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Trabalho na UFSCar traduz, para Libras, cartilha da PGR sobre assédio sexual no serviço público

Libras cartilha sobre assédio sexual

Cartilha sobre assédio sexual em Libras

A partir de um trabalho de conclusão de curso (TCC) do curso de bacharelado em Tradução e Interpretação em Libras e Língua Portuguesa (TILSP) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), foi realizada uma tradução comentada da cartilha “Programa de prevenção e enfrentamento ao assédio sexual no âmbito das autarquias e fundações públicas federais” (https://bit.ly/cartilhaPGF). O material foi desenvolvido pela Procuradoria Geral Federal (PGF) e divulga, para gestores de instituições e locais públicos federais e empresas que tenham contrato com o serviço público, ações diante de casos como violência e assédio sexual e crimes que discriminam a dignidade sexual.

Bastidores da gravação do vídeo que traduz cartilha (Foto: Arquivo pessoal)

O TCC, que adapta essa cartilha para a Libras, foi elaborado pela estudante Liandra Kamila Fonseca, no período de um ano (de setembro de 2023 a setembro de 2024), com orientação do professor Marcus Vinicius Batista Nascimento, e coorientado pela docente Raissa Siqueira Tostes, que é surda; ambos são do Departamento de Psicologia (DPsi) da UFSCar e atuam no curso TILSP. A adaptação teve a autorização da PGF.

O orientador do trabalho conta que a ideia nasceu no processo de decisão de escolha do tema do TCC.

“Na ocasião eu estava como Secretário Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (SAADE) da UFSCar e recebi a cartilha pela Coordenadoria de Gestão e Mediação de Condutas. Como o tema falava do serviço público e existem, atualmente, muitos surdos atuando como professores em universidades federais – só na UFSCar são quatro -, pensamos que seria uma excelente contribuição traduzir o material para a Libras para que pessoas surdas no serviço público também pudessem ter acesso ao conteúdo em sua língua”, conta o professor da UFSCar.

O resultado é um vídeo que apresenta, em Libras, o conteúdo escrito da cartilha da PGF, que pode ser acessado no canal Audiovisual TILSP, no YouTube, em https://bit.ly/cartilhaLibras. O TCC, que detalha teórico e metodologicamente o produto final, está disponível no Repositório Institucional da UFSCar, no link https://bit.ly/TCCcartilha

Processo de tradução

Para desenvolver o trabalho, foi feita uma articulação teórico-metodológica entre o pensamento do filósofo russo da linguagem Mikhail Bakhtin e o campo dos Estudos da Tradução e Interpretação da Língua de Sinais (ETILS).

“Apresentamos as escolhas e estratégias tradutórias utilizadas para mobilizar o texto de partida (TP), em Língua Portuguesa na modalidade escrita, para o texto de chegada (TC), em Libras, de modalidade gesto-visuo-espacial”, explica Nascimento.

“Com isso exploramos a tradução comentada como gênero acadêmico no processo de formação de tradutores de Libras e discutimos, também, a vulnerabilidade ainda existente na comunidade surda em relação às informações básicas sobre o assunto, tais como identificar o crime, denunciar e prevenir”. 

Nesse caminho entre a obra original e a traduzida, foram feitas diversas escolhas, entre elas, de tradução e de padronização.

“Por se tratar de palavras de âmbito jurídico e haver palavras semelhantes ligadas à lei, ocorreram mudanças no momento da gravação, priorizando o entendimento visual e coerente na Língua Brasileira de Sinais”, relata a estudante Liandra Fonseca, autora do TCC.

“Para alcançarmos nosso objetivo”, completa Liandra, “pensamos para além da tradução, durante o processo, organizamos anotações e registros para a escrita do TCC. Esse diário de campo serviu como referência durante a escrita. Agora, pensando na tradução, combinamos de priorizar uma sinalização limpa e natural; desprendendo-se da ‘glosa’ [comentários explicativos], as duas tradutoras estudaram o material, anotaram em formato de glosa -, mas apenas para estudar o assunto-, absorvendo-o e sinalizando sem seguir à risca a anotação, tornando a sinalização fluida e ‘não-robotizada’. Após a gravação, os vídeos foram analisados e regravados caso houvesse erros”.

Outra estratégia significativa foi a utilização dos mesmos elementos visuais da cartilha impressa para permitir que a pessoa surda possa assistir com a mesma diagramação do material impresso.

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