Seus passos abrem caminhos!

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Quando eu era criança, passava horas do meu dia observando as pessoas. Algumas me inspiravam de tal modo, que tudo o que eu queria era crescer para ficar igualzinho a elas.

E foi pensando sobre isso um dia desses que compreendi que foi ainda na infância, que me tornei educadora. Naqueles momentos, eu chegava nas festas sociais com meus pais e, de algum modo, quando menos esperava, estava ali, lidando com meus medos, inseguranças e emoções, para simplesmente servir e acolher o outro.

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Era chegar nos lugares e pouco tempo depois lá estava eu, cercada de crianças ouvindo as minha histórias, cantando ou conduzindo brincadeiras divertidas que me tornavam espontaneamente, a líder daquele bando de gente pequena em busca de atenção, carinho e alguém que olhasse em seus olhos e ouvisse o que tinham a dizer. 

Era interessante de apreciar aquele panorama. De um lado, eram as crianças encantadas com o carinho e cuidado que eu lhes dedicava. E do outro, uma legião de pais e mães animados com o fato de ter alguém para olhar seus filhos e distraí-los enquanto eles faziam as coisas ‘sem graça’ que alguns adultos fazem para disfarçar o cansaço, a solidão, o medo, a carência ou a indiferença que sentem por eles mesmos. 

Digo alguns, porque sempre há aquela mãe que se diferencia da maioria e pouco se importa com as brincadeiras e bobagens que as outras mães lhe apontam por não se desligar das suas crias para ‘viver a sua própria vida’. A mim, sempre pareceu que essas primeiras, faziam justiça ao seu papel de mães zelosas, presentes, amorosas, interessadas nos filhos e naquilo que faz sentido para que se sintam felizes e seguros.

Mães disponíveis e atentas às suas escolhas, emoções e sentimentos. Mães necessárias no mundo!

Apesar de ainda ser criança, de algum modo, a minha alma já era de uma cientista do comportamento humano. Alguém que se interessava pelo sentir do outro. Gostava de observar as pessoas. Então, me intrigava perceber o estado emocional que muitas famílias chegavam nas festas e outros ambientes, algumas estressadas, insatisfeitas e em conflito, e como saíam, após as crianças brincarem, comerem coisas gostosas, serem elas mesmas e se sentirem acolhidas. Brincar faz isso com a gente!

E, do mesmo modo, os adultos também se transformavam. Bebiam, comiam, se divertiam e pareciam relaxar com as rodas de violão e música. Me instigava pensar sobre o que tocava os corações delas e o meu, que deixava no final das contas, tudo mais leve, ou não.

De algum modo, na minha alma de criança pura, percebia que as emoções eram o grande fio condutor das aprendizagens e do comportamento humano. E isso me alegrava.

Crianças nascem boas e puras, salvo exceções. E quando são amadas, cuidadas e acolhidas num lar afetivo que gera conexão e confiança, crescem mais felizes e seguras para enfrentar os desafios da vida.

E algo que precisa ficar claro é que nada, nem ninguém, substitui a força da presença e do amor de pai e mãe na história afetiva e emocional de uma criança! 

Bem, a gente sempre acha alguém para culpar pelos nossos fracassos ou frustrações. Naquele tempo, eu culpava os pais, alguns poucos, excessivamente permissivos, e uma maioria esmagadora de autoritários que não se importavam sobre o ‘sentir’ de suas crianças ou adolescentes. A única coisa que parecia importa-los é que a última palavra fosse sempre a deles. Esse era o padrão!

Crianças conversam entre si e partilham coisas extraordinárias que muitas vezes não conseguem contar para os adultos. 

Talvez por isso me fascine observá-las brincando, pois é ali que elas demonstram quem são e onde vivem. E mais, mostram sem filtros quais os seus propósitos na vida. Basta olhar, com olhos de ver! 

Desde muito pequena eu sonhava com um mundo melhor, para mim e todas as crianças do planeta. E nem imaginava que chegaríamos um dia a viver esse caos de abandono afetivo que as novas gerações vivem no mundo contemporâneo. Se não é que de algum modo, sempre viveram.

Naquele tempo, já percebia que para tudo melhorar, mães e pais precisavam ACREDITAR que valia muito a pena assumir novos modelos e conhecimentos que lhe fizessem compreender o seu poder de referência na vida dos filhos. Mas para isso, precisavam também entender que eles tinham que ser a mudança que sonhavam para o mundo. E só assim, tudo se transformaria!

Era ainda muito pequena, mas me recordo bem do descaso que a maioria dos pais daquela época tinha com a rotina dos filhos que faziam muitas coisas que eles não tinham a menor ideia, enquanto fumavam, consumiam bebidas alcoólicas e se divertiam madrugada a dentro, muitas vezes, perdendo o controle sobre si e sobre os filhos. Afinal, crianças não tinham voz!

E olhando o mundo hoje, me parece que essa tradição, como quase tudo o que escolhemos colocar como padrão em nossas rotinas familiares, passa de geração para geração, assim como os valores e as memórias emocionais que, boas ou não, libertam ou aprisionam a história de muita gente que segue os nossos passos. 

Sou muito feliz por ter escolhido ser educadora. E mais ainda por ter tido a oportunidade de ser MÃE.

E por amor, resolvi olhar para dentro de mim e ser alguém cada dia melhor. Escolhi me libertar e quebrar esses padrões que me impediam de ser verdadeiramente feliz e cumprir o meu propósito de vida. E assim, também deixar voar livre as minhas crianças, porque afinal, os meus passos abrem caminhos.

E você, escolheu qual caminho para educar seus filhos?

Com amor,
Roberta Borges

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Roberta Borges
Roberta Borges
Roberta Borges é mãe e esposa. Pedagoga, psicopedagoga clínica, especialista em desenvolvimento humano e empreendedora. Idealizadora da Cuidandodegente, voltada para acolher famílias que buscam relações inteligentes e saudáveis na Educação Consciente. É também Presidente do Instituto Árion de Equoterapia e Desenvolvimento Humano.

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