O plano de desenvolvimento escolar das crianças com autismo

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As crianças com autismo têm direito a um currículo individualizado, que atenda sua condição peculiar. Essa ferramenta, quando bem elaborada e utilizada pela escola, permite acompanhar o processo de ensino e aprendizagem dessas crianças, num contexto inclusivo, reconhecedor das diferenças e ainda proporcionando desenvolvimento. Neste artigo, vou utilizar a sigla PDI, que representa: Plano de Desenvolvimento Individual, para nomear essa ferramenta.

O que é o PDI?

O PDI não é um documento simplesmente para arquivo pedagógico. Ele caminha junto com os livros didáticos, planejamento de aulas e reflexões do professor. Está presente em reuniões pedagógicas, conselhos de classe. É o parâmetro apropriado para avaliar a criança autista, dentro do que foi proposto exclusivamente para ela e dentro do que ela alcançou no período.

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Analisando modelos de ferramentas que algumas escolas usam, registrei observações que considero importantes sobre o PDI:

  • Não é um documento sigiloso. Ele é um currículo e como todo currículo deve estar acessível a pais e equipe profissional que atende a criança;
  • Não é uma anamnese, não deve conter informações sigilosas, que exponham a intimidade ou causem constrangimento;
  • O monitor que acompanha a criança, dentro da sala de aula, deve conhecer e utilizar a ferramenta em seu trabalho diário;
  • Deve ser elaborado dentro de uma estrutura prática e norteadora na tomada de decisões. PDI não é monografia, nem dissertação de mestrados;
  • Deve ser elaborado dentro de um vocabulário objetivo e simples, afim de atender a todos os grupos que lidam diretamente com a criança, inclusive a família;
  • Deve ter prazo de validade para revisão e estabelecimento de novas metas. Nada no PDI é fixo. Todas as considerações estão relacionadas ao momento atual da criança que pode e deve ser modificado após estímulo/treino;
  • Deve ser construído com a participação de toda a equipe que acompanha a criança;
  • Os profissionais da educação devem estar atentos às informações relatadas pelos profissionais da saúde quando forem definir estratégias, manejos e condutas com a criança;
  • PDI não é simples redução de conteúdos a aprender.

Ter o direito a um Plano de Desenvolvimento Individual para a criança autista é um grande ganho para a inclusão. Porém, o direito legal não ensina a construir a ferramenta muito menos a torná-la efetiva na prática escolar. É preciso estudar o transtorno, é preciso vincular a ferramenta ao cotidiano escolar e as práticas do professor e do monitor. Este é o grande desafio!

Pensando nesse desafio e desejosa de presentear os professores e monitores que trabalham com crianças autistas, pensei numa ferramenta que atendesse ao objetivo prático e norteador do ensino e aprendizagem destes alunos em sala de aula.

Não a considero perfeita, nem conclusiva. O espectro autista tem uma enorme variação sintomática e esse fator interfere bastante nas condutas e estratégias. O que elaborei para vocês, na verdade, foi uma estrutura básica, que penso atender ao monitoramento do processo de ensino e aprendizagem. Desejo que vocês experimentem, que promovam discussões e análises em relação a outras ferramentas. Deixe seu recadinho quando terminar essa análise. Terei o maior prazer em ler e responder a todos. Se vocês gostarem, na próxima semana, vou falar sobre o ‘Diário de Bordo’, que deve ser utilizado pelo monitor da criança autista.

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O ARQUIVO DO PDI

Um beijão em você que é professor ou monitor escolar de uma criança autista. Considere-se um profissional da educação acima do padrão! Feliz Dia do Professor!

Acompanhe também o Facebook do Congresso Nacional de Neurociência Aplicada à Educação.

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Zilanda Souza
Zilanda Souza
Mãe e educadora, especialista em psicopedagogia e neuropsicopedagogia, doutoranda em Saúde Coletiva. Autora do livro ‘Brincando de Palavrear’, coordenadora da pós-graduação em neurociência aplicada a avaliação e intervenção psicopedagógica e doutoranda em saúde coletiva. Diretora da Espaço Vida em Minas Gerais e no Distrito Federal. Atua em pesquisa voltada para a intervenção em funções executivas em crianças do ensino fundamental anos finais.

Comentários

11 COMENTÁRIOS

  1. QUE LEGAL AMEI……. OBRIGADA!
    SOU PROFESSORA DO ENSINO FUNDAMENTAL….. TENHO UM ALUNO AUTISTA…. AMO QUE FAÇO….. SOU PEDAGOGA E PÓS GRADUADA EM EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSIVA… ESTOU TERMINANDO MEU CURSO VOLTADO PARA O AUTISMO ( TEA). SOU TIA DE UMA CRIANÇA AUTISTA SEVERA….. ENTÃO POR ESSES E OUTROS MOTIVOS EU ESTOU SEMPRE BUSCANDO ME ATUALIZAR NO ASSUNTO.

  2. olá! Gostei muito do seu PDI. Obrigada por compartilhar.

    Tenho uma pergunta: você coloca nota no PDI? Devemos dar as notas baseadas no que é esperado para toda a turma ou o que é esperado para o aluno?

    Quando você diz que o PDI não é uma simples redução do que ele deve aprender, eu entendo que é muito mais, com todas as informações que os profissionais precisam para trabalhar e também as metas de comportamento, auto cuidados, autonomia, certo?

    No entanto, é também no PDI que colocamos as metas acadêmicas para o aluno? Digo, a parte do currículo mesmo, de cada disciplina?

    Obrigada!!

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