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Itaú Cultural promove festival de cultura surda

Descrição da imagem: Arte de divulgação do evento. A imagem tem fundo verde. Nela está a imagem do contorno de uma mão com os dizeres: Festival de Cultura Surda. Fim da descrição.

Festival de culturas surdas terá acessibilidade em Libras e discutirá questões como feminismo, racismo e diversidade LGBTQI+ (Imagem: Reprodução)

Começa hoje a 4ª edição do festival de cultura surda do Itaú Cultural. Com o tema multiculturalidade surda, o evento busca destacar as diferentes realidades das pessoas com deficiência auditiva.

A programação conta com um festival de videopoesias e com mesas de debate. Os trabalhos poéticos são apresentados por Renata Freitas, poeta e professora de literatura surda e Libras, e pelo Coletivo Mão Dupla, formado por artistas surdos e ouvintes, e ficam disponíveis para o público ao longo de todo o evento, que acontece de 9 a 22 de agosto.

Os debates, por sua vez, ocorrem entre os dias 9 e 13 de agosto, e pensam questões como a negritude surda e a vivência de pessoas surdas que integram a comunidade LGBTQIA+. 

Confira a programação do festival de cultura surda:

Dia/hora: 9/8, das 19h às 21h – Línguas de sinais indígenas

A mesa aborda a realidade de pessoas surdas indígenas e as particularidades de suas línguas de sinais. Com Jéssica Pedro, Rosyane Pedro e Shirley Vilhalva.

Jéssica Pedro é surda e indígena da etnia Terena. Cursa o último ano do curso de letras/Libras na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

Rosyane Pedro é intérprete de Libras e indígena da etnia Terena. É graduada em letras/Libras pela UFGD e pós-graduada em educação especial.

Shirley Vilhalva é referência em línguas de sinais indígenas, tendo mapeado em seu mestrado as diferentes línguas usadas em Mato Grosso do Sul. Graduada em pedagogia, tem mestrado em linguística e faz doutorado em linguística aplicada.

Dia/hora: 10/8, das 19h às 21h – Surdos que ouvem

Há muitas pessoas surdas que preferem o uso do português ao de Libras, e lançam mão com mais frequência de recursos como leitura labial e legendas. Esta mesa tem como foco essa parcela de surdos – formada também por pessoas que usam aparelhos auditivos ou implante coclear. Com JP Acciari, Lak Lobato e Paula Pfeifer.

JP Acciari é designer. Usa o implante coclear desde os 5 anos de idade e viveu toda a infância com amigos oralizados e ouvintes. Somente no ensino médio teve contato com surdos que se comunicam em Libras – e então passou a se identificar como tal, buscando igualdade e respeito entre surdos que ouvem, surdos que não ouvem e ouvintes.

Lak Lobato é surda oralizada desde criança e usuária de implante coclear. Formada em comunicação, é palestrante e autora do blog Desculpe, não ouvi!, que já deu origem a duas palestras do projeto TEDx Talks e a quatro livros.

Paula Pfeifer é escritora, criadora do movimento #surdosqueouvem e membro do World Hearing Forum, da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Dia/hora: 11/8, das 19h às 21h – Negritude surda

E quando as opressões se sobrepõem? E quando, além das barreiras impostas às pessoas surdas, se deve lidar com as barreiras impostas às pessoas negras? Esta mesa reúne pessoas negras e surdas que se envolvem nessa questão de diferentes maneiras – seja por meio da educação e da militância ativa, seja através de pesquisas acadêmicas ou de produções artísticas. Com Márcia Paulo, Priscilla Leonnor e Wesley Nascimento.

Márcia Paulo é militante negra e surda. Professora de Libras no Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), é mestranda em educação bilíngue.

Priscilla Leonnor é professora de Libras e de literatura visual na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Formada em pedagogia e letras/Libras, tem mestrado em ensino. Como ativista negra e surda, apresentou trabalho no Congresso Nacional de Inclusão Social do Negro Surdo e produz uma série de poesias em Libras com o tema da negritude.

Wesley Nascimento é tradutor surdo. Graduando em tradução e interpretação em Libras/português pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), tem intensa pesquisa nos campos de surdez e negritude.

Dia/hora: 12/8, das 19h às 21h – Surdos LGBTQIA+

A mesa reúne pessoas surdas que integram a comunidade LGBTQIA+ e que fazem de suas vidas espaços de arte e política. Com Kitana Dreams, Pietra Simon e Yanna Porcino.

Kitana Dreams é drag queen surda, influenciadora digital e maquiadora. Em 2013 e 2014, foi a primeira drag queen surda a ser coroada no Miss Rio de Janeiro Gay Plus Size. Quando não está de Kitana, é Leonardo.

Pietra Simon é mulher trans e surda. Professora de Libras, atua como ativista em defesa da comunidade surda e dos movimentos feminista e LGBTQIA+.

Yanna Porcino é artista surda. Poeta, desenhista e professora e intérprete de Libras, criou no Instagram a página Meus sinais expressam.

Dia/hora: 13/8, das 19h às 21h – Mulheres surdas e feminismo

Mulheres surdas também sofrem com o machismo – e se organizam contra essa opressão em coletivos feministas de mulheres surdas. Esta mesa tem como foco a vivência dessas pessoas. Com Gabriela Grigolom Silva, Nayara Silva e Victória Hidalgo Pedroni.

Gabriela Grigolom Silva é ativista, atriz, surda, poeta, slammer e feminista negra. Trabalha no campo do teatro – já dirigiu uma peça com elenco formado apenas por pessoas surdas – e produz música em Libras. Atualmente estuda artes cênicas na Universidade Estadual do Paraná (Unespar).

Nayara Silva é mulher preta e surda e mãe de duas crianças codas (ouvintes filhos de pais surdos). Slammer MC, performer e atriz, é cofundadora do grupo Ramarias e contadora de histórias no grupo êBa!

Victória Hidalgo Pedroni é militante do feminismo surdo. Graduada em letras/Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), faz mestrado na mesma instituição.

O evento será transmitido no canal do Itaú Cultural no YouTube.

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