Digo e repito milhares de vezes… se o risco é maior que o benefício, não é equoterapia!
Os centros de equoterapia recebem cotidianamente diversas famílias e praticantes buscando a equoterapia como intervenção terapêutica, mas a equoterapia também tem restrições para a sua efetivação.
Equoterapia é uma intervenção terapêutica através ou não da montaria no cavalo, buscando evoluções na cognição, motora, comportamental e emocional.
A pessoa com deficiência passa pelo médico que avalia o seu estado de saúde, indicando, encaminhando ou não para a equoterapia, porém a elegibilidade do serviço só acontece depois de uma triagem com a equipe multidisciplinar, aonde após a avaliação traçará o prognóstico e conduta terapêutica.
Muitas vezes os centros de equoterapia passam pelo impasse de indicação do médico em relação ao estado de saúde para a intervenção terapêutica e a contraindicação pela equipe multidisciplinar por apresentar um quadro motor de deformidade, comportamental de agressividade, entre outras comorbidades específicas. E quando isso acontece, a família se respalda na documentação do médico, contudo o médico também não pode ser responsabilizado por atendimento do terceiro setor ao qual não seja sua especialidade de atuação e isso a família precisa entender.
A equoterapia é um tratamento com resultados bons referente a pessoa com deficiência e isso tem despertado cada vez mais o interesse e procura pelo atendimento equoterápico. Algumas literaturas e estudos tem aprofundado a metodologia de intervenção terapêutica com os seus alcances mais especificados.
Quando há uma recusa pela equipe multidisciplinar ao não atendimento da pessoa com deficiência, uma vez encontrada uma contraindicação para a conduta terapêutica, têm famílias que agem na defensiva, como se a equipe estivesse com preconceito ou em desacordo técnico com o médico. Isso não é verdade! Quando uma equipe multidisciplinar não indica o tratamento naquele momento após avaliação para determinado praticante, é por respeito, ética, cuidado e responsabilidade, afinal nesse caso a equoterapia pode proporcionar um aumento de deformidade, quadro álgico, risco a segurança do praticante e aumento de risco de vida.
É muito difícil para os equoterapeutas falarem não! Ninguém quer falar não! Mas, o não às vezes é necessário para preservarmos a ética! Porque, quando uma família ou pessoa com deficiência procura um centro de equoterapia, também busca a evolução, melhorias, além de trazerem consigo expectativas. Entretanto, a ética e a prioridade da vida humana, precisam serem levadas em conta, uma vez que de forma alguma podemos prejudicar alguém e também não podemos deixar a pessoa com deficiência ser prejudicada devido a um desacordo da família ou mesmo a pessoa não ter a compreensão técnica sobre a piora do seu quadro clínico, só por desejo embutido de montar num cavalo com uma contraindicação.
Quando a busca pela equoterapia, vem através de atendimentos públicos do terceiro setor, através de parcerias, convênios e prestação de serviços ao governo, às vezes os centros de equoterapia encontram maiores dificuldades com a recusa dos quadros de contraindicação, uma vez que famílias se encontram mais resistentes e pressionando o poder público na aquisição de seus direitos.
Vale a pena ressaltar a importância do poder público e do centro de equoterapia estarem em parceria, para a melhora e qualidade dos atendimentos equoterápicos.
A equoterapia não proporciona a cura da pessoa com deficiência, como também o médico não vai conseguir realizar a cura, porém com a parceria médica e equoterapêutica é possível evoluções para o quadro clínico do praticante.
Nesse caso o não para a equorerapia, é uma situação ao qual se torna importante para a preservação do quadro clínico da pessoa com deficiência. Sabemos que é muito difícil a recusa na equoterapia para a família, por questões de luto, pela expectativa de habilitação e reabilitação, mas não podemos nunca piorar o quadro clínico de uma pessoa com deficiência e colocá-la em risco de forma nenhuma.
Ah, mas é só montar no cavalo! Equoterapia não é só montar no cavalo, é um contexto de riscos, benefícios e dependendo do quadro clínico grave, pode não apresentar os resultados esperados pela família, pois deformidades são corrigidas apenas por cirurgias.
O equoterapeuta é um profissional especialista da equoterapia, conhece o animal que trabalha, o contexto equoterápico, o setting terapêutico, os riscos, os benefícios e contudo as condições clínicas da pessoa com deficiência para a prática ou não da equoterapia.
No caso de contraindicação na equoterapia, procure uma intervenção terapêutica ao qual possa oferecer evoluções sem risco a saúde da pessoa com deficiência.
Confira algumas contraindicações para a equoterapia:
1. Instabilidade atlanto-axial, no caso de alteração para as pessoas com síndrome de down;
2. Deformidade de quadril (luxação, entre outros);
3. Deformidade de coluna; ( também – escoliose acima de trinta graus);
4. Traqueostomia;
5. Gastrostomia sem bóton;
6. Quadro alérgico apresentado nas sessões de equoterapia;
7. Osteoporose, osteopenia;
8. Mielomeningocele (não é recomendado por alguns médicos);
9. Esclerose múltipla ou amiotrófica (não é recomendado por alguns médicos);
10. Agressividade sem controle;
11. Quadro convulsivo sem controle;
12. Pressão alta;
13. Quadro álgico;
14. Artrose;
15. Artrite;
16. Obesidade por questões de segurança;
17. Cardiopatia;
18. Fraturas;
19. Espondilolistese;
20. Distrofia muscular, entre outros.
Veja também

Tenho uma paciente com Paralisia Cerebral que tem 19 anos e uma Espondilolistese L5S1 grau 1, assintomática. Posso indicar a equoterapia?
Oi, Maria Lúcia.
Segundo a equoterapeuta Eliane Baatsch: “infelizmente a espondiolistese é uma contraindicação para equoterapia, pois oferece risco num tranco do cavalo ou na necessidade de uma retirada de emergência por ser uma doença degenerativa na coluna. É melhor escolher uma atividade ao qual não tenha impacto na coluna e nem ofereça risco de saúde”.
Olá fiz artrodese lombar , posso fazer equoterapia?
Oi, Andreia
É necessário que seja feita uma avaliação do seu caso, por um profissional de equoterapia, para definir se você pode praticar a terapia.
Abraços,
Minha filha tem paralisia cerebral e tem sublilução no quadril. Ela pode fazer a equoterapia?
Oi, Liziane
Neste caso, a paciente precisa ser avaliada pela equipe multidisciplinar do centro de equoterapia e pelo médico para ter a elegibilidade na equoterapia, pois cada caso é único e exclusivo. Uma subluxação pode ter a piora do quadro clínico, por isso é necessário avaliar a indicação.
Uma profissional me disse hoje que meu filho de 4 anos, Autista, não pode fazer equoterapia porque teve pneumonia a dois anos atrás, não tem alergia e nao possui nenhuma das outras contra indicações…será que procede?