Os centros de equoterapia e o autismo

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Muitos centros de equoterapia têm tido uma procura constante para os atendimentos em intervenção terapêutica de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Antigamente as procuras pelo tratamento eram voltadas, na maioria das vezes, para as pessoas com deficiência física, intelectual e síndromes, como a síndrome de Down, porém, hoje, a demanda de grande procura se estende para o autismo devido ao aumento dos diagnósticos atuais.

Existem várias lacunas de compreensão, estudo e busca sobre a quantidade de diagnósticos laudados recentemente de TEAs no Brasil e em outros países, se estendendo a ampliação de metodologias e adaptações nas clínicas, e na equoterapia para os tratamentos, inclusive com discussões no rol taxativo dos planos de saúde. As famílias têm procurado respostas e se unindo em busca de tratamentos, atendimentos e recursos para assistir os autistas com qualidade.

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O autismo

O autismo foi reconhecido como modalidade de deficiência, embora seja um transtorno, podendo ter associações com outras deficiências concomitantemente, quadro convulsivo, entre outras, ou apenas em características do transtorno, seja leve ou severo.

Com características peculiares, os autistas podem apresentar: estereotipias vocálicas e motoras, dificuldades sensoriais, na interação, na socialização, em comunicação, organizações, coordenação motora, no equilíbrio, atenção, na aceitação das regras de conduta ou mudanças de rotina.

Por questões sensoriais podem andar nas pontas dos pés desenvolvendo encurtamento no Tendão de Aquiles, por seletividade alimentar – flacidez muscular, má postura – desvios na coluna. Entre outras características com associações.

A equoterapia auxilia o TEA em vários objetivos como: interação, socialização, organização, estimulação sensorial, diminuição da ansiedade, noção temporal, comunicação, equilíbrio, coordenação motora grossa e fina, postura, consciência corporal, regras de conduta, entre outros objetivos.

Ressaltando que cada caso é único e exclusivo, e avaliado para a inserção na equoterapia.

No começo alguns praticantes com autismo entram em desordem sensorial quando em montaria no cavalo devido ao excesso de estimulação sensorial como o cheiro, pêlo do cavalo, vento, areia, luminosidade, regra de ter que ficar montado no cavalo por um período, movimento do animal, e alguns outros fatores. Nesse caso a família precisa ser parceira, ter paciência e compreender o processo, respeitando o momento de cada TEA no desenvolvimento de cada atendimento.

A parte do solo na equoterapia para o praticante com autismo é importante e faz parte do processo de adaptação e organização na equoterapia, inclusive da alimentação do animal preparada pelo assistido na intervenção terapêutica, pois auxilia no processo da construção das relações com o cavalo, organizações, responsabilidades, afetividade com o animal, e estimulação sensorial e alimentar.

Vale ressaltar a importância da triagem e avaliação, pois nos casos de autoagressão e heteroagressão precisam de cuidado e segurança durante os atendimentos. A segurança faz parte da ética e bioética na equoterapia. A agressividade pode ser uma contraindicação para o atendimento.

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Eliane Baatsch
Eliane Baatsch
Coordenadora da Hípica Santa Terezinha, do Centro Municipal de Equoterapia de Barueri e de Osasco, Coordenadora do Paraequestre da NBHA BRAZIL, Ex-Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Carapicuíba, técnica do Paratleta Murilo Carleto do Paraequestre da NBHA BRAZIL e Paratambor da ABQM, Mestre em Ciências da Educação e autora do livro 'Equoterapia na inclusão escolar'.

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