A importância do estudo e do planejamento em prol dos atendimentos na equoterapia

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Ser um profissional que trabalha com habilitação e reabilitação de pessoas com deficiência necessita estudar e planejar o tempo todo…

Sair da zona de conforto é necessário para o desenvolvimento do trabalho do profissional da saúde e da educação, afinal quando queremos construir um atendimento com ética e um bom desenvolvimento, precisamos traçar metas, buscar alternativas, estudar sobre o assunto, buscar opiniões profissionais e parcerias com outras intervenções e famílias, como: feedbacks.

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Na equoterapia muitas vezes utilizamos o cavalo como agente cinesioterapêutico através da sua biomecânica do passo, contudo um simulador da marcha humana que adequa o tônus muscular, auxilia na comunicação do sistema nervoso periférico (SNP) ao sistema nervoso central (SNC), entre outros aspectos e informações importantes para a habilitação e reabilitação dos quadros motores.

Mas será que equoterapia é só montaria? Ou a equoterapia no solo não faz parte do processo?

Penso que se somente o passo do cavalo fosse importante na equoterapia, seria mais barato um cavalo mecanizado e simulador da marcha humana, um robô que não come capim, feno, suplementação, não precisa de ferrageamento e nem de veterinário, ao qual substituiria um cavalo ao passo. Seria isso a equoterapia?

O cavalo traz consigo a amizade, a magia da reciprocidade, da relação… de aceitar a pessoa como ela é, sem suas características de imposição de beleza numa sociedade ao qual a padronização está muitas vezes embutida.

O cavalo tem um olhar profundo que vai até aos nossos neurônios com produções hormonais importantes que nos causam o bem-estar, tem uma textura quente, macia, um focinho delicado e cheirador, trazendo em seu comportamento uma serenidade, uma amizade, uma relação de empatia e aceitação. É muito mais que um dorso andando voltas do lado direito ou do esquerdo para o tempo hábil da terapia.

O cavalo conforta seu amigo, o cheira, o reconhece, o agradece quando recebe uma cenoura, espera o afago, aguarda o seu amigo.

Ainda escutamos, não teve equoterapia hoje? Tudo porque não teve montaria?

Voltando ao nosso tema, a equoterapia com intervenções no solo, dá muito trabalho, porque requer planejamento, como a quebra da rotina do TEA que foi trabalhada apenas na montaria; precisa de material pedagógico; necessita de muita dedicação e estudo do profissional; entre outras abordagens que são boas para o desenvolvimento da pessoa com deficiência ou seja praticante de equoterapia.

A parceria com a família e o profissional na equoterapia é muito importante, pois estreita laços, acolhimento, confiança mútua e a percepção da intervenção terapêutica como um processo de desenvolvimento e ética.

A escrita dos relatórios e das evoluções é imprescindível no processo de desenvolvimento da equoterapia. São pelos registros que obtemos os acompanhamentos que replanejamos, reorganizamos, reconstruímos e estudamos.

Afinal sempre reforço, é necessário sairmos da nossa zona de conforto e não pensarmos no cavalo apenas como um dorso mediador, sem atividades, ou até mesmo num passeio semanal, mas sim em estratégias de posicionamento, atividades complementares, materiais adequados, cavalos adequados, estudo sobre o caso diagnóstico, maiores desdobramentos, entre outros.

Trabalhar na equoterapia, dá trabalho! Andamos quase dois quilômetros em cada atendimento no ritmo do cavalo, às vezes com praticantes em desordem sensorial ou que necessitam do posicionamento específico para o seu quadro motor, contudo quando buscamos técnicas e procedimentos para complementação no atendimento, ampliamos as potencialidades no desenvolvimento do nosso assistido na equoterapia.

Equoterapia não é só um método, é uma dedicação plena, construção de estudo diário, planejamento, organização, parceria e acolhimento ao praticante e à família.

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Eliane Baatsch
Eliane Baatsch
Coordenadora da Hípica Santa Terezinha, do Centro Municipal de Equoterapia de Barueri e de Osasco, Coordenadora do Paraequestre da NBHA BRAZIL, Ex-Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Carapicuíba, técnica do Paratleta Murilo Carleto do Paraequestre da NBHA BRAZIL e Paratambor da ABQM, Mestre em Ciências da Educação e autora do livro 'Equoterapia na inclusão escolar'.

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