Por: Eliane Baatsch*
Quando falamos sobre inclusão e acessibilidade para pessoas com deficiência, percebemos que ainda existem muitas barreiras por falta de informação e infelizmente as famílias passam por uma demanda de defesa e luta dos direitos constantemente.
Já presenciei uma mãe no supermercado com sua filha cadeirante no colo, talvez naquele dia a criança estivesse sem sua cadeira de rodas e a mãe precisou carregá-la, quando passa uma mulher ao lado e comenta: – Que criança grande no colo, põe ela para andar!
No que a mãe responde: – Se a criança andasse com certeza estaria no chão andando!
O silêncio tomou conta do ambiente com um diálogo desnecessário e provido de constrangimento para as partes, da mãe com a chateação de ter que explicar que a criança não andava e da mulher que deveria ter prestado atenção antes de falar.
É um assunto que choca! Sem dúvida! Mas acontece muitas vezes com as pessoas com deficiência e seus familiares, que em ambientes sociais precisam se posicionar constantemente na luta dos direitos destas pessoas, além de expor sua vida para explicar todos os porquês…
Fala-se muito em inclusão social, inclusão escolar, acessibilidade, mas será que de fato a sociedade está preparada para a inserção da pessoa com deficiência no ambiente social?
Gafes atrás de gafes, situação de constrangimento atrás de constrangimento, exposição da vida e a luta diária pelos direitos.
A dificuldade de uma criança autista de frequentar um shopping e locais públicos com agitação, estereotipias e as pessoas achando que a mãe não educa. Sempre os conceitos da educação, como se esta não existisse.
E a acessibilidade para um cadeirante, quando estaciona em sua vaga ou com rampas, calçadas, pisos, lugares e banheiros não adaptados e inadequados, precisando do auxílio dos outros para sua locomoção. Às vezes o elevador dos locais ou do transporte está quebrado e onde este será atendido?
Na escola, a inclusão escolar engatinha na acessibilidade, na adaptação dos materiais, nos cuidados da pessoa com deficiência, na educação do que pode ou não pode fazer, na modalidade de ensino diferente. O aluno com deficiência é da escola como um todo e não somente do professor! Falta conhecimento sim! Formação também! Mas, antes de tudo, falta a compreensão sobre o comportamento e o aluno como um todo, que com adaptações ele pode aprender de acordo com o seu desenvolvimento e suas limitações. Não tem receita pronta pelo médico ou terapeuta, cada caso é único, exclusivo! O terapeuta e o médico atendem normalmente um paciente por vez! A escola vários alunos, mas o querer fazer tem que ser primordial na inclusão escolar.
As pessoas com deficiência e suas comorbidades que moram em apartamentos também passam por constrangimentos, aos quais os vizinhos não compreendem as suas alterações comportamentais e reclamam para o síndico, como se as famílias fizessem de propósito o barulho. As oscilações do comportamento prejudicam no trajeto entre uma torre, apartamento, entrada e estacionamento. Essas características são deles, são assim, não fazem porque querem e nem porque a família não educa! A família e as pessoas precisam a aprender a conviver e aceitar as diversidades.
Existem patologias que apresentam alterações no sono, mesmo com a medicação, o sono e o descanso são prejudicados. A família se reveza entre o cuidado, trabalho e assistência para a pessoa com deficiência.
No ônibus alguns motoristas e cobradores auxiliam da melhor forma possível, outros não se importam e ainda algumas pessoas com falta de informação criticam a pessoa com deficiência e a família.
As terapias são rotinas constantes das pessoas com deficiência, pois pelo contrário de uma pessoa que machuca um pé e precisa se reabilitar para a cura, esta precisa realizar terapias o tempo todo para melhorar ou estabilizar o quadro. A alta médica ou terapêutica ainda é uma incógnita!
Ainda em seus trajetos sociais falta adaptação, banheiro, piso tátil, informações em braile, comunicador sonoro, informações em libras… E às vezes boa vontade.
Em relação ao sistema empregatício, mesmo com a Lei de Cotas, poucas empresas vestem a camisa da inclusão para que esta seja efetivada com as adaptações necessárias para os seus funcionários.
Observar e compreender é o melhor caminho
- Antes de falar ou perguntar para uma pessoa com deficiência ou com a família dela, observe a situação e compreenda;
- As pessoas com autismo ou deficiência intelectual, às vezes apresentam alterações de comportamento, então antes de julgar, compreenda;
- Ofereça ajuda para as pessoas com descrição, se a pessoa com deficiência ou a família se sentirem à vontade para um diálogo, é outra situação;
- As alterações comportamentais e comorbidades são associadas em algumas patologias, não julgue que é falta de educação da família, terapias ou escola;
- Não estacione nem por um minuto nas vagas reservadas para pessoas com deficiência, pois sua locomoção já é complicada por falta de adaptação dos locais públicos, e quando elas não conseguem nem estacionar, fica ainda mais difícil;
- A pessoa com deficiência intelectual ou alterações de comportamento também tem potencial e com organizações diárias conseguem ter uma boa condição de convívio em sociedade;
- Não julgue ou efetive uma opinião pessoal ou profissional antes de se informar;
- A informação é sempre o melhor caminho;
- Quando a família ou a pessoa com deficiência sentirem que os seus direitos não estão sendo efetivados, busque ajuda no conselho da pessoa com deficiência, no ministério público ou na defensoria pública da sua cidade;
- Tenha bom senso!
“Enquanto a sociedade julgar sem compreensão e informação, a evolução da sociedade fica estagnada”
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