Na equoterapia, muitas vezes, ao término da intervenção realizada no solo com o praticante e o cavalo, escutamos “você não fez equoterapia hoje?” … Mas, será que a equoterapia é só montaria?
Os profissionais de equoterapia não são monitores! São profissionais formados em áreas específicas e em equoterapia. Muitas pessoas confundem a equoterapia com passeio a cavalo ou só montaria, mas de fato a equoterapia, segundo a Associação Nacional de Equoterapia (ANDE-BRASIL), é um método terapêutico que utiliza o cavalo numa abordagem interdisciplinar, transdisciplinar e multidisciplinar nas áreas da educação, saúde e equitação, buscando melhorias biopsicossociais.
A equoterapia é apresentada por divisões: Hipoterapia (quando o equoterapeuta realiza a montaria dupla com o praticante devido ao déficit de controle cervical e/ou controle de tronco para sustentação e posicionamento nas sessões sobre o dorso do cavalo); Educação-reeducação; Pré-esportivo e esportivo. Porém, a equoterapia com atividades no solo podem serem propiciadas nas intervenções terapêuticas em âmbito global.
Equoterapia é muito mais que montaria porque é uma intervenção terapêutica com objetivos direcionados para a melhora do quadro diagnóstico da pessoa com deficiência, síndromes, distúrbios, dificuldades e/ou transtornos.
O cavalo de equoterapia não é uma máquina condicionada a proporcionar movimentos cinésioterapêuticos e sim um animal que estabelece relações de empatia, amizade, além de apresentar comportamentos auxiliando no processo de comunicação com o ser humano.
Nos afagos no cavalo sentimos o seu calor, cheiro, textura, força, contração muscular, comportamentos e estabelecemos relações… São muitas estimulações sensoriais que nos fazem bem!
Nos cuidados como escovação, higiene, banho e alimentação, conseguimos construir um vínculo com o cavalo, contudo a reabilitação como: Coordenação motora; Equilíbrio; Força muscular; Estimulações sensoriais e hormonais, ainda deixando o amigo cavalo bonito.
Precisamos ver a equoterapia numa abrangência maior de objetivos a serem alcançados.
Só montaria não é equoterapia

Se a equoterapia se justificasse apenas na montaria, porque de fato existem vários estudos e cursos na formação profissional em equoterapia e uma equipe multidisciplinar nas áreas da educação, saúde e equitação buscando avanços para o praticante através de objetivos no processo de habilitação e reabilitação…
O cavalo é um animal com um contato muito constante em nossos olhos e através desse contato e o vínculo estabelecido consegue proporcionar estimulações hormonais como a ocitocina, dopamina e serotonina, consequentemente amor, bem estar e estabilidade de humor.
Ao conduzir um cavalo num picadeiro no solo o praticante fica em contato direto com o seu amigo, sendo assim levando na sessão o animal de porte grande, força e beleza que naquele momento está confiando e estabelecendo uma relação de reciprocidade, como também estão caminhando juntos, o praticante realizando um exercício físico como a marcha, equilíbrio, noção espacial, noção temporal, lateralidade, organização, coordenação motora e ainda na companhia do seu amigo cavalo.
Alguns praticantes com diagnósticos motores quando iniciam na equoterapia apresentam medo do cavalo na montaria, não conseguindo um ajuste tônico emocional adequado para a abrangência dos objetivos, portanto o acolhimento, a aproximação e a intervenção de solo é necessária para uma adaptação do praticante.
O cavalo de equoterapia recebe treinamento necessário para a realização das sessões, como aceitação de materiais diferenciados, transposições, barulhos, movimentos alternados em seu dorso e também nas intervenções de solo.
O equoterapeuta não fará uma abordagem de solo por fazer, mas porque percebeu que naquela sessão ou momento de sessão foi necessária a intervenção.
A perspectativa da família para a montaria no cavalo é constante, porém precisa compreender um pouco mais sobre a equoterapia e a importância da abordagem no solo entre o cavalo e o praticante.
Conheça o cavalo de equoterapia
Não é só na montaria que o praticante de equoterapia conhece o seu cavalo, porque para conhecer realmente o cavalo que é montado se faz necessário conhecer todo o seu contexto e sua história. Sua cocheira, sua alimentação, seu temperamento, seu trato, sua saúde, o que ele gosta ou não gosta e por fim como posso estabelecer uma melhor relação com este animal de reciprocidade e confiança múltipla…
O praticante não frequenta a equoterapia porque somente gosta de montar o seu cavalo, mas de fato porque gosta do seu cavalo. Mais adiante a família também constrói um grande apreço pelo animal.
O cavalo precisa ser respeitado na quantidade de sessões de equoterapia que exerce em seu dia e no peso em seu dorso que é de aproximadamente 20% do seu peso. Sobrecarregar o animal pode trazer lesões futuras, quadro álgico, claudicações. Respeitar o animal é fundamental!
Confira alguns objetivos que conseguimos alcançar na equoterapia de solo:
1. Coordenação motora grossa e fina;
2. Estimulação sensorial;
3. Organização;
4. Equilíbrio;
5. Estabilidade de humor;
6. Sensação de bem estar;
7. Força muscular;
8. Noção espacial;
9. Respiração;
10. Diminuição da ansiedade;
11. Interação;
12. Socialização;
13. Lateralidade;
14. Comunicação;
15. Marcha, entre outros.
