WhatsApp e outros aplicativos: pesadelo ou oportunidade educacional?

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Por Rafael Silva*

Atualmente, temos acesso ilimitado às informações e o sistema educacional exige, cada vez mais, profissionais com habilidades e competências em Tecnologias da Informação e Comunicação, conhecida pela sigla TIC.

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Segundo o doutor Manuel Cebrián de La Serna, catedrático em Tecnologia Educacional pela Universidade de Málaga, na Espanha, “os estudantes devem desenvolver competências relacionadas em saber procurar a informação, selecionar a informação relevante e de qualidade, saber recuperá-la, organizá-la e torná-la significativa”. Como parte deste processo, os professores também deverão desenvolver competências para as funções de adaptar e produzir materiais didáticos a partir de diferentes suportes tecnológicos, modificando a concepção docente baseada na auto-aprendizagem permanente, entre outras. Em resumo, a alfabetização digital é o elemento-chave para professores e alunos.

Várias gerações foram educadas através de lápis, giz e lousa e, será que conseguiremos promover agora uma educação através de novas ferramentas, como espaços virtuais e usos de aplicativos em computadores ou smartphones? Creio que sim! Sou a favor de uma aprendizagem mais inovadora com a aplicação de conteúdos curriculares através de programas que permitam buscar informações, estimulando a elaboração de atividades direcionadas para as diferentes áreas do conhecimento podendo usufruir de componentes educativos, recreativos e lúdicos.

No exercício da profissão docente, desenvolver uma aula que desperte a atenção dos alunos é um desafio. Agora, com inúmeros aplicativos em smartphones à disposição dos estudantes, concorrer com as mensagens do WhatsApp, que só crescem, parece devastador num primeiro momento. Um exemplo recente em sala de aula foi o de uma aluna surda que me pediu ajuda para baixar o Hand Talk, aplicativo que faz a tradução automática de texto e voz para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Depois da instalação, eu quis saber o porquê desse interesse, já que ela conhece Libras. A aluna me explicou que aciona o aplicativo sempre que tem dúvidas sobre as palavras em português. Achei interessante porque a maioria das pessoas que usam o Hand Talk são ouvintes que estão aprendendo Libras e ficam com alguma dúvida no decorrer do aprendizado. Aí surge a pergunta: será que aplicativos assim poderiam fazer com que inúmeros intérpretes perdessem seus postos de trabalho? Claro que não!

O trabalho do tradutor-intérprete da Língua Brasileira de Sinais, regulamentada pela Lei Federal nº 12.319 em 2010, não concorre com aplicativos e componentes eletrônicos porque nada substitui a interação humana e as trocas de experiências. Claro que com o desenvolvimento das inteligências artificiais, esse texto poderá estar obsoleto daqui alguns anos. Mas hoje, acredito que podemos nos apropriar dessas ferramentas para tentar transformar o modelo educacional antigo que ainda estamos praticando. Além disso, em muitos casos, a escola é o único lugar que muitos alunos têm acesso a tecnologia devido às desigualdades da nossa sociedade.

Outro exemplo de aplicação didática de uso de aplicativos é o DuoLingo, que ajuda no aprendizado de idiomas, a exemplo do inglês, espanhol, francês, alemão e italiano. Essa ferramenta útil para inúmeros alunos não ameaça o trabalho realizado por milhares de escolas de idiomas espalhados pelo Brasil.

O primeiro passo poderia ser o de incluirmos em nossas sequências didáticas atividades com o uso de aplicativos, internet e outras ferramentas, tais como os jogos on-line capazes de estimular o aprendizado através de brincadeiras.

Considero que existe uma oportunidade para promovermos o acesso aos recursos tecnológicos e a informação com a ajuda de ações educativas em que o professor desenvolva diferentes modos de pensar e que tais reflexões ultrapassem os muros da escola. Bom senso, formação cidadã, conscientização de direitos e deveres devem fazem parte do processo educacional e grandes oportunidades tecnológicas não podem ser vistas como um pesadelo.

Saudações!

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela está o educador Rafael Silva. Ele está próximo a uma parede branca. Acima de sua cabeça existe uma placa azul em que está escrito em letras na cor cinza Avenue Des Champs Elyées. Ao fundo, do lado direito, é possível ver algumas árvores e folhagens, como uma praça. Rafael usa um terno cinza escuro, uma camisa azul royal e está com os braços cruzados. Ele está sorrindo. Fim da descrição.
Foto: Gustavo Grandal

*Rafael Dias Silva é professor, mestrando e pesquisador em educação especial. Criou o projeto Libras na Ciência, no Habits – USP|Leste, dá palestras sobre inclusão no setor público, cursos de formação inicial e continuada para professores sobre educação bilíngue (LIBRAS/PORTUGUÊS), além de tratar sobre metodologia e estratégias educacionais.

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Juliana Reis
Juliana Reishttps://www.portalacesse.com.br/
Jornalista, com mais de 20 anos de atuação, 13 deles atuando em projetos editoriais no segmento de acessibilidade e inclusão. Co-fundadora do Portal Acesse e da Ludik, agência de comunicação especializada em soluções inteligentes para auxiliar empresas que queiram promover uma comunicação para todos.

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