PUBLICIDADE
InícioDestaquesOrganizações lançam mapeamento inédito sobre a dislexia no Brasil

Organizações lançam mapeamento inédito sobre a dislexia no Brasil

Entre os dias 4 e 11 de outubro de 2021 foi celebrada a 11ª edição da Semana da Dislexia. Para comemorar a data, o Instituto ABCD conduziu um estudo inédito sobre a dislexia no Brasil, em parceria com a Cisco e o Instituto IT Mídia

O documento reúne dados sobre as dificuldades de acesso ao diagnóstico e o custo emocional e financeiro que a dislexia, transtorno que atinge cerca de 10 milhões de brasileiros, gera na vida de pessoas com dislexia e de seus familiares. 

PUBLICIDADE

Segundo dados apresentados no estudo, para 80% das famílias, a dislexia tem um impacto emocional negativo na vida de seus filhos e, durante a pandemia, as dificuldades de acesso aos serviços de saúde para diagnóstico e tratamento aumentaram, enquanto 85% delas revelaram não ter recebido orientações no período.

A dislexia no Brasil 

O relatório reuniu 304 participantes de 20 estados brasileiros e apontou barreiras no diagnóstico como, por exemplo, a identificação tardia do problema, feita por volta dos 8,6 anos, quando o ideal seria entre os seis e sete anos. 

Os desgastes com o deslocamento e a procura pelos profissionais adequados para identificar o transtorno são outros pontos negativos apontados pelo documento. “Para realizar a avaliação, 34% das famílias precisaram se deslocar de sua cidade natal para outro ponto e ainda, 30% das crianças foram direcionadas a mais de cinco especialistas para chegar ao diagnóstico final, o que gera desgaste emocional e alto custo. Considerando a realidade da maioria dos municípios brasileiros, o diagnóstico deveria ser realizado com o apoio de até três profissionais”, conclui Juliana Amorina, diretora-presidente do Instituto ABCD. 

Com uma carência de materiais realmente acessíveis para que os familiares compreendam o que é a dislexia e como ajudar crianças disléxicas a aprender, ausência de profissionais preparados para lidar com a questão e falta de amparo aos pais no processo da busca pelo diagnóstico, os disléxicos enfrentam desafios em todo o país. “A pesquisa é fundamental para apoiar o Instituto na luta por políticas públicas e por um atendimento adequado para quem busca ou recebe o diagnóstico” defende Juliana.  

O impacto financeiro da dislexia 

O custo financeiro também pesa no orçamento. De acordo com a pesquisa, o custo médio da avaliação para a dislexia pode chegar a mil reais. Entretanto, 47% das famílias revelaram que gastaram o dobro somente na fase de diagnóstico, cuja despesa atingiu 2 mil reais. 

O acompanhamento segue o mesmo ritmo: 62% das famílias entrevistadas investem mais de 800 reais por mês em atendimentos especializados e como o gasto é elevado, o acompanhamento está diretamente ligado à renda familiar: das famílias que não conseguem arcar com essa despesa, cerca de 40% têm renda média de 2 mil reais.

Pandemia e desempenho escolar

Durante a pandemia a situação que já não era favorável se agravou mais: a pesquisa revela que 78,8% das famílias não receberam orientações neste período para realizar as adaptações necessárias. 

Na rotina escolar, a falta de apoio foi protagonista: mais de 59% dos respondentes, com renda média de 2 mil reais, afirmam que não houve adaptação pedagógica durante a pandemia. Para 45% dos entrevistados, a escola foi considerada ruim ou péssima nessa fase. 

“A pandemia escancarou as desigualdades no acesso à inclusão escolar. Alunos com dislexia que já apresentam maior vulnerabilidade na aprendizagem ficaram sem adaptações necessárias por mais de um ano. Precisamos planejar com urgência o reforço escolar para essas crianças e adolescentes”, avalia Juliana Amorina. 

Tecnologia como aliada 

Aliada da criança com dislexia, a tecnologia foi recomendada a 43% das famílias após o diagnóstico como recurso para desenvolver a leitura. Entretanto, apenas 2,2% relataram que a orientação foi feita pela equipe pedagógica, demonstrando que os educadores precisam de apoio para incluir alunos com dislexia.

Na luta para vencer essa batalha, Juliana anuncia inovações para o EduEdu, aplicativo gratuito de alfabetização e reforço escolar com soluções tecnológicas acessíveis, desenvolvido pelo Instituto ABCD. A versão atualizada contará com uma área de triagem capaz de identificar possíveis sinais de dislexia. 

Confira 10 mitos e verdades sobre a dislexia

Você sabe o que é dislexia? 

Um transtorno específico da aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente das palavras e pela baixa habilidade de decodificação, a dislexia atinge hoje cerca de 5% da população brasileira.

As dificuldades geralmente derivam de um déficit no componente fonológico da linguagem, muitas vezes surpreendente quando comparado a outras habilidades cognitivas do indivíduo e às suas oportunidades educacionais. 

“Consequências secundárias podem incluir dificuldades na compreensão de texto e pouca experiência de leitura, podendo impedir o desenvolvimento do vocabulário e do conhecimento geral”, avalia Julia Braga, psicóloga com mestrado em educação inclusiva e gestora de educação do Instituto ABCD, organização social com o propósito de promover e disseminar projetos que impactem positivamente a vida de pessoas com dislexia.

O acesso ao diagnóstico é fundamental, pois quanto mais tardio maiores o impacto na aprendizagem e, com frequência, consequências emocionais. A avaliação geralmente é feita por equipe multidisciplinar, composta por psicólogo, fonoaudiólogo e médico (pediatra, neuropediatra, neurologista e/ou psiquiatra. 

A vantagem da equipe multidisciplinar é garantir uma avaliação integral, em que cada profissional contribui com entendimentos e olhares específicos de sua área de conhecimento. Para que a avaliação multidisciplinar funcione, é fundamental que a equipe se reúna e compartilhe os resultados das avaliações especializadas, chegando a uma conclusão representativa das áreas investigadas.

Nos adultos, a dislexia continua afetando a habilidade de ler e escrever corretamente do indivíduo. Sintomas comuns incluem erros ortográficos e dificuldades de leitura.Para saber mais, acesse o site do Instituto ABCD.

PUBLICIDADE
Juliana Reis
Juliana Reishttps://www.portalacesse.com.br/
Jornalista, com mais de 20 anos de atuação, 13 deles atuando em projetos editoriais no segmento de acessibilidade e inclusão. Co-fundadora do Portal Acesse e da Ludik, agência de comunicação especializada em soluções inteligentes para auxiliar empresas que queiram promover uma comunicação para todos.
VEJA TAMBÉM

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

PUBLICIDADE

SIGA O PORTAL ACESSE

3,380FãsCurtir
10,253SeguidoresSeguir
71SeguidoresSeguir
4,633SeguidoresSeguir
11InscritosInscrever

DESTAQUES

PUBLICIDADE

MAIS ACESSADAS

PUBLICIDADE