Educação começa em casa

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Está cada vez mais comum ouvirmos: “o aluno não realiza as tarefas e fica muito tempo no celular”. É importante que esse dilema não seja minimizado. Até porque os estudos vêm

mostrando consequências importantes, relacionadas ao uso excessivo de tecnologia.

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Dentre essas consequências, são apontados baixo desempenho da compreensão de leitura e baixo desempenho da atenção.

Então, o que fazer? Gostaria de dedicar a coluna desta semana, exclusivamente aos pais, então preparei algumas dicas que antecedem o famoso castigo e aquela famosa retirada da tecnologia após a entrega do boletim cheio de notas perdidas.

1) Delimitando o problema

Não cumprir as tarefas e ficar tempo demais usando tecnologia, sinaliza um problema. Que problema é esse? Baixo desempenho na habilidade de planejamento. Que outras habilidades estão envolvidas? Organizar, priorizar e manejar o tempo.

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato quadrado. Uma tabela para organizar o tempo das crianças. Fim da descrição.
Imagem: Reprodução

2) O que fazer

Primeiro é preciso enfrentar o problema. Converse com o seu filho sobre isso e apresente visualmente como ele está organizando o tempo dele. Utilize um gráfico, uma tabela colorida. Converse também sobre as consequências desse modelo de organização. Proponha a alteração.

Num segundo momento é preciso criar soluções. Apresente uma proposta de reorganização da rotina. Crie um ambiente participativo.

Veja o exemplo a seguir: vamos criar uma nova rotina que possibilite vivenciar suas responsabilidades e também seu tempo livre.

A seguir, apresento algumas regras básicas para ajudar a organizar as atividades!

a) sua rotina deve privilegiar um tempo suficiente para estudo, tarefas de casa e organização da mochila para o dia seguinte. Esse tempo, poderá ser dividido em duas partes, se isso for melhor para você;

b) o tempo livre deve ser determinado na rotina, com horário para começar e terminar. Sendo que, nesse tempo, deve ser contemplado o uso de tecnologia e atividades físicas;

c) estabelecendo objetivos. A criança/adolescente precisa ter bem claro porque vocês estão mudando a rotina. Quais objetivos vocês querem alcançar. Vocês devem criar juntos uma placa de objetivos.

Veja o exemplo a seguir: “Estou mudando minha rotina para melhorar meu desempenho escolar, me tornar mais responsável, aprender sobre planejamento, ter clareza de que o tempo é limitado, manter minha saúde emocional e física”.

d) estabeleça metas quantitativas e gradativas. Metas quantitativas ajudam na persistência e no engajamento dos objetivos. Devem buscar níveis mais básicos. As complexidades devem ser inseridas gradativamente. Exemplo de metas quantitativas: “Cumprir todas as tarefas escolares da semana;

Materiais sempre presentes na sala de aula; Alcançar nota acima de 60% em matemática”.

e) os pais devem evitar agir quando as emoções estão alteradas. Evite agir somente em reuniões de final de bimestre, busque a educação contínua. Não dê aos castigos a função que eles não têm. Castigos mostram o que não deve ser feito, mas não ensinam a fazer corretamente. Não proíba o uso da tecnologia, ela é só uma ferramenta e se vocês estiverem atentos, ela não será mais do que isso. Não delegue à escola a responsabilidade de amar seu filho, com o amor materno e paterno. Essa qualidade de amor é intransferível. Ninguém vai amar seu filho com você!

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Zilanda Souza
Zilanda Souza
Mãe e educadora, especialista em psicopedagogia e neuropsicopedagogia, doutoranda em Saúde Coletiva. Autora do livro ‘Brincando de Palavrear’, coordenadora da pós-graduação em neurociência aplicada a avaliação e intervenção psicopedagógica e doutoranda em saúde coletiva. Diretora da Espaço Vida em Minas Gerais e no Distrito Federal. Atua em pesquisa voltada para a intervenção em funções executivas em crianças do ensino fundamental anos finais.

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