Três alunas do Ensino Médio da Escola do Sesi Campinas (Unidade Amoreiras), no interior de São Paulo, desenvolveram o projeto D’Arte, que significa: Democratização da Arte, em espaços socioculturais. O projeto, idealizado pelas estudantes Beatriz Franco, Lisa Blattner e Maria Eduarda Moura, consiste na criação de peças de arte em alto-relevo para atender as necessidades de interpretação de pessoas com deficiência visual.
Segundo Maria Eduarda, uma das idealizadoras, o projeto nasceu do questionamento com suas amigas sobre a falta de acessibilidade nos espaços culturais. Desta forma, elas desenvolveram o projeto para garantir que pessoas cegas possam sentir, por meio do tato, cada traço das obras de arte. Além disso, o projeto conta ainda com a audiodescrição das imagens.
“Pesquisamos o assunto e percebemos que não existe inclusão de fato nesse universo”, explica Lisa Blattner, que destaca ainda: “o estudo envolveu avaliações sobre as dificuldades de crianças, idosos, autistas e neurodivergentes para interpretar obras de arte. Por isso, o D’Arte também auxilia essas pessoas”.
Inicialmente, as estudantes pensaram em criar um sensor de movimento que acionasse a audiodescrição, mas elas perceberam que poderiam oferecer mais. Com o auxílio de uma impressora 3D e de um arduíno, elas criaram a primeira obra do projeto D’Arte, a releitura em alto-relevo da Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci.
“Escolhemos a Mona Lisa para a primeira etapa do projeto por ser uma pintura que todo mundo conhece, uma das mais famosas no Louvre”, ressalta Maria Eduarda. Após 14 horas de impressão do protótipo, as estudantes iniciaram o processo de customização do totem em MDF e criaram um caixa de ‘miniexposição’ com a tela da Mona Lisa.
Já para a produção da audiodescrição, as meninas estudaram todos os detalhes da obra e utilizaram a voz do Google, por não exigir direitos autorais. Como as idealizadoras do D’Arte já estavam concluindo o Ensino Médio quando criaram o projeto, agora ele está sendo conduzido por mais estudantes da escola do Sesi com o auxílio das inventoras.
A professora de matemática Ana Paula Carazzatto explica que o projeto é interdisciplinar. “Como o próprio nome já diz, propõe que os estudantes encontrem na sua comunidade algum problema social para ser solucionado”, conclui.

