Entre os dias 21 e 30 de junho de 2024, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro recebe o Festival Experimenta, um festival de teatro e dança que celebra os artistas com deficiência como criadores e protagonistas de suas histórias.
Ao todo serão apresentados sete espetáculos de teatro e dança com artistas com deficiência e uma videoinstalação performática que ficará aberta durante todo o festival. A programação gratuita conta ainda com duas oficinas e terá recursos como audiodescrição e interpretação em Libras em todas as apresentações.
Festival Experimenta
Produzido pela Cinema Falado Produções, mesma produtora do ‘Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes Sobre Deficiência’, o mais antigo e longevo festival de cinema nacional focado nas temáticas das deficiências, o Festival Experimenta tem como proposta conectar artistas ao público.
De um lado, pessoas com deficiência que produzem obras de altíssimo nível técnico e artístico, mas que muitas vezes não encontram espaços para mostrarem suas criações. E do outro, o público geral, ávido por novas experiências, que frequentemente não têm a oportunidade de assistir às obras criadas por estes artistas. O festival é realizado no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro.
Com apresentações repletas de inquietações, questionamentos e novos pontos de vista, o evento acredita que a diversidade é enriquecedora e fundamental para a evolução civilizatória. Entre os destaques da programação estão peças como: ‘Corpo Sobre Tela’, inspirada na vida e obra do pintor irlandês Francis Bacon, em que o artista Marcos Abranches usa o próprio corpo e gestual como pincel para criação de imagens abstratas em grande escala; ‘Entre Nuvens’, espetáculo de dança e teatro de Moira Braga, cujo trabalho é parte de uma pesquisa sobre a vida e obra da bailarina e coreógrafa Angel Vianna; e ‘Meu Corpo Está Aqui’, de Julia Spadaccini, idealizadora do projeto e também pessoa com deficiência, e da diretora e bailarina Clara Kutner. Alguns trabalhos são inéditos no Rio de Janeiro.
A videoinstalação SOM, uma coreografia para surdos, criada por Clara Kutner, poderá ser visitada durante seis dias do festival. Ela é uma instalação de videodança com dispositivo vibratório para surdos e ouvintes perceberem a música através da pele. A composição feita para a obra será sentida tatilmente pelo corpo do espectador em pontos como mãos, pés e costas. Cada ponto que vibra corresponde a um instrumento. E cada intérprete do vídeo realiza uma coreografia que se relaciona com o ritmo e as sensações produzidas por cada um destes instrumentos: alfaia, baixo, trombone e cajón.
“Acreditamos que a diversidade em cena enriquece a vivência do coletivo, tornando-o mais democrático, rico e expandindo conceitos e visões. Solidificado por nossa ampla vivência nesta temática por meio do ‘Assim Vivemos’, que é referência na discussão e fomento das questões para pessoas com deficiência há tantos anos, o ‘Festival Experimenta’ surge como um espaço de celebração e pertencimento da arte feita por artistas com corpos e visões não típicas”, afirma Graciela Pozzobon, diretora da Cinema Falado Produções e especialista em acessibilidade comunicacional em conteúdos culturais.
A programação do Festival conta ainda com as oficinas ‘Dança para todos os corpos’, com o ator, coreógrafo e bailarino Marcos Abranches, e ‘Acessibilidade em conteúdos culturais’, com Felipe Monteiro, Graciela Pozzobon e Rodrigo de Bonis, indicada para produtores e fazedores da cultura, gestores e artistas.
Confira a programação:
- Dia/hora: 21 a 23/6 e 28 a 30/6, das 15h às 18h – Som, uma coreografia para surdos, de Clara Kutner (experiência individual com duração de 15 minutos)
- Local: Cinema II
- Sinopse: uma instalação de videodança performática com dispositivo vibratório para surdos e ouvintes perceberem a música através da pele, com concepção de Clara Kutner. A composição feita para a obra é sentida tatilmente pelo corpo do espectador em alguns pontos: mãos, pés e costas.
- Dia/hora: 21/6, às 19h – Canto dos malditos, com Marcos Abranches
- Local: Teatro II
- Sinopse: a solidão, o fracasso e a tristeza são pontos de partida no solo de dança contemporânea concebido e performado por Marcos Abranches. Como um desabafo, Abranches traz para a cena conflitos e questões do homem na contemporaneidade, inconsistência e a precariedade das suas próprias relações.
- Dia/hora: 23/6, das 15h às 18h – Oficina ‘Dança para todos os corpos’, com Marcos Abranches (duração de 2 a 3 horas)
- Local: Sala de Ensaios
- Dia/hora: 22/6, às 19h – Corpo sobre tela, com Marcos Abranches
- Local: Teatro II
- Sinopse: inspirado na vida e obra do pintor irlandês Francis Bacon, Corpo sobre Tela é um espetáculo de dança/teatro que tem a concepção, coreografia e direção de Marcos Abranches. O artista usa seu próprio corpo e gestual como “pincel” para a criação de imagens abstratas em grande escala. A obra traz para a cena movimentos singulares do dançarino, que possui paralisia cerebral, que expressam dramaticidade impregnados de cores e sentimentos inquietantes.
- Dia/hora: 23/6, às 19h – Kiua Matamba, salve a força dos ventos, com Com Mona Rikumbi
- Local: Teatro II
- Sinopse: a bailarina, atriz e performer Mona Rikumbi realiza o monólogo inspirado na cultura banto. O texto autoral fala de cura ao evocar a divindade Matamba, que leva com seus ventos todo o mal do mundo. Adetayo Ariel, percussionista, acompanha a artista nos cânticos e toques de ngoma (tambores).
- Dia/hora: 28/6, às 19h – Entre nuvens, com Moira Braga
- Local: Teatro II
- Sinopse: o novo espetáculo de dança/teatro da artista Moira Braga parte de uma pesquisa sobre a vida e obra de Angel Vianna, tendo a audiodescrição como tecnologia assistiva e como dispositivo de criação.
- Dia/hora: 29/6, às 17h e às 19h – Meu corpo está aqui, de Julia Spadaccini e Clara Kutner
- Local: Teatro II
- Sinopse: partindo da experiência pessoais de atrizes atores com deficiência, a peça traz um jogo entre as pulsões e os obstáculos encontrados por eles em suas descobertas afetivas e sexuais. Em cena,o elenco fala abertamente sobre relacionamentos, corpos e desejos por meio de depoimentos ficcionalizados por Julia Spadaccini, idealizadora do projeto e também pessoa com deficiência, e pela atriz, diretora e bailarina Clara Kutner.
- Dia/hora: 30/6, às 19h – O subNormal, com Cleber Tolini
- Local: Cinema II
- Sinopse: a comédia documental narra, com humor e delicadeza, a trajetória do ator Cleber Tolini, que aos 24 anos, após uma neurocirurgia, tem seu nervo ótico afetado passando a enxergar 20% (tem baixa visão a pessoa que enxerga menos de 30% mesmo após correção com óculos).
- Dia/hora: 30/6, das 15h às 18h – Oficina ‘Acessibilidade em conteúdos culturais’, com Felipe Monteiro, Graciela Pozzobon e Rodrigo de Bonis (duração de 2 a 3 horas)
- Local: Auditório do 3° andar
O Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro fica na Rua Primeiro de Março, 66 – 2º andar, no Centro.Para participar das sessões, oficinas e interagir com videoinstalação é necessário retirar os ingressos gratuitos na bilheteria física (no CCBB RJ) às 9h do dia de cada evento ou pelo site do CCBB.

