Na próxima semana, 29/4, será comemorado o Dia Internacional da Dança. Para festejar a data, neste sábado, 27/4, o Centro Cultural de Juventude Ruth Cardoso, em São Paulo (SP), terá apresentações de grupos de dança inclusiva.
Entre os grupos que irão se apresentar, está o Unidos pela Dança, que conta com dançarinos e artistas com ou sem deficiência. Criado pela bailarina Leda Maria Tronco, 63 anos, o Unidos pela Dança foi aprovado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e entrou na programação do ‘Abril para a Dança’.
Bailarina desde 2006, Leda tem deficiência física e se apresentou, durante 5 anos, com a Cia De Rodas para o Ar, do bailarino e coreógrafo Clayton Brasil.
“Comecei a dançar solo nos eventos da cooperativa Paulista de Dança e, em 2023, fui premiada pelo espetáculo o ‘Encontro Comigo Mesma’. Meu amor pela dança nasceu na minha infância e, muitos anos passaram, até que fui assistir um belíssimo espetáculo com bailarinos com deficiência, com Clayton Brasil. Naquele momento, eu descobri que nós, pessoas com deficiência, podíamos dançar”, relembra ela, que desde então, começou a fazer aulas de dança na Rede Lucy Montoro.
Na apresentação deste sábado, Leda irá dançar novamente com Clayton Brasil.
“Dançar é tudo de bom na minha vida porque quando estou dançando sinto paz e esqueço de tudo. E é uma emoção dançar com o Clayton. Com esse evento, quero mostrar para todos que nós artistas com deficiência temos os mesmo direitos que qualquer artista. Por isso, incluí bailarinos com ou sem deficiência no meu grupo de dança”, conclui Leda.
Quem também faz parte do grupo é o dançarino Icaro Rodrigues Grave, 34 anos. Ele, que é estagiário em RH e bailarino, tem Paralisia Cerebral sempre se interessou pela dança.
“Sempre gostei muito de música e de assistir os canais musicais. Então, assistia aos vídeos clipes com coreografias e ficava imitando. Até começar a fazer aulas de dança no Centro Cultural da Penha (CCP), em 2013. Quando comecei a frequentar as aulas me apaixonei e desde então, nesses 11 anos como artista, a arte nunca mais saiu de mim”, descreve Icaro.

“Para nós, artistas com deficiência, a dança tem uma grande importância, pois só mostra e confirma em algo que sempre acreditei… Na capacidade de fazer acontecer. Ocupando lugares e lugar de fala, porque sim, o corpo fala! E através da nossa arte vamos quebrando cada vez mais barreiras, para alcançar voos cada vez mais altos!”, completa Icaro.
Com um currículo robusto nas áreas da Saúde e da Dança, a ex-atleta de Bocha Paralímpica, Suely Rezende, 68 anos, tem deficiência física em decorrência de uma doença neurológica degenerativa autoimune.
“Durante a pandemia de Covid-19 desenvolvi síndrome do pânico e iniciei aulas de dança on-line, nas modalidades contemporânea, dança do ventre e dança moderna, por indicação da psicóloga. Quando a pandemia estabilizou, iniciei aulas presenciais e sempre gostei de dançar, desde quando era andante.”

Com o decorrer das aulas, Suely descobriu que a dança é um processo de cura e também de liberdade e afirmação. Atualmente, ela faz parte do ‘Quarteto As Cadeirudas’, formado por mulheres negras de diversas idades, que se apresentam em bares, teatros e cruzeiros, entre outros lugares.
“A dança permite a realização de sonhos. Em novembro de 2023, participei do Campeonato Brasileiro Dança Esportiva em Cadeira de Rodas, na categoria Sênior principiante e conquistei a medalha de bronze”, comemora ela, que também fará uma apresentação no evento deste sábado.
Quem também comemora os benefícios da dança é Ariane Medeiros, 33 anos. Ela que atua como auxiliar de compras e facilities, tem deficiência física e, apesar de sempre se interessar pela dança, não tinha coragem de entrar para um grupo de dança por ser tímida demais.
“Em 2019 acabei conhecendo duas pessoas que fazem parte da dança e me convidaram para conhecer. Desde que tive contato com o ‘Solidariedança’ faço parte dessa família pela qual me acolheram de forma muito natural e cuidadosa”, destaca Ariane.
Para ela, a dança é a forma mais natural e a forma pela qual ela se sente livre e plena.

“Me faz bem, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Na dança eu esqueço meus problemas. É meu refúgio é a minha casa é a profissão pela qual eu mais me identifico hoje, mesmo muitos não considerando a dançar uma profissão. Dançar me liberta, dançar me faz querer ir longe, querer chegar em lugares que eu sonho e que não imagino chegar. Gosto de levar essa opção de vida a outras pessoas, possibilidades e oportunidades que o mundo lá fora tem a todos nós independente da situação física”, completa ela, que é uma das integrantes da ‘Ci Soli’, grupo de dança que estará no espetáculo Todos os pingos, uma chuva.
Aos 59 anos de idade, Nair Omena da Costa, a Naná Roots, é produtora cultural, compositora, vocalista, selecta e dançarina. Ela, que tem uma doença rara chamada fibrose cística, conquistou seu primeiro concurso de dança aos 10 anos.
“Todo corpo precisa estar em movimento e para a pessoa com deficiência física a dança além de ser uma terapia também serve como autoestima e valorização pessoal. A dança assim como arte da luz e cor para a vida dos indivíduos”, explica Nair, que integra o ‘Coletivo ReggArte’, que reúne artistas com doenças raras e múltiplas deficiências.

“Em 2017, criamos o grupo de dançarinos e montamos o musical Adoradores. Circulamos pela cidade de São Paulo com apresentações e, desde então, não paramos mais”, conclui Nair.
As apresentações dos grupos de dança inclusiva acontecem neste sábado, a partir das 15 horas, no Centro Cultural de Juventude Ruth Cardoso, que fica na Avenida Deputado Emílio Carlos, nº 3641, na Vila Nova Cachoeirinha.
