A maior festa junina do Estado de São Paulo foi o cenário de um encontro emocionante entre Alok e seu fã João Pedro, 19 anos. O encontro do DJ com o jovem, que tem paralisia cerebral, aconteceu em Votorantim.
João Pedro mora com a família na cidade de São Roque (SP) e viajou cerca de 40 quilômetros para assistir ao show do seu ídolo, pela primeira vez, na festa junina de Votorantim.
“Eu nunca me imaginei num show de música eletrônica, mas preciso estar junto com meu filho para ele realizar esse sonho. Acabou virando o sonho da família toda, de tanto que percebemos que esse amor pelo DJ ajudou João durante uma fase difícil”, afirma Aletea Prestes, mãe de João.
Aletea conta que as pessoas com deficiência encontram dificuldades com falta de acessibilidade, o que já a impediu de realizar esse sonho do filho antes. Porém, como a festa junina de Votorantim tem acessibilidade em todos os setores e oferece ingressos com preços populares, o evento se tornou a oportunidade perfeita para fazer João conhecer o seu maior ídolo ao lado de toda a família.
“O João tem uma história de muita luta e superação, então poder ver a alegria de ele realizar esse sonho significa muito para nós todos”, diz a mãe.
Incentivo diário
Segundo a mãe de João, o jovem descobriu os vídeos do DJ brasileiro na internet durante a pandemia e se encantou pelo artista, que tornou-se um grande estímulo dentro de casa para que ele realizasse tarefas como se exercitar, ir ao banheiro sozinho, usar as órteses, fazer lição de casa, entre outras. “De dois anos para cá, o incentivo para as atividades diárias do João tem sido o Alok.”
Ainda segundo Aletea, o jovem se encantou com o visual de Alok e, com o tempo, também passou a curtir as músicas, que o estimularam a encontrar alegria e diversão num momento difícil, em que João precisou ficar afastado de algumas atividades terapêuticas por ser do grupo de risco e devido ao isolamento social imposto pela pandemia da Covid-19.
“Como ele teve que parar a fisioterapia, para ficar no isolamento, nós começamos a colocar músicas na TV para o estimular a dançar e alongar, e aí surgiu um vídeo do Alok. Ele primeiro gostou do visual do DJ e depois começou a gostar das músicas. Com isso, o Alok o ajudou trazendo como benefícios os movimentos e a dança no período em que não podia sair de casa”, conta Aletea.
A partir deste momento, o DJ passou a fazer parte da rotina de João. “Hoje em dia é uma ‘overdose’ de Alok aqui em casa”, diz. O menino assiste aos vídeos do artista todos os dias, dança com as batidas das músicas e leva a imagem do DJ para todos os cantos, já que todo o seu material escolar e até mesmo o seu próprio visual são inspirados no Alok. “Ele tem os óculos parecidos com os que o Alok usa e anda com eles o dia todo”, declara a mãe. João fez até mesmo uma tatuagem inspirada nos desenhos que o DJ tem pelo corpo.
Com o retorno das atividades presenciais, após a flexibilização do isolamento social, João também fez com que os seus colegas de escola começassem a gostar do DJ. Na atividade do Dia das Mães deste ano, a sua turma usou uma música do artista para fazer uma homenagem e foi uma grande festa. O artista também foi inspiração para a apresentação de João em um sarau, em que ele transformou-se no DJ ‘Joãolok’.
Amor e luta
João Pedro nasceu no Amazonas e foi adotado por Aletea e o marido quando era recém-nascido, sendo trazido para morar no interior de São Paulo. O casal tentava ter filhos há cinco anos e, sem sucesso, optou pela adoção. Ela conta que João tem um histórico de convulsões e uma vida toda de luta, pois a paralisia cerebral foi descoberta quando ele ainda era um bebê e, desde então, João recebe todo o acompanhamento necessário para a sua saúde e o seu desenvolvimento.
“Ele é um guerreiro desde que nasceu. Desde os cinco meses, faz terapia com fonoaudióloga e já teve muitas crises de ausência. Ele chegou a ser desenganado por médicos aos sete anos, mas nós temos uma história de fé com o nosso padroeiro São Roque e o João conseguiu evoluir e chegar onde está”, explica Aletea.
Hoje, no que a mãe considera uma ótima fase, João frequenta a escola regular, faz terapias, crossfit adaptado e tem um grupo de amigos que se encontra semanalmente. A mãe conta que ele sempre esteve ligado à música, colecionando em sua casa uma guitarra, bateria e mesa de som infantil.
“É uma história de adoção, recheada de amor e luta. Hoje temos essa ‘overdose’ de Alok, mas que todo mundo acaba incentivando muito porque sabe da luta do João e de todos para chegar até aqui”, completa Aletea.
