Sensibilizada com o alto-custo do treinamento de cães-guias no Brasil, a fotógrafa catarinense Genevieve Bernardoni reuniu 12 modelos e três cães, para produzir o Luz dos Olhos, calendário beneficente com renda revertida para a Escola de Cães-Guias Helen Keller – primeira entidade da América Latina filiada à Federação Internacional de Cães-Guia.
Todas as fotos foram feitas em paisagens inusitadas em Florianópolis, Balneário Camboriú e Itajaí, entre outras cidades de Santa Catarina.

O calendário custa 15 reais e pode ser adquirido nas principais lojas de Santa Catarina e na Escola de Cães Guias Helen Keller. Para todo o Brasil, as vendas são feitas no site da escola. Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail: contato@caoguia.org.br.
Projeto Luz dos Olhos

A sensibilidade de uma jovem mulher em se tornar socializadora de um futuro cão-guia chamou a atenção da fotógrafa Genevleve que, aos pesquisar sobre o trabalho dos cães que servem de olhos para pessoas cegas, se viu motivada a iniciar o projeto Luz dos Olhos.
“Não podia fechar meus olhos para uma causa tão nobre. Pesquisei a fundo e soube da Escola de Cães-Guias Helen Keller, que faz um trabalho belíssimo e tudo com o apoio de doações”, conta a fotógrafa.
Segundo ela, a sensibilização foi ainda maior, ao saber que um grande amigo ficou cego após um acidente de carro e que contava com um cão-guia treinado pela escola. “Lembro que, na ocasião, também ouvi a música Luz dos Olhos, interpretada pelo cantor Nando Reis. E foi aí que encontrei o nome do projeto e o desejo de realiza-lo só cresceu”, relembra Genevieve.

Para transformar seu projeto em realidade, ela reuniu, de forma voluntária, 12 mulheres com diferentes belezas em paisagens inusitadas para retratar os caminhos que o cão-guia percorre até guiar uma pessoa cega. Além das modelos, participaram da produção fotográfica as cadelas Clever, Havaiana e Gaya.
“Inicialmente a ideia era produzir algo acessível também aos deficientes visuais. Por isso, convidei o editor e cronista Joel Gehlen para traduzir de forma poética as imagens. Ele gentilmente participou, mas ficou inviável a impressão do projeto em braile devido ao custo muito elevado. Ainda assim, resolvemos manter as suas belas palavras no material desenvolvido, o que tornou o calendário ainda mais especial”, completa Genevieve.
O calendário ficou pronto no início deste mês e contou com a participação da GGeE Design, que foi a responsável pela diagramação do calendário.
Treinamento de cães-guias

Além de dar suporte à Escola de Cães-Guias Helen Keller, no treinamento de cães-guias, o calendário beneficente visa conscientizar sobre o papel do cão-guia para a inclusão de pessoas cegas.
Além disso, Genevieve pretende contribuir para a diminuição do preconceito a pessoas com deficiência visual, socializadores e treinadores acompanhados do animal quando, por vezes, são impedidos de entrarem ou permanecerem em lugares públicos ou privados de uso coletivo são mais objetivos.

Segundo a diretora de marketing da Helen Keller, Vanessa Amaral, o calendário é uma forma de arrecadar fundos reais, para que a escola possa seguir treinando os cães-guias. “Muitas vezes, as pessoas querem ajudar e ficam com receio, por exemplo, de se candidatar como um socializador. Acham que esse é o único meio quando, na verdade, existem diversas maneiras de nos ajudar a formar os olhos daqueles que não veem. O calendário é uma delas. É uma obra de arte produzida através da sensibilidade da Genevieve Bernardoni e do designer gráfico George Varela que a um custo acessível irá contribuir para o nosso trabalho”, explica.
A Escola de Cães-Guias Helen Keller

Segundo dados do último censo realizado pelo IBGE, o Brasil tem mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual e cerca de 500 mil cegos. Uma das ferramentas que contribui para o convívio social dessas pessoas é o cão-guia. No entanto, estimativas não oficiais apontam apenas 150 animais aptos para exercer essa função em todo o país.
O trabalho que permite com que sejam formados mais cães é realizado por instituições sem fins lucrativos como a Helen Keller. Em seus quase 20 anos de fundação, a escola já formou 23 duplas de cegos e cães-guias no Sul do País.
Em 2014 iniciou um programa genético para garantir a procedência dos cães que serão treinados para guiar e há quase dois anos inaugurou um espaço próprio que se tornou referência no país devido à sua estrutura. Com essas adaptações, a expectativa da diretoria da escola é entregar até 30 cães por ano a partir de 2021.
Para formar os cães-guias, a Helen Keller conta inicialmente com a ajuda de voluntários, que ficam responsáveis pelo processo de socialização. Essas famílias acolhedoras, como são chamadas, recebem o filhote com cerca de 45 dias e ficam com o cão por um período de 18 meses. São responsáveis por inseri-lo em sua rotina diária e levá-lo para conhecer lugares que ele frequentará com o deficiente visual posteriormente, como shoppings, restaurantes, supermercados e cinema, entre outros locais.
Durante todo o período, o corpo técnico da escola acompanha o desenvolvimento do animal e os voluntários recebem apoio financeiro para os custos de alimentação e visitas ao veterinário. Após esse período, o animal retorna para a escola e passa pelo treinamento específico que irá qualificá-lo como um cão-guia. A última etapa do processo é a adaptação com o deficiente visual cadastrado na lista de espera da escola. Passada mais essa etapa, a pessoa receberá o cão de forma gratuita. Todo o treinamento dura em média dois anos e tem um custo que varia de 35 a 50 mil reais.
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