PUBLICIDADE
InícioDestaquesCentenário de Dorina Nowill ganha ações especiais

Centenário de Dorina Nowill ganha ações especiais

Dorina Nowill foi pioneira na inclusão de pessoas com deficiência visual no Brasil.

Que futuro estaria reservado para uma garota de 17 anos que, em 1936, perde completamente a visão? Se atualmente, esse fato ainda representa um desafio, há mais de 70 anos, era sinônimo de exclusão, limitação e preconceito. Mas esse não foi o destino que Dorina Nowill escolheu para si, transformando-se em exemplo de superação e inspiração.

É por isso que, nesta terça-feira, 28 de maio, a Fundação Dorina Nowill para Cegos amplia suas ações com atrações e eventos especiais em comemoração ao centenário de Dorina Nowill.

PUBLICIDADE

A força da pioneira – que morreu, em 2010, aos 91 anos – se faz presente até hoje entre colaboradores e pessoas atendidas gratuitamente pela Fundação Dorina. Porém, nem todos tiveram a oportunidade de conviver com dona Dorina, como ela é carinhosamente chamada por todos.

Por isso, hoje, data em que ela completaria 100 anos, o auditório da entidade se transformou no Cine Dorina, com sessões do documentário Dorina – Olhar Para o Mundo, dirigido por Lina Chamie e produzido pela neta de Dorina, a atriz e escritora Martha Nowill.

“Em parceria com a HBO, traremos dona Dorina para mais perto de todos. Para alguns, será a oportunidade de ‘reencontrá-la’. Para outros, a chance de conhecer melhor a história dessa mulher a frente do seu tempo, cujo legado se faz presente no nosso dia a dia”, conta Alexandre Munck, superintendente da Fundação Dorina Nowill para Cegos.

Entre as ações especiais do centenário, estão previstos ainda uma missa especial e outros eventos. A história e o legado de Dorina de Gouvêa Nowill também podem ser conferidos em visitas gratuitas ao Centro de Memória Dorina Nowill, primeiro no Brasil a considerar a cultura da deficiência visual como patrimônio histórico. O espaço conta com aproximadamente 4 mil peças em seu acervo, incluindo fotografias, materiais auditivos e utensílios, entre eles, matriz da pauta braille de 1945, livros digitais acessíveis, máquinas de escrever em braille e réplica da sala de trabalho de Dorina com objetos e livros originais.

Doodle do Google

Doodle do Google em homenagem ao centenário de Dorina Nowill (Imagem: Reprodução)

Uma das ações especiais realizadas em comemoração a seu centenário é o Doodle na página inicial do buscador do Google que, nesta terça-feira, traz uma ilustração com o rosto de dona Dorina à frente da palavra ‘Google’, representada em braile.

Ao clicar na figura, os usuários são direcionados para uma pesquisa sobre a trajetória de dona Dorina, e também podem compartilhar a ilustração nas redes sociais ou por e-mail.

Centenário de Dorina Nowill

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular na vertical. Retrato de dona Dorina Nowill. Ela está sentada. Dona Dorina é uma senhora morena, de pele clara, que tem os cabelos castanhos, curtos e lisos. Ela está com óculos escuros, usa uma camisa azul e colares. Dona Dorina está sorrindo. Fim da descrição.
Hoje, dona Dorina completaria 100 anos de vida
(Foto: Divulgação / Fundação Dorina Nowill de Cegos)

Dorina de Gouvêa Nowill nasceu em 28 de maio de 1919. Aos 17 anos, ficou cega, mas revelando-se uma mulher que enxergava muito além do seu tempo. A partir de sua história pessoal, pioneira, promoveu a inclusão e a autonomia das pessoas com deficiência visual no Brasil.

Dorina foi a primeira aluna cega a frequentar um curso regular no Brasil. Fez especializações na Michigan State Normal School e na Teacher’s College, ambas nos Estados Unidos.

Quando voltou ao país, pôde perceber o quão falha era a produção brasileira em braille e, em 1946, criou a Fundação para o Livro do Cego – hoje, Fundação Dorina Nowill para Cegos – para mudar esse cenário. Em tempos ainda mais duros para mulheres e pessoas com algum tipo de deficiência, Dorina foi presidente do Conselho Mundial dos Cegos e discursou na Assembleia Geral da ONU em 1981.

Autonomia e inclusão para pessoas com deficiência visual são marcas deixadas por essa pioneira, que lutou pela participação ativa de cegos e pessoas com baixa visão nas classes do sistema educacional e nos postos do mercado de trabalho. Seu legado se destaca em iniciativas como os recentes lançamentos LEGO Braille Bricks, uma iniciativa que começou na Fundação Dorina e chega ao mundo, e o livro “Como Dorinha vê o mundo”, com 3 mil exemplares distribuídos gratuitamente para 500 escolas da rede municipal de ensino, de São Paulo.

“Estamos orgulhosos em ter lançamentos tão impactantes para a sociedade justamente no ano do Centenário de D. Dorina. Quando ela faleceu, herdamos um legado importante para inclusão e educação, que segue se desenvolvendo por meio de todos nós, colaboradores, voluntários, parceiros e patrocinadores da Fundação Dorina Nowill para Cegos”, diz Munck.

Fundação Dorina

Há mais de 70 anos, A Fundação Dorina Nowill para Cegos trabalha para que crianças, jovens, adultos e idosos cegos e com baixa visão sejam incluídos em diferentes cenários sociais. A instituição oferece serviços gratuitos e especializados de habilitação e reabilitação, dentre eles orientação e mobilidade e clínica de visão subnormal, além de programas de inclusão educacional e profissional.

Responsável por um dos maiores parques gráficos de braille no mundo com capacidade de impressão de até 450 mil páginas no sistema por dia, a fundação é referência na produção e distribuição de materiais nos formatos acessíveis braille, áudio, impressão em fonte ampliada e digital acessível, incluindo o envio gratuito de livros para milhares de escolas, bibliotecas e organizações de todo o Brasil.

A instituição também oferece uma gama de serviços em acessibilidade, como cursos, capacitações customizadas, sites acessíveis, audiodescrição e consultorias especializadas. Contando com o apoio fundamental de colaboradores, conselheiros, parceiros, patrocinadores e voluntários, a Fundação Dorina é reconhecida e respeitada pela seriedade de um trabalho que atravessa décadas e busca conferir independência, autonomia e dignidade às pessoas com deficiência visual.

PUBLICIDADE
Juliana Reis
Juliana Reishttps://www.portalacesse.com.br/
Jornalista, com mais de 20 anos de atuação, 13 deles atuando em projetos editoriais no segmento de acessibilidade e inclusão. Co-fundadora do Portal Acesse e da Ludik, agência de comunicação especializada em soluções inteligentes para auxiliar empresas que queiram promover uma comunicação para todos.
VEJA TAMBÉM

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

PUBLICIDADE

SIGA O PORTAL ACESSE

3,380FãsCurtir
10,253SeguidoresSeguir
71SeguidoresSeguir
4,633SeguidoresSeguir
11InscritosInscrever

DESTAQUES

PUBLICIDADE

MAIS ACESSADAS

PUBLICIDADE