A infância real

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Hoje quero falar sobre o poder genuíno e intransferível que a infância tem na trajetória de vida de uma pessoa. Refletir sobre as preciosidades dessa fase do desenvolvimento tão importante e necessária para que todo o resto da caminhada faça ou não, sentido. 

Falar de uma infância menos idealizada, mais concreta e potente nas suas alegrias, tristezas, desafios, encantamentos e sofrimentos.

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Refletir sobre a base de toda a história pessoal de um indivíduo que começa lá no ventre materno e traz memórias emocionais que, ainda que sejam inconscientes, perduram durante todo o seu percurso de vida e direcionam as ações e o sentir das pessoas a partir dos padrões recebidos. 

O período do desenvolvimento humano mais potente e carregado de evoluções físicas, emocionais, psicológicas e espirituais que se manifestam com disponibilidade cognitiva e sensorial para transcender quaisquer limitações desde que as suas potencialidades sejam valorizadas e estimuladas.

Pensar na infância é também refletir sobre a importância de pais e educadores escolherem com amor e responsabilidade as sementes que nutrem as mentes e corações das crianças que se inspiram nos seus modelos comportamentais e emocionais.  

Hoje, permito me alegrar com as infinitas possibilidades que os avanços científicos e as neurociências abriram ao longo das últimas décadas, para que pais e educadores compreendam, cada vez mais e melhor, as crianças. E assim, acessem saberes e recursos nobres para substituir castigos, punições e autoritarismo por diálogo, firmeza, conexão e autoridade na conduta educativa.  

A infância é a conexão direta com virtudes primorosas como bondade, verdade, coragem, amor e amizade! 

E por acreditar nisso, hoje também me permito mergulhar em lágrimas que transbordam a dor e o pesar que sinto pelos maus tratos, gritos, humilhações, desamparo, vulnerabilidade, permissividade, abusos e intolerância que milhares de crianças ainda vivem, na maioria das vezes, dentro das suas próprias casas, casebres, palafitas, ruinas e castelos blindados com as superficialidades ou não, do mundo contemporâneo. 

Contradições estas que distorcem, descaradamente, a relação entre o SER, o TER e o PODER.

Pais e educadores podem o que quiserem, aliás, qualquer pessoa pode. Mas será que poder é dever? 

Pais e educadores podem o que quiserem, aliás, qualquer pessoa pode. Mas será que poder é dever?  para uma criança que precisa brincar, pisar na terra, se lambuzar de areia, chocolate e sopa; explorar as formas, texturas, as cores, os aromas e sabores é de fato, o que se deve fazer? 

Será que ao invés de investir no tempo de qualidade com os filhos que exigem disponibilidade emocional, deve-se passar horas do dia mergulhada(o) nas Redes Sociais que manipulam, robotizam e limitam a capacidade cognitiva, as emoções, os pensamentos, ações e interações, além de afastar as pessoas daquilo de talvez faça mais sentido em suas vidas?

Será que ao invés de cantigas de roda, alegria, poesia, gargalhadas, perguntas e canções de ninar educadores devem priorizar suas carências afetivas e deixar rolar à vontade em suas casas o consumo de telas com suas programações violentas, vocabulários e comportamentos inadequados que, de algum modo, nutrem a mente das crianças também?

Educar é um grande desafio! Ouso dizer que o mais intrigante e extraordinário da história de qualquer pessoa. Tanto é que pais e mães ao serem perguntados sobre o que de fato faz sentido em suas vidas, geralmente respondem: os filhos. E se a pergunta é direcionada aos educadores, geralmente a resposta é: os alunos.

Ora, ora, ora, quanta contradição!

Formar uma criança para viver o seu propósito neste planeta requer desejo para conduzi-la com disponibilidade, criatividade, bondade, humildade, sabedoria para perceber e aceitar que somos bons educadores, fazemos o melhor que podemos, mas ainda assim, precisamos ser IMPARÁVEIS no desejo de estudar para ser de fato a potência máxima para os nossos amores. Todos merecemos uma sociedade melhor. 

Então, o que nos impede de ser quem nascemos para ser? Se olharmos com amorosidade para a nossa história de vida, para a nossa infância, muitas vezes perdida para as dores e traumas que carregamos, certamente entenderemos que, em muitos momentos, elas nos impedem de ser a mãe, o pai e os educadores que as nossas crianças realmente merecem.

A infância real está bem diante dos seus olhos e dos meus. E ela clama por cuidados afetivos e um acolhimento que vai muito além dos presentes, das escolas mais caras, dos shoppings, dos excessos em todos os sentidos que vemos, bem debaixo do nosso nariz, levar crianças, cada vez mais cedo, para as intervenções terapêuticas longínquas, para a tristeza, a depressão e o desencanto com a existência.

Nesta semana das crianças, tenho certeza que as Redes Sociais estarão turbinadas de fotos, mensagens, meias verdades sobre a relação idealizada entre pais e filhos. Mas não é sobre o outro e o que ele pensa, sabe? 

É sobre o que você vive no dia a dia, na intimidade, quando não há plateia para contemplar a força da sua presença na formação dos seus filhos. Tanto é, a realidade da vida sofrida do lado de fora e sim, dentro da maioria dos lares do planeta. Reflita!!!

A realidade cruel da contemporaneidade exige que assumamos a responsabilidade de conduzir nossos filhos com amor, perdão, diálogo, gratidão, gentileza, empatia, firmeza, respeito, verdade, bondade e PRESENÇA. Simmmm, elas sabem mais sobre a vida do que podemos imaginar! Ouça o que as crianças têm a dizer! 

Seja presente diariamente porque as datas comemorativas são apenas convites para reflexão e ação.

Mas todos os dias foram feitos para amar e acolher as nossas crianças. 

Faz sentido para você? Vamos juntos?

É preciso cuidar das pessoas para transformar o mundo. Comece por você! 

Com amor, 
Roberta Borges

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Roberta Borges
Roberta Borges
Roberta Borges é mãe e esposa. Pedagoga, psicopedagoga clínica, especialista em desenvolvimento humano e empreendedora. Idealizadora da Cuidandodegente, voltada para acolher famílias que buscam relações inteligentes e saudáveis na Educação Consciente. É também Presidente do Instituto Árion de Equoterapia e Desenvolvimento Humano.

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