São muitos os recursos terapêuticos da equoterapia. Isso porque ela utiliza o cavalo numa abordagem interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar nas áreas da educação, saúde e equitação, buscando melhorias biopsicossociais.
Mesmo sabendo que muitas vezes na intervenção terapêutica a equoterapia é realizada em montaria no dorso do cavalo com equipamentos equoterápicos, de equitação ou adaptados, é necessário o equoterapeuta repensar a sua prática para o alcance dos objetivos.
Normalmente, os equoterapeutas tendem a prescrever os objetivos do prognóstico de tratamento na equoterapia em sua área específica e de formação, porém nesta intervenção terapêutica, precisamos olhar o praticante como um ser global e sempre agregar e adaptar atividades buscando o desenvolvimento biopsicossocial.
Quando enfoco, olhar o praticante como ser global e não só por partes, só motor, só emocional, só comportamental ou só cognitivo, ressalto que ninguém é dividido por partes. Existem sim objetivos mais direcionados às queixas das famílias e os mais evidentes na necessidade terapêutica, porém precisamos construir uma conduta ampla e diferenciada.
Os quadros diagnósticos paliativos e de manutenção também poderão ser reestruturados e inovados nas nossas práticas de atendimentos com recursos terapêuticos que auxiliem no processo de evolução respeitando os objetivos traçados no prognóstico. Às vezes o equoterapeuta também precisa sair da zona de conforto e buscar alçar vôos mais altos, porque é uma pessoa com deficiência e uma família com uma esperança no trabalho executado. Se o praticante tem indicação do médico e da equipe multidisciplinar precisamos procurar alternativas e tentativas para a evolução.
Esses materiais também podem ser adaptados e reorganizados de acordo com a necessidade do centro de equoterapia, inclusive construído por sucatas e até mesmo em oficinas com as famílias através de atividades de fortalecimento de vínculo e convivência de projetos da proteção social básica.
Materiais como garrafas pet, barbantes, lixas, texturas, tintas, gliter, espumas, lã, tampas, botões e coloridos, podem ampliar o contexto de atividades na equoterapia, porém sempre respeitando o cavalo como eixo norteador da equoterapia. O cavalo é um mediador na equoterapia, através deste amigo conseguimos alcançar muitos objetivos importantes na habilitação e reabilitação das pessoas com deficiência.
Algumas dicas de materiais, cuidados e intervenções:
1 – Construção de materiais sensoriais com garrafas pet para estimulações visuais, auditivas, táteis, gustativas e olfativas. Materiais que podem ser pendurados no picadeiro visando objetivos como coordenação motora, lateralidade, coordenação visomotora, noção temporal, noção espacial, memória, força muscular, atenção, concentração, cognição, estimulações sensoriais, equilíbrio, entre outras;
2 – Equoterapia não é só montaria: atividades de cuidados e alimentação com os cavalos, que auxiliam na produção de hormônios importantes para a estabilidade de humor, diminuição da ansiedade, entre outros cunhos comportamentais e emocionais; nomeação de cavalos, materiais, exercícios motores, organizações, estimulações sensoriais, aprendizagens cognitivas, relação de vínculo com o animal, autoconfiança, autoestima, afetividade, entre outros;
3 – Bambolês, argolas, bolas, macarrões, cones, brinquedos: são importantes para o desenvolvimento motor, intelectual, cognitivo, coordenação motora, postura, fortalecimento muscular, alongamento muscular, entre outros;
4 – Jogos integrativos: regras, organização, noção temporal, noção espacial, controle da ansiedade, respeito mútuo, coordenação motora, atenção, compreensão, raciocínio, concentração, respiração, equilíbrio, etc;
5 – Antes de realizar algum tipo de atividade com brinquedos e materiais como jogos, exercícios, sempre realizar a dessensibilização do cavalo com a equipe responsável, nunca diretamente com o praticante, pois nem sempre todos os cavalos aceitam a atividade ou brinquedo no primeiro momento, faz-se necessária a apresentação do objeto ao animal, respeitando a forma de visão binocular do cavalo (visão direta para a frente – 70 graus como a visão do humano) e monocular (visão lateral -215 graus de cada lado – enxerga uma pessoa atrás dele até a altura da anca sem virar a cabeça), ponto cego – entre os olhos e atrás da garupa, a historicidade, sensibilidade a barulhos, movimentos e objetos, conhecimento comportamental, temperamento e social do mesmo;
6 – O cavalo é uma presa no mundo animal, sendo assim tem um amplo campo de visão para fugir do perigo e quando se sente em perigo tende a sair imediamente do local, portanto precisa ser respeitado em seus anseios e principalmente trabalhado para a aceitação de objetos, barulhos, movimentos globais e movimentos em seu dorso;
7 – O cavalo reconhece de longe as pessoas pelo cheiro, voz e enxerga melhor no escuro. E precisa ser trabalhado e treinado sempre no lado direito e esquerdo para correção dos defeitos de simetria e equilíbrio dinâmico; Culturalmente sempre foi trabalhado do lado esquerdo o aperto do arreio e montaria condicionando os animais a essa prática e dificuldade de aceitação do lado direito nesse remanejamento;
8 – Respeitando o cavalo em seu contexto e reformulando sua prática na equoterapia em prol do praticante sempre discutindo possibilidades novas de evoluções , planejamentos e organizações, além de desenvolver a ética de um trabalho de qualidade, buscamos a melhora na habilitação e reabilitação da pessoa com deficiência.
Colaboração da equipe de equoterapia da Hípica Santa Terezinha.
