Por: Zilanda Souza
Quando compramos o primeiro computador para as nossas casas não imaginamos que chegaríamos onde chegamos. Eu fiz processamento de dados, por influência do meu pai, nos anos 1990. Naquela época, todos acreditavam que a tecnologia era o fim certeiro para todas as profissões e tem sido assim. Mas não imaginávamos que entre as conexões da rede, nós também estaríamos no meio de uma guerra. Nós e os nossos filhos. Hoje eu quero falar sobre como livrar bons adolescentes das fake news.
Pensamos no melhor, mas hoje temos um grande problema para refletir, debater e agir. As redes sociais viraram palco de disseminação de notícias falsas, preconceitos e calúnias sem nenhum pudor. E o pior de tudo é que nossos filhos estão no meio dessas ‘balas perdidas’.
Estão se desenvolvendo nesse campo de batalha, onde a grande maioria passa horas conectado, exposto à munição pesada. Temos bons adolescentes, mas não temos bons conteúdos nas redes sociais. Me submeti a uma observação silenciosa, anotei o teor dos compartilhamentos e consegui adquirir uma baita dor de cabeça. A situação é grave.
Em poucas horas já era possível contabilizar uma desembargadora compartilhando notícia falsa, com intento partidário; um médico disseminando a falência do trabalho dos professores, com a veemência de quem elaborou uma tese para fazer tal afirmação, mas não passava de um argumento irresponsável; uma professora também compartilhando notícias falsas e com teor preconceituoso. Essa é apenas uma mostra dos tiros impulsivos, irresponsáveis que povoam a rede, os olhos e os ouvidos dos nossos filhos.
Essas pessoas, bem formadas que estão nas redes sociais deveriam nos trazer o descanso da boa informação e dos bons textos. Elas deveriam contribuir com boas referências de conduta. Mas não é isso que temos não. Há uma escassez de boas referências e bons exemplos na internet. Nossos adolescentes estão expostos a má fé, ao interesse próprio, desmedido, irresponsável e muitas vezes corrupto de adultos. E isso muda o jogo.
O último acontecimento que ‘fechou o caixão’ da dignidade da internet, a morte da vereadora Marielle Franco foi alvo inescrupuloso de mais duas mil produções de notícias falsas e adultos, ditos ‘do bem’, compartilharam o conteúdo sem nenhum comedimento.
Essa brincadeira ficou séria e nossos adolescentes agora têm o marketing das contas fake, da edição criminosa de fotos e manchetes, como ferramenta para divulgar o próprio desejo e manipulação de interesses. Eles têm bons professores nas redes sociais com formação acadêmica invejável.
Mas, o que fazer então? Não dá para fugir do campo de batalha, mas é possível fazer oposição ao movimento da fake news.
Confira 10 dicas para livrar nossos bons adolescentes das fake news!
- Participe das mesmas redes sociais que os seus filhos;
- Mantenha a atenção positiva, verifique os interesses, quais contas eles seguem e o que andam compartilhando;
- Rastreie junto com o seu filho contas fakes na lista de amigos;
- Abra a discussão sobre a produção de notícias falsas, calúnia e difamação. Converse sobre as leis que tentam regulamentar o conteúdo da internet;
- Prepare-se para ouvir do seu filho, que o professor dele, aquele médico, o pastor da igreja ou a desembargadora (que deveriam ser exemplos) estão compartilhando e disseminando conteúdo falso. Não tente usar panos quentes. Mostre ao seu filho que há uma escassez de boas referências a serem seguidas na internet e que, na dúvida, é bom pesquisar melhor o conteúdo e trazer para a mesa do jantar, antes de se envolver em encrencas;
- Encoraje seu filho a usar a internet como cidadão. Assim como ele usa o transporte público, o trânsito e a escola. Sempre com cuidado e respeito. Na escola ele não inventa histórias sobre os colegas, então não deve compartilhar notícias falsas na internet;
- Promova novos rastreios junto com o seu adolescente periodicamente. Nunca se sabe quando um novo disparo criminoso tentará contra eles;
- Mantenha a atenção positiva. Não abandone seu filho neste campo de batalha;
- Não impeça que seu filho emita a opinião dele. Devemos prezar pela liberdade de expressão e devemos fazê-la nas redes sociais;
- Concentre-se em educar seu filho para o respeito, para a ética e para a verdade nas redes sociais.
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