O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, é uma data memorável, carregada de reflexões, atos políticos, lutas, abusos e conquistas, dores e alegrias, transformações e feridas emocionais das mais diversas formas e intensidades que escrevem com sangue, poesia e música a trajetória feminina ao longo da história da humanidade.
Usei o tempo presente no verbo ‘escrever’, porque sim, ainda hoje vemos atrocidades terríveis e inaceitáveis ocorrerem em diferentes partes do mundo e não há como vendarmos nossos olhos para a realidade.
Considerando que neste espaço escrevo sobre educação afetiva e inclusão, me reservo o direito de salientar a FORÇA e o PODER de transformação que habita o feminino, e que obviamente, já é político por si só, já que forma e guia saberes e gente pela estrada da existência.
Fato é que a mulher é essencial à própria vida, ainda que dependa da contribuição do homem, reservando aqui toda a importância que há nele, para gerar um ser humano, é ela quem acolhe, abriga e nutre a vida em seu ventre até que seja a hora de se deparar com o mundo aqui do lado de fora.
E que coisa indescritível é essa fusão emocional tão potente que acontece entre mãe e filho, e claro, é regada pelo amor, entrega, aceitação, descobertas diárias, respeito e total empatia por quem está ali, sendo alimentado com o seu leite, suas emoções, desejos e pensamentos.
Laura Guttman aborda com muita propriedade esse tema em seus livros, e considera que no maternar esse processo de fusão seja inerente, como se fosse quase impossível separar a mãe do seu filho. Particularmente acredito muito nisso, então fica a dica de leitura que vale a pena!
Portanto, fico muito feliz quando vejo que no mundo moderno, pelo menos nas sociedades mais avançadas, inteligentes e de fato livres, a MULHER tem seu direito de amamentar preservado, tanto como de cuidar do seu bebê nos primeiros meses de vida, até que encontre possibilidades e recursos para delegar algumas tarefas a uma rede de apoio, se este for seu desejo ou necessidade. Tanto assim, me aquece o coração ver que em alguns lugares do mundo, a jornada de trabalho da MULHER é flexibilizada durante os primeiros anos de vida do seu filho, a fim de que possa dedicar-se aos cuidados fundamentais e intransferíveis de mãe. Que perfeito seria se assim fosse em todo o planeta, não é?
E pensando nesse contexto, mas retornando para a triste realidade que ainda vivemos no Brasil, no qual a MULHER ainda não tem seus direitos tão preservados assim, tanto que ainda vemos grandes disparidades nas oportunidades no mercado de trabalho; nem tampouco é respeitada e valorizada nos mais diversos aspectos da performance feminina, já que é comum a violência doméstica em diferentes formas de abuso, tanto como a prostituição infantil e o tráfego de crianças, a mortalidade infantil e que SIMMM, são violências à mulher porque ela é MÃE, entre outras coisas, um sistema muito falho quanto a estrutura digna de recursos para mães e MULHERES cuidarem dos seus filhos, especialmente quando apresentam quaisquer peculiaridades de atenção à saúde ou têm uma deficiência.
Então, quero falar dessas MULHERES EXTRAORDINÁRIAS que diariamente escrevem histórias brilhantes em seus lares e existem aos milhares espalhadas pelos diferentes lugares do planeta e nas mais diversas condições. Quero falar das mulheres de fibra e coragem que engolem seu cansaço, suas dores e medos e trabalham incansavelmente nas lavouras nos confins do Nordeste brasileiro ou nas aldeias africanas e tantos outros lugares esquecidos por aí e, que além do árduo ofício que executam, carregam por horas sem fim seus bebês em seu sling improvisado ou seus ventres devastados.
Quero falar das MULHERES EXTRAORDINÁRIAS que abrem mão, todos os dias, das suas carreiras profissionais, do seu estudo, muitas até mesmo das suas relações afetivas ou amizades, da sua vida social, seu tailleur, seu vestido, saltos altos, batons vermelhos, cabelos e unhas impecáveis, para usar jeans ou leagging com camiseta básica, tênis e cabelos presos, muitas vezes, sem o tempo necessário e merecido para o autocuidado, para o banho demorado, porque acolher e atender as necessidades das suas crianças típicas e atípicas é prioridade. Isso é ser brilhante!!!
“É nesse comportamento empático, gentil, respeitoso, acolhedor e de entrega total ao servir e cuidar que habita o PODER e a FORÇA da MULHER.
Quando olhamos para o outro lado do muro e somos REDE de APOIO para outra MULHER. Quando nos desapegamos da necessidade cruel do status e dos estereótipos enganosos que a sociedade nos impõe e somos plenas, intensas, verdadeiras e leais à nossa essência e à dignidade humana. Quando escolhemos cuidar dos nossos filhos ao invés de entregá-los à própria sorte porque temos consciência de que ninguém lhes compreenderá ou aceitará como nós.
E quando amamos um filho, o nosso lado MULHER entra em plenitude total! É nesse momento que compreendemos “quem realmente somos” e a que viemos à vida, porque a nossa cria é um pedaço da gente no mundo. Talvez, o pedaço mais preciso e glorioso, porque é através dele que acessamos a potência que habita em nós. Somos maternais! Faz sentido?
Pensando nessa essência feminina, me reporto a história das mulheres da minha família, seus comportamentos, emoções, palavras, gestos… O quanto delas há em mim! Você já parou para pensar sobre isso? Ser MULHER é ter um legado fantástico nas mãos! A possibilidade de ver muito além do que os olhos alcançam, acolher, amar, acessar, fundir, compreender, conectar…
Quantas vezes você estava encostada no berço da sua criança antes mesmo dela chorar? Quantas vezes você acordou no meio da madrugada e foi até a sua criança e ao fazer-lhe um carinho notou que estava com febre? Quantas vezes ligou para uma amiga e ao ouvir a sua voz ela desabou a chorar? Quantas vezes encontrou alguém pela estrada da vida e lhe deu um abraço silencioso, verdadeiro e das lágrimas viu nascer um sorriso de gratidão? Quantas vezes você pensou em desistir e uma MULHER olhos nos seus olhos e sorriu? Quantas vezes viu um pet abandonado na rua e quis levar para casa? Quantas vezes chorou ou silenciou suas dores e a imagem de uma MULHER importante na sua jornada lhe veio à mente e tudo ficou bem?
“É nesse modelo de MULHER REAL E EXTRAORDINÁRIA que eu acredito!
É este modelo de gente que desejo para o mundo e é nesse referencial de pessoa que aposto todas as minhas fichas para construirmos uma sociedade mais amorosa, gentil e respeitosa. Sim, somos brilhantes e foi no colo das nossas mães, madrinhas, avós ou outras mulheres que aprendemos a ser MULHERES. Então, honre os princípios e valores aprendidos. Celebre as conquistas e avanços. Erga seus olhos, abra um sorriso, ainda que entre lágrimas e acolha em seu colo todo aquele que precise ser aceito, amado e conduzido. A verdade habita dentro de VOCÊ! As respostas estão borbulhando dentro de VOCÊ! Experimente…
Levante a cabeça agora mesmo e fique diante de um espelho.
Quem VOCÊ vê refletida? É nesta mulher que VOCÊ deve acreditar e seguir!!!! Ela é gloriosa!
E ser EXTRAORDINÁRIA é ser REAL!!! Seja VOCÊ! Isso basta!
Com amor e gratidão,
