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Descrição da imagem: foto de uma família. Um casal com duas crianças, olhando o horizonte, com o nascer do sol. Fim da descrição.

Um dia desses uma pessoa me perguntou como eu me sentia ao acolher diariamente mães e pais, avós, tios, padrinhos e educadores em busca de ‘segredos’ para ajudar suas crianças e adolescentes a terem sucesso. 

A pergunta teve um tom sarcástico e veio seguida de mais indagações: você acha que as receitas que você dá funcionam na casa deles? Será que eles praticam o que você sugere no seu manual? Quais são os critérios que você usa para analisar as dores do outro?

Fiquei impactada com o questionamento repentino e durante algum tempo silenciei para processar com calma ‘os motivos’ que alguém teria para me questionar assim. E me parece claro que as perguntas talvez tivessem muito mais a ver com ela e seu pedido de socorro velado para lidar com os desafios de educar.

Fechei os olhos e numa fração de segundos a minha mente fez milhares de conexões, trazendo imagens diversas como um filme repleto de memórias guardadas ali. Neurônios trabalhando numa dança fantástica de engrenagens potentes que automaticamente liberaram estímulos para várias partes do meu corpo. Oh coisa poderosa é ser humano!

Ah esses neurotransmissores! Apesar de microscópicos dominam magicamente nossas emoções e geram respostas fisiológicas muitas vezes incontroláveis! Enviam comandos sem pedir licença, geram comportamentos inesperados e entregas surpreendentes ao mundo. Tudo a partir do que sentimos!

E sabe, é exatamente por isso que me interesso!

Eu nunca havia pensado concretamente sobre ‘ajudar pessoas a serem bem sucedidas’. E também nunca pensei que partilhar saberes e ensinar recursos que obviamente costumo praticar em minha vida, portanto, sei que funcionam, poderia ser encarado como receitas de um manual.

Hum, aquilo me incomodou! Creio que seria um pouco atrevida e talvez egocêntrica em me atribuir tamanho poder!

O meu sonho é ousado sim, pois é preciso cuidar das pessoas para transformar o mundo. E isso tem a ver com tornar-se necessário a alguém, ser importante na vida das pessoas, especialmente àquelas que amamos.

O meu sonho é simples porque acredita que quem faz tudo acontecer são as pessoas, e se elas não tiverem saúde emocional, mental, física e espiritual para conhecerem seus valores, despertarem para seus propósitos e perceberem quão valiosas são, a vida seguirá cada vez mais caótica, triste e representada por uma humanidade cada dia mais adoecida. 

Apenas isso. Basta olhar para o lado de fora.

Sonho com um mundo onde as pessoas aprendam a lidar melhor com as suas dores e com elas mesmas para que sejam felizes, realizadas, maduras emocionalmente e vivam intensa e apaixonadamente as incríveis oportunidades da vida. É, pensando bem, isso parece mesmo ousado! (risos)

Aprendi que ter sucesso nem sempre é ser importante e o que toca o meu coração de educadora e mãe, sem dúvida alguma é o desejo de que pessoas sejam muito mais ‘importantes’ umas para as outras do que bem sucedidas. 

Mas tudo bem se as duas coisas acontecerem juntas!

O importante são as marcas e memórias afetivas que deixamos no coração do outro. O que as pessoas sentirão ao pensar em nós quando não estivermos mais aqui, sabe?

Então uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Pensar sobre as histórias de famílias que de algum modo já partilharam suas intimidades comigo, me faz ser grata pela confiança que depositam em mim e ao mesmo tempo, me leva a refletir diariamente sobre a potência e impotência que na mesma proporção especialistas e educadores precisam enfrentar ao longo da sua trajetória. 

Ter saberes e recursos para lidar com as imprevisíveis situações da vida não é nem de perto ‘ter todas as respostas’, ainda que muitas pessoas esperem esse milagre de você.

Acessar esses saberes e se apropriar das ferramentas é uma escolha pessoal. Ninguém pode fazer por você aquilo que precisa ser feito. Tudo acontece de dentro para fora!

Aprendi e aprendo a todos os instantes que no fundo somos como jardineiros que cuidam da terra, adubam, nutrem, irrigam e escolhem com carinho as sementes que serão plantadas em cada pedacinho do jardim. Mas cada uma, a seu modo, tem o tempo e a forma certa para germinar, crescer e florescer. 

E o dono da casa precisa fazer o mínimo necessário para manter o jardim vivo. 

É certo que coisas inesperadas acontecem no meio do caminho. Algumas flores têm espinhos, nascem misturadas em suas cores, tamanhos, formas e folhagens. Caem tempestades, vento. É necessário cuidado, afeto e estratégia para não se ferir e deixar jorrar sangue sem propósito de evolução. 

Sendo assim, é preciso compreender que nem sempre boas sementes germinam e dão frutos, assim como algumas que pareciam ‘não tão boas ou de má qualidade’,  sob a ótica de alguém, podem surpreender com a beleza e qualidade das flores e frutos. 

Pessoas são ÚNICAS e surpreendentes em seus talentos e possibilidades! E sem dúvida alguma essa é uma das coisas mais extraordinárias da vida! 

Eu nunca tive a menor intenção de dar receitas prontas sobre gente. Apenas sou um tiquinho ousada em crer nas pessoas e suas potencialidades. Eu acredito!

Desde criança eu sempre me interessei em contemplar o comportamento humano. Aos 17 anos já estava na sala de aula aprendendo e praticando a escuta, o acolhimento, o afeto sem julgamentos. Compreendendo, pouco a pouco, que é fundamental ter humildade e empatia para aceitar e respeitar a história de quem estava ali diante de mim.

Percebi que ao ensinar aprendemos. É assim que conseguimos acolher quem está diante de nós e então, sugerir pontos que precisam ser vistos, estimulados, ressignificados, desenvolvidos e valorizados para que haja percepção de seus potenciais, conexão, encorajamento, confiança, alegria e coragem para guiar vidas a penhascos que no fundo, são espetaculares trampolins para que voem livres e escrevam as suas histórias. 

É lindo aprender algo novo todos os dias e contemplar tantos voos surpreendentes!

Faz sentido para você?

Vamos juntos?

Com amor,
Roberta Borges

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