Aos 73 anos de idade, Maria da Penha Maia não se cansa de trabalhar, apesar de já estar aposentada de sua profissão como farmacêutica. Isso porque, 12 anos após a aprovação da Lei Federal nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, ela ainda milita de forma fervorosa para garantir os direitos das mulheres que sofrem violência doméstica.
O nome da lei é uma homenagem à cearense, que foi agredida pelo ex-marido durante seis anos até se tornar paraplégica, em 1983, após ser atingida por um tiro, enquanto dormia.
Depois de dar nome à lei, outro marco na história de Maria da Penha aconteceu quando ela decidiu abrir um instituto para promover a conscientização das mulheres sobre seus direitos, fortalecendo a Lei Maria da Penha.
Entre as ações desenvolvidas no Instituto Maria da Penha, uma organização sem fins lucrativos, estão o curso de formação de defensores e defensoras do direito à cidadania, destinado aos moradores de área de vulnerabilidade social, profissionais que atuam na rede de atendimento à mulher, operadores do Direito, universidades e empresas.
Confira a entrevista com Maria da Penha

Doze anos depois, como você avalia as conquistas da Lei Maria da Penha?
A lei sempre foi muito branda e, em alguns casos, continua sendo. Por isso, é preciso que as mulheres contem com o apoio de centros de referência, em sua região, para poder receber atendimento médico, jurídico, social e psicológico, porque não é fácil passar por isso. Nas cidades onde a lei está implementada corretamente, com certeza, tivemos muitas conquistas, porque as mulheres se sentem mais encorajadas para denunciar, pois contam com respaldo mínimo para recomeçar sua vida de forma digna e segura.
Como é dar nome para uma lei tão importante?
Eu nunca imaginei que minha luta chegasse tão longe. Comecei essa luta sozinha, mas, o importante é que a conquista não foi só minha. Considero que a Lei Maria da Penha seja a carta de alforria da mulher brasileira.
Como você se vê em meio a todo esse movimento?
Acho importante que as pessoas conheçam a minha história e saibam como eu consegui sobreviver a tudo isso. Hoje eu sou militante dessa causa, pela vida da mulher porque toda mulher tem o direito de levar uma vida feliz e sem violência. Por isso, viajo por todo o Brasil militando nessa causa tão importante, porque as mulheres não podem continuar sendo vítimas de violiencia doméstica.
Como é pra você ter contato com mulheres que foram vítimas de violência doméstica?
Em todos os eventos que participo, muitas mulheres compartilham comigo depoimentos emocionados e se dizem salvas pela Lei Maria da Penha. Isso é muito emocionante e me dá forças para continuar lutanto.
Nessa sua luta, há espaço para a causa da mulher com deficiência?
Já participei ativamente como militante da causa das pessoas com deficiência, em especial, das mulheres. Mas, desde a fundação do Instituto Maria da Penha, não consigo mais estar tão envolvida quanto gostaria. A rotina de trabalho é muito intensa. No entanto, acompanho essa causa de perto, sempre que possível.
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