Sou Vanessa, terapeuta ocupacional há 20 anos, formada pela Universidade Federal de São Carlos. Fiz o mestrado e agora estou no processo de doutoramento em Distúrbios do Desenvolvimento.
Atualmente trabalho na empresa Inclusão Eficiente em São Paulo, com enfoque em assessoria em inclusão escolar e também com intervenções em reabilitação com enfoque em desenvolvimento e nas habilidades funcionais da criança.
O pano de fundo que fundamenta essa intervenção é estimular e desenvolver o máximo potencial funcional das crianças, focando nas habilidades e não em suas dificuldades. Os modelos teóricos que sustentam essa intervenção são basicamente os Modelos de Direitos, proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) e a Teoria dos Sistemas Dinâmicos, que entende o desenvolvimento infantil envolvendo as habilidades sensório-motoras, cognitivas e perceptuais, além dos aspectos ambientais e de exigências do meio ambiente, tornando holística essa abordagem.
Pensar em inclusão escolar a partir desses referenciais produz resultados surpreendentes, pois pensamos em mudanças atitudinais de todos os envolvidos e basicamente em três tipos de aprendizagens:
a) APRENDER a SER, onde a pessoa com direitos deve assumir um papel ativo e desejante, dando suporte para que o sujeito perceba quem ele é e quem ele deseja ser: Qual o meu maior sonho? No que eu sou ‘bom’? Qual meu papel no grupo?;
b) APRENDER A FAZER, onde focamos no desenvolvimento de habilidades que podem ser aplicadas e sempre envolvem prática. Envolve liderar, inovar e habilidades mais simples como construir, organizar e participar ativamente do ambiente;
c) APRENDER A SABER, agora sim focando no conhecimento acadêmico. Isto inclui fatos, definições, teorias, além de prazos e notas.

Pela Inclusão Eficiente São Paulo trazemos diversos cursos e formações, nacionais e internacionais. Enquanto escrevo esse texto de estreia para o portal Acesse, acompanho um curso Bobath Avançado, com instrutoras dos Estados Unidos compartilhando experiências com um grupo muito experiente de um dos maiores centros de reabilitação infantil da América Latina (sim, quem trabalha com cursos aprende continuamente). Uma das propostas das instrutoras é mudar a avaliação: Do que a criança não consegue para o que ela já faz. Falamos tanto em sair do modelo da incapacidade, da doença, para a funcionalidade, mas será que isso já é prática em nosso dia a dia ou ainda vemos a deficiência antes da criança?
E não, não é à toa que o termo internacionalmente recomendado é criança com deficiência. A pessoa vem antes, a criança vem antes, mas será que está vindo de fato?
Essa é uma das propostas da coluna: Refletir sobre modelos, compartilhar um pouco do que aprendemos nos cursos, dialogar sobre inclusão de fato.
Todos os meses trarei por aqui textos, artigos de relevância, entrevistas e experiências que possam sustentar esse modelo e essa forma de enxergar e intervir no mundo. Espero por vocês!
