça gigante de quebra-cabeça que se conecta a muitas histórias que habitam em minha essência e, de algum modo, me trazem até aqui e colaboram para eu ser quem eu sou.
Pedaços preciosos dos ensinamentos, lutas, dores, medos e vulnerabilidades das minhas tataravós. Vestígios de seus sonhos, emoções e sentimentos.
Sou pedaços de pequenas alegrias, muitas expectativas, desejos, vulnerabilidades, inseguranças e dores das minhas bisavós. Vestígios dos seus lamentos, pensamentos, desejos, alegrias e tristezas.
Sinto pedaços indescritivelmente gostosos e repletos de mimos, risadas, sonhos, curiosidades, colo, descobertas, frustrações e vitórias das minhas avós.
Ah, que saudade dos seus cabelos branquinhos, voz macia, sorrisos e carinhos me protegendo de todo o mal que existe no mundo. Cheiro de comida gostosa e da infância cheia de amor e sonhos!
Percebo pedaços fragmentados, alguns danificados, outros recuperados e tantos outros idealizados e amados da minha mãe e tudo o que ela expande para o universo daquilo que faz, com o que fizeram com ela. Dor, lamento, medo, rejeição, não pertencimento. Mas ainda assim, esperança!
Que coisa linda e honrosa é me olhar no espelho agora!
Ver no tempo que passa sempre apressado, os pedacinhos singelos de cada uma dessas mulheres vibrando do meu inconsciente para todo o universo. Memórias afetivas e emocionais!
Abraço que acolhe, olhos brilhando, mãos que seguram ou afastam. Rede de apoio, ou não! Abandono, lágrimas, coragem, perseverança, esperança, medo, ausência, presença, persistência. Seguir ou desistir?
Pedaços delas que reverberam em mim.
Uma mistura instigante de ‘eus’ que, de algum modo, me ajudaram e guiaram até aqui. Liberdade, enfim?
Nada é culpa minha ou delas, ou de qualquer outra pessoa que tenha vindo antes para abrir o caminho poderoso e precioso que nos trouxe até aqui.
Sinto que sou muitas histórias vibrando num único corpo. Organismo vivo e potente nesse mundo repleto de desafios, culpa e milagres surpreendentes. Particularmente prefiro os últimos!
Memórias emocionais!
Células pulsando agitadas dando forma e sentido a quem sou.
Eu e elas. Eu nelas. Elas em mim. Eu nas minhas filhas e elas, quem sabe no futuro, dentro de alguém que contará sobre mim, mesmo que por algum motivo, sequer me conheça. Tudo o que importa é que floresça!
Eu estarei viva dentro delas, em cada semente que plantei. Em cada sentimento, emoção e pensamento que vibrei para o mundo e deixei para elas.
Somos o que vibramos. Expandindo para o universo todo o amor e bem querer que plantamos! Servir e fazer o bem sem olhar a quem.
E disso, eu não abro mão!
Cuidar, amar, acolher, aceitar, inspirar, incentivar, libertar!
Quantas centelhas, quase grãos de areia, pequeninos, talvez imperceptíveis, dizendo mais sobre mim e delas, do que se possa imaginar!
É só vida que segue para algum lugar inexplicavelmente curioso e maravilhoso.
Me refazendo das dores da minha história comum. Ressignificando meus caminhos e escolhas. Pulsando as vitórias, alegrias, ensaios e delícias que a vida inexplicavelmente nos dá e, na maioria das vezes, somos incapazes de perceber.
O muito no pouco. O tanto no imperceptível! Amor abundante e imenso!
Eu e elas. Elas e eu. Honrando a nossa história. Deixando por aí as nossas marcas únicas e inesquecíveis nos corações que tocados por nós, nos manterão vivas na eternidade.
Faz sentido para você?
Com amor,
Roberta Borges

