O nosso amor ao filho com Down

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Logo depois que nosso filho com Down nasce é comum o medo e a apreensão tomarem conta de nós. Rapidamente esse medo e apreensão vão se transformando num amor forte e incondicional.

Nosso amor vai crescendo, crescendo, queremos amar e proteger de todas as formas possíveis. Queremos beijar e abraçar o tempo todo, queremos cercá-lo de muito carinho, e queremos ele sempre ao nosso lado. Como é gostoso amá-lo, começamos a perceber que esse é o filho ideal, só irá dar e receber carinho, será nosso eterno amigo e companheiro.

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Então, começamos a pensar no mundo que nos cerca, nas dificuldades que ele irá enfrentar, e junto com o amor começamos a cercar nosso filho de todo tipo de mimo e proteção possível.

Nosso amor, carinho e proteção a cada dia aumenta mais. Não gostamos que ele sofra com a educação familiar e assim não nos preocupamos em exigir que ele se comporte adequadamente, e dessa forma, aos poucos, começamos a deixar de nos preocupar com sua independência e autonomia.

Nesse momento temos que avaliar as nossas ações relacionadas ao nosso amor. Amar nossos filhos com Down é muito bom, mas precisamos pensar muito mais além de nós e dos nossos sentimentos.

Não podemos deixar que nossa proteção excessiva o torne um indivíduo sem autonomia, sem independência, com medos e inseguranças. Nesse momento, não podemos ser egoístas, temos que pensar nele, no seu direito sagrado de ser uma pessoa completa, devemos permitir que ele tenha a oportunidade de viver e sentir todas as emoções que uma vida plena possa lhe oferecer.

Temos que pensar em nosso filho com Down como ‘pessoa’, como um ‘ser humano’. Pensar na sua vida, nas suas necessidades pessoais, na sua individualidade. E principalmente temos que pensar no seu futuro e na sua felicidade.

Muito importante também é não confundir amor com resignação, temos que lembrar que ele necessita de atenções especiais, temos a obrigação de oferecer todas as oportunidades possíveis.

Especialistas comportamentais e psicólogos avaliam que a maioria dos comportamentos inadequados que as pessoas com Down apresentam não tem nenhuma ligação com a T21, em geral são provenientes da cultura e educação familiar.

Com o tempo, nosso filho com Down começa a crescer, de bebê logo fica criança, adolescente, jovem, cresce e vira um adulto. Quando ainda criança já poderemos começar a observar alguns comportamentos que até podem parecer normal para a T21, mas na realidade nada tem a ver com ela, e então passamos a ficar preocupados. 

Ele não quer sair do nosso lado, não consegue falar corretamente, não gosta de realizar sozinho atividades normais como se vestir, tomar banho, etc… Não toma iniciativas próprias, não quer ir na escola, não se sente à vontade com outras crianças e não gosta de conversar com outras pessoas, mas mesmo assim achamos que isso é normal, e que é coisa dele, e assim a vida segue.

Quando adolescente, começa a ficar mais difícil. Ele não consegue se alfabetizar, não consegue se relacionar com outras jovens da sua idade, não consegue realizar sozinho diversas atividades rotineiras, atividades normais para a sua idade, e o pior de tudo, começara a apresentar problemas emocionais e psicológicos.

Ao iniciar a juventude e idade adulta, por falta da educação familiar, da dificuldade de comunicação e da falta de socialização ele começa a ficar isolado, e esse isolamento começa a gerar dificuldades e consequências negativas para ele. 

Quando nossos filhos com Down são pequenos adoramos abraçá-los, beijá-los, achamos tudo bonitinho, não temos coragem de exigir nada dele, mas é importante lembrar que com o passar do tempo a vida será muito exigente para ele, é nesse momento que perceberemos que temos que ser fortes e não permitir que nosso excesso de amor e carinho impeçam ele de se tornar autônomo e independente.

Amar, acima de tudo, deve ser respeitá-lo como ser humano com suas individualidades e necessidades. Devemos permitir que ele consiga ter sua própria vida. Nunca deixe de amar seu filho com Down, mas não permita que esse amor venha sufocá-lo, impedindo-o de ser plenamente feliz.

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Tomás André Santos
Tomás André Santos
Marido da Célia e pai de três filhos, sendo que a do meio é Down. Desde jovem atua em causas sociais e há quase 40 anos, atua principalmente nas questões ligadas a síndrome de Down. Foi presidente da Apae de Itapetininga, administrador da Santa Casa de Salto de Pirapora, diretor da Casa Aurea de Velhinhos de Salto de Pirapora e, desde 2003, é membro do Conselho de Administração do Gpaci - Hospital do Câncer Infantil de Sorocaba. Fundador e dirigente da Comunidade Felicidade Down de Sorocaba, desde 2006.

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