Quase toda pessoa, em algum momento da sua trajetória, compreende que o tempo é um dos maiores tesouros que existem. O que nem todas as pessoas entendem, é que aliado ao tempo, existe algo precioso e potente que somente ele, o tempo, regado pelas melhores qualidades e virtudes do ser humano, é capaz de preservar para, sempre que necessário, transformar absolutamente tudo na vida da gente: A AMIZADE.
Já parou para observar uma criança brincar?
A primeira coisa que ela faz, quando tem o mínimo de autonomia, é escolher um amigo, mesmo que seja imaginário. E o valor que ele tem é totalmente íntimo. Pode ser um bichinho de estimação, uma boneca, a almofadinha do berço ou o móbile, um bicho de pelúcia, um carrinho, uma planta, uma caixa vazia, o sol, gente, borboletas ou a lua. Ela tem um amigo. Isso basta!
Então, ela protege, conversa, se aconselha, vibra e cuida dele!
E ali, na espontaneidade primorosa e sábia da infância, é capaz de passar horas do seu dia a brincar, explorar, dialogar, acolher, se interessar e preservar esse amigo tão necessário na sua história.
Vivenciando os encontros e desencontros da amizade, a criança constrói vínculos, aprende a ouvir, aceitar a opinião do outro, negociar. Constrói memórias afetivas, autoestima, coragem para enfrentar os desafios e fortalecer a sua identidade, sem perceber.
O ato de brincar é poderoso e exercita habilidades socioemocionais fundamentais para a sobrevivência saudável e feliz no mundo!
Mães e pais deveriam observar mais os filhos e desenvolver a humildade que ajuda a aprender algo essencial para preservar a alegria, a gentileza, a empatia e o respeito nas relações humanas. Especialmente, a saúde mental e o reconhecimento das suas emoções ao longo da vida.
Seres humanos precisam se relacionar entre si, com o meio ambiente e consigo. São movidos por emoções e sensações. É isso o que determina seus comportamentos, sentimentos, pensamentos e percepções sobre a vida e si mesmos. Precisam uns dos outros para existir e interagir com qualidade de vida, alegria e deslumbramento com tudo e todos que o cercam.
É isso o que dá valor à vida e a sua preservação!
Quando essas funções estão estimuladas, todo o resto do organismo humano se desenvolve de forma fluida e harmônica, cada qual com a sua história.
É a convivência humana, especialmente com quem amamos, que nutre o cérebro com emoções poderosas e vitais. Dispara para todo o resto do corpo os estímulos necessários para termos ânimo e “motivos” para aprender e preservar a vida, explorar, questionar, sentir, se interessar pelo outro, acolher nossos sentimentos e do outro, ponderar, ser tolerante e resiliente. Sonhar, perceber e valorizar nossos talentos, dons e, especialmente, perceber que somos necessários na vida de alguém, do planeta e, principalmente, compreender que NÃO ESTAMOS SÓS!
Oh coisa abençoada, é alguém se sentir amado e necessário!
Mas infelizmente, as pessoas estão cada vez mais solitárias e ‘protegidas’ em seus ‘castelos de concreto’, se escondem atrás das telas, se entristecem e se distanciam umas das outras. E pior, se distanciam delas mesmas!
Todos os dias acolhemos mães e pais que chegam ao consultório ou na escola clamando por ajuda e acolhimento sem saber como educar seus filhos; lidar com suas singularidades e demandas; aceitar quem são e a condição real das suas crianças; ser aceito na sociedade para existir com o mínimo de decência; ter seus direitos preservados e principalmente, sobreviver sem uma REDE DE APOIO que lhes compreenda, ajude e acolha nos momentos desafiadores.
Afinal, todos temos dias difíceis!
Porém, não existem receitas mágicas. Para sobreviver e preservar a saúde mental é preciso amor, abraços, beijos, mãos dadas, sorrisos, suspiros, diálogo, olhos nos olhos, memórias afetivas, carinho, respeito, empatia, pertencimento!!!
PRECISAMOS UNS DOS OUTROS!
Nesse final de semana das férias, tive a oportunidade de reencontrar minhas amigas queridas da faculdade. Nós, maridos e filhos. Cada família com a sua história, seus desafios, suas conquistas e vitórias.
Uau! Foi sensacional porque mesmo após anos sem nos encontrarmos presencialmente, parecia que tínhamos nos visto ontem, tamanha intimidade. Isso é amizade!
O mesmo amor, o mesmo brilho nos olhos, abraços apertados, longos e silenciosos. Gargalhadas. Palavras sem filtro. Lágrimas banhando nossas faces transformadas pelo tempo, mas preservadas por tantas emoções vividas, partilhadas e necessárias para nutrirmos nossas mentes e entendermos o quanto nos amamos e somos necessárias umas nas vidas das outras.
Que coisa linda foi contemplar nossos filhos e filhas se conectarem e os maridos também, como se tivessem crescido juntos! As crianças se divertiram, correram, brincaram e construíram vínculos que curam, cuidam e tornam qualquer tribulação da vida mais leve e possível de suportar, principalmente, quando se tem um amigo para contar.
É preciso ouvir o que as crianças dizem. E mais que isso, aprender com elas o valor das coisas simples que realmente são necessárias na vida da gente.
E olha, por favor, tenha certeza que isso não tem nada a ver com TER.
Nem com os brinquedos mais caros ou de última geração. Nem com viagens ou passeios sem conexão entre a família, daqueles que a gente observa e embora todos estejam lá, amontoados no sofá ou sentados na mesma mesa de restaurante, o silêncio e a solidão imperam, enquanto cada um mergulha na solidão e nas futilidades frustrantes que a tela instala.
Aqui, falo da importância de SER, simples, presente, inteiro nas relações que construímos e escolhemos. Verdadeiros e íntegros com nossos valores. Éticos e comprometidos com nossos propósitos de vida. Intensos e humildes para perceber que numa relação de amizade ou amor, não tem melhor ou pior, apenas quem faz sentido ou não. É escolha!
Nessas férias que já chegam ao fim, não foi possível parar por completo e ir a lugares fabulosos com a minha família. Aproveitamos pequenos momentos, repletos de milagres surpreendentes que acontecem todos os dias de forma extraordinária.
E, no final de semana com minhas amigas e nossas famílias, nutrimos nossas mentes e corações. Nossas filhas, filhos e pares vibraram com a nossa felicidade. E assim, fortalecemos sentimentos que o tempo de qualidade com quem amamos faz perdurar por gerações inteiras.
Porque se faz sentir e o olho brilha. Faz sentido na sua vida!
Com amor,
Roberta Borges
