O otimismo não é tema mas é resultado da exibição Acess+Ability no Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum, em Nova Iorque. Fui conferir a mostra, que exalta dezenas de inovações em acessibilidade, especialmente para o Portal Acesse e tive a oportunidade de ver os 70 produtos desenvolvidos, na última década, para atender as necessidades de pessoas com deficiências físicas, cognitivas e sensoriais.
Confira algumas das inovações em acessibilidade

A técnica do desenho de um cachorro deitado na exposição envolve muito mais do que caneta e papel. A autora, Emilie Gossiaux perdeu a visão depois de ter sido atingida por um caminhão ao andar de bicicleta. O museu exalta o desenho e a tecnologia que facilitou sua arte: um aparelho auxiliar de visão chamado Brainport que ajuda Emilie a perceber o contraste entre luz e escuridão traduzindo formas em vibrações que o usuário sente por meio de um aparelho na língua.

A melhora no traço de Emma Lawton também é revelada. Diagnosticada com Parkinsons, aos 29 anos de idade, ela empresta o nome para o dispositivo que a auxilia. O Relógio Emma emite uma vibração que estabiliza o pulso do usuário. O efeito do aparelho, desenvolvido pela Microsoft, é demonstado em dois bilhetes escritos por Emma com e sem o auxílio do dispositivo: “Não vai ser perfeito… Mas, meu Deus, é melhor.”
Acessibilidade na moda

A mostra exemplifica como os consumidores com deficiência reagem quando o design não acompanha o gosto deles. Matthew Walzer tinha dificuldades para colocar e amarrar os sapatos por causa de paralisia cerebral.
O adolescente queria usar calçados estilosos ao entrar na faculdade e escreveu para a Nike reclamando. A empresa respondeu criando uma linha de tênis chamada FlyEase (Voe Fácil, em tradução livre). O velcro no lugar dos cadarços e a trazeira fechada com um zipper foram a solução para Matthew.
Os tênis são vendidos no país inteiro, sem especificação de que foram criados a pedido de um usuário com necessidades específicas.
E essa parece ser uma tendência exposta no Cooper Hewitt: a Tommy Hilfinger comercializa camisas com imãs atrás dos botões e a rede de supermercados Target tem jaquetas que podem ser fechadas com velcro embaixo dos braços.

Outros exemplos de como a moda tem tudo a ver com acessibilidade são as aparelhos auditivos cobertos com cristais Swarovski e as próteses de pernas cheias de estilo produzidas pela Alleles.
Acessibilidade na comunicação

As invenções para facilitar a vida dos clientes com deficiência beneficiam a todos. Esse é o caso do aplicativo para celulares AcessNow, criado por Maayan Ziv. Ela, que tem distrofia muscular e é cadeirante, não encontrava informações sobre acessibilidade urbana, especialmente em prédios e calçadas. O AcessNow permite que qualquer pessoa informe sobre a acessibilidade de locais públicos e edfícios. A informação é tão útil para Maayan como para qualquer um que esteja empurrando um carrinho de bebê.
A tecnologia avança à medida em que designers percebem que todo mundo terá alguma necessidade específica em algum momento da vida, seja em mobilidade ao quebrar uma perna ou na cognição com o avanço da idade.
Dois protótipos futuristas expostos na mosta em Nova Iorque apontam para um futuro mais inclusivo. O protótipo de um traje que alinha motores e baterias aos grupos musculares parece ser vestuário de um filme de ficção científica.
Mas investidores que já apostaram mais de 10 milhões de dólares na Superflex Aura Powered Suit levam a ideia a sério. Já a SoundShirt traduz a experiência de ouvir música para quem tem deficiência audição, por meio de 16 sensores, que correspondem a cada parte de uma orquestra (percusão, cordas…), fazendo com que a música seja sentida através de impulsos elétricos.

A percepção das pessoas com deficiência também é tema dos designers. Uma campanha busca modificar o tradicional símbolo de acessibilidade substituindo a figura sentada em uma cadeira de rodas sobre um fundo azul.
No novo ícone, o cadeirante com o torso inclinado para frente e o braço esticado indicam movimento e ação ao invés da passividade criticada no desenho anterior.
Não que quem visite a Acess+Ability (literalmente, Acesso+Habilidade) precise mudar de prespectiva. A exposição, que fica em cartaz até o dia 3 de setembro, toma conta de provar que pessoas com deficiência prometem impulsionar a vanguarda do design!
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Materia super bem feita e com
Otimo conteudo. Por mais jornalistas assim.