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Instituto UniDown oferece curso gratuito para jovens com síndrome de Down 

Instituto UniDown, em parceria com as professoras Gizele Cristina Rodrigues Caparroz de Almeida e Lilian Fotin Talib, iniciará um curso gratuito de alfabetização voltado para pessoas com síndrome de Down, a partir de 18 anos. As aulas acontecerão presencialmente na sede do instituto, localizado na Rua Faustolo, 92, Lapa, São Paulo, próxima à estação CPTM Água Branca.

O curso foi idealizado por Márcio Berti, fundador do Instituto UniDown, ao perceber que, apesar da crescente demanda por profissionais com síndrome de Down no mercado de trabalho, muitos jovens, mesmo possuindo diversas habilidades e grande disposição, ainda não estão completamente alfabetizados.

“A inclusão no mercado de trabalho é um grande desafio e a falta de alfabetização é um dos maiores obstáculos. No Instituto UniDown, grandes empresas já buscaram talentos com T21, mas muitos desses jovens, apesar de altamente capacitados, não tiveram acesso a uma alfabetização consolidada. Por isso, decidimos oferecer esse curso básico de alfabetização para ajudá-los a avançar”, afirmou Márcio Berti.

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Uma pesquisa interna realizada pelo instituto revelou que apenas 8,7% dos 1.381 inscritos estão totalmente alfabetizados, e somente 1,3% têm a capacidade de se locomover de forma independente utilizando transporte público. Esses números ilustram a dificuldade de inclusão das pessoas com Síndrome de Down tanto na sociedade quanto no mercado de trabalho.

A professora Gizele Caparroz, voluntária do instituto, licenciada em Letras pela Unicamp e mestre em Educação pela PUC-SP, compartilhou sua experiência ao ser convidada por seu marido, Márcio Berti, para criar um curso de alfabetização para jovens com Síndrome de Down.

“Ele sugeriu que eu desenvolvesse um curso focado na alfabetização de jovens com Síndrome de Down que querem trabalhar, mas enfrentam o desafio de não ter sua alfabetização consolidada, mesmo após passarem pelo ensino regular. Convidei Lilian Talib para me ajudar com essa missão”, relatou.

Dados de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) revelam que existem cerca de 300 mil pessoas com Síndrome de Down no Brasil, das quais apenas 3.800 são alfabetizadas.

Gizele enfatiza a importância das leis brasileiras, como a Lei nº 13.146/2015, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão, que garante os direitos da pessoa com deficiência, incluindo o direito à educação. Porém, ela também destaca a falta de preparação de muitas escolas e professores para a inclusão efetiva de alunos com Síndrome de Down.

“Muitos desconhecem as características da Síndrome e não sabem como avaliar as dificuldades específicas desses alunos, o que dificulta sua inclusão plena”, afirma.

Para Lilian Fotin Talib, licenciada em Filosofia pela PUC-SP e História pela USP, o curso representa uma oportunidade de aprimorar a alfabetização de jovens com Síndrome de Down, preparando-os para a vida adulta e profissional.

“O objetivo é desenvolver habilidades de leitura e escrita de maneira contextualizada, utilizando atividades que façam sentido para os jovens, mantendo-os motivados. A inclusão desses jovens no Instituto tem um impacto profundo, tanto no mundo do trabalho quanto na sociabilidade”, diz Lilian.

Como será o curso

O curso será dividido em dois módulos semestrais de cinco meses, com aulas uma vez por semana, totalizando duas horas por aula. Cada turma terá no máximo seis alunos. Serão utilizadas metodologias ativas e atividades variadas, como rodas de conversa, leitura de notícias e o uso de recursos visuais. O material didático incluirá o ‘Jornal Joca’, voltado para crianças e adolescentes, para ser explorado nas aulas. O curso também abordará alfabetização numérica e o uso prático da leitura e escrita no cotidiano.

“O curso será adaptado a dois níveis de alfabetização, respeitando o desenvolvimento individual de cada aluno, mas também promovendo a interação entre os participantes. Caso necessário, os alunos poderão continuar no semestre seguinte”, complementa Gizele.

Além disso, o curso utilizará metodologias ativas, como atividades de leitura e escrita individuais e em grupo, dinâmicas em aplicativos, rodas de conversa e criação de materiais pelos alunos. O foco será utilizar temas e situações cotidianas, como notícias e reportagens, para que os jovens se sintam motivados e vejam a relevância da alfabetização em sua vida.

Este programa de formação educacional é inédito e terá a primeira fase para a avaliação diagnóstica dos jovens já neste mês e início com duas turmas-piloto em março.

O curso é destinado exclusivamente às pessoas T21, acima de 18 anos, que sejam semialfabetizadas (capazes de ler e compreender frases simples) e que desejam trabalhar. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas pelo WhatsApp (11) 99257-7352

Sobre o Instituto UniDown

Fundado em 2018 pelo advogado Márcio Berti, o Instituto UniDown atende atualmente mais de mil jovens com síndrome de Down e oferece diversas atividades gratuitas, como cursos de gastronomia, garçom, dança, teatro, artes, quick massage, capoeira, inglês, informática, além de serviços médicos, psicológicos e odontológicos. 

O UniDown também organiza eventos, como a BalaDown, a maior balada do Brasil voltada para pessoas com síndrome de Down, além de distribuir cestas básicas às famílias de pessoas de pessoas T21.

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Juliana Reis
Juliana Reishttps://www.portalacesse.com.br/
Jornalista, com mais de 20 anos de atuação, 13 deles atuando em projetos editoriais no segmento de acessibilidade e inclusão. Co-fundadora do Portal Acesse e da Ludik, agência de comunicação especializada em soluções inteligentes para auxiliar empresas que queiram promover uma comunicação para todos.
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