Por: Patricia Celestini*
É comum que crianças entre os dois e cinco anos apresentem uma disfluência de fala. Esta fase é o período de aquisição de linguagem oral e a criança está aprendendo algo a todo momento. Desta forma, é comum que encontre algumas dificuldades em lidar com a língua (selecionar palavras para se expressar, necessidade de relatar muitas informações em um pequeno espaço de tempo…) e apresente prolongamentos, hesitações, bloqueios e repetições em sua fala.
Quando a criança repete palavras ou prolonga sons, isso incomoda os ouvintes que lhe estão próximos. Eles podem ouvi-la com ansiedade e sugerem certos comportamentos acreditando que irão beneficiá-la: fale devagar, pense antes de falar, respire fundo… Ou pior, fazem críticas severas, imitações, colocam apelidos ou completam a frase por ela.
Desta forma, a fala deixa de ser um comportamento espontâneo e prazeroso para tornar-se um ato de extremo sofrimento. A criança pode tornar-se angustiada e evitar situações de fala, preferindo não expor suas ideias.
A cada nova situação de frustração na fala, ela pode reforçar a ideia de que não é capaz de falar bem e antecipa a ocorrência de novas falhas. Passa a planejar uma atividade que seria espontânea e acrescenta uma tensão desnecessária e prejudicial ao ato de falar.
Como não podemos prever quais das crianças que se encontram nessa fase persistirão gaguejando, é de fundamental importância o trabalho de prevenção logo após o surgimento das primeiras manifestações.
Principais sintomas de gagueira:
– Repetição de sons, sílabas ou parte de palavras;
– Bloqueio de sons (pausas tensas);
– Substituições de palavras e reformulação de frases;
– Uso excessivo de marcadores discursivos (“é”, “então”, “daí”, “tipo”);
– Hábitos persistentes e incontroláveis associados ao ato de falar (“tiques”).
Falar é um aprendizado e, como qualquer outro, envolve erros. A luta e esforço para não cometer erros na fala é o que chamamos de gagueira.
Por isso, se você está em dúvidas sobre a fala apresentada por seu filho ou aluno, procure uma orientação, leve seu filho para uma avaliação fonoaudiológica.
“Gagueira não tem graça, tem tratamento.”
NOTÍCIAS RELACIONADAS
. Chupeta e mamadeira podem prejudicar a fala das crianças
. 10 melhores filmes sobre deficiência auditiva para entender a cultura surda
. Link 2018: Hand Talk reúne especialistas em acessibilidade digital
