Hoje quero falar sobre o poder do discurso de pais e mães, especialmente delas, enquanto referência de acolhimento e afeto para os filhos no âmbito emocional, comportamental e espiritual.
Quero falar sobre a tomada de consciência que deveria começar instantaneamente no momento em que pais e mães descobrem que seus filhos estão a caminho.
Falar sobre assumir responsabilidades que, antes dos filhos chegarem, talvez negligenciássemos, enquanto pessoas livres no mundo. Porém, quando se sabe que estão a caminho e farão parte dessa sociedade caótica e, por vezes, aterrorizante e cruel, há de se temer o que está por vir e ‘como’ daremos conta dos desafios inerentes à própria condição de existir.
Neste tempo que anuncia expressivas mudanças na história do nosso país, quero falar sobre a importância de assumir a força da voz que temos no mundo, e mais que isso, a incontestável potência dos padrões emocionais e comportamentais que anunciamos às novas gerações nos mínimos detalhes do nosso pensar, sentir e agir.
Ao observar o panorama sociopolítico e econômico brasileiro, me parece razoável que pais e mães se preocupem com um cenário de tantas diferenças, exclusões, pessoas que mascaradas e blindadas por suas armaduras hipócritas e validadas, de algum modo, pelo povo, abafam a voz das pessoas que lutam pela liberdade e pelo diálogo democrático no mundo e pior, manipulam informações e condutas.
Este é afinal o modelo de comportamento autoritário, verticalizado e baseado no medo que nas linhas que costumo escrever e partilhar aqui, combato e desprezo já que acredito com as forças das minhas entranhas em relações baseadas em afeto, respeito, empatia, gentileza e sim, firmeza com prudência, responsabilidade e bondade novamente, no pensar, sentir e agir.
Filhos crescem e tornando-se adultos, serão para o mundo muito daquilo que receberam na infância e adolescência.
Ai, ai, ai. Que coisa poderosa é essa! Daí a importância das sementes!
Aquilo que você sente, antes mesmo de dar à luz ao seu filho ou filha, ainda ‘protegidos’ no útero materno, já influencia na escrita da sua história e gera memórias emocionais que perdurarão por toda a sua jornada.
Claro, algumas das escolhas que fazemos durante a caminhada são irreparáveis quando se olha para a profundidade da conexão e intimidade afetiva entre pais e filhos em suas relações parentais. A esperança é que o amor cura e refaz histórias!
A boa notícia é que, de algum modo, as pessoas encontram ferramentas, saberes e recursos que lhes ajudam a sobreviver e, na maioria das vezes, lidar com seus traumas, superar medos e fobias, evoluir em suas limitações e seguir adiante.
Aqui, neste espaço, falamos de amor e da sua força terapêutica para curar e transcender histórias. E quanto mais estudo, converso com pessoas, aprecio as relações humanas e o comportamento, mais certa fico de que o caminho da amorosidade com firmeza é revolucionário.
Nos dias 10, 11 e 12 de novembro estive numa imersão de saberes, práticas, vivências e conhecimentos científicos partilhados por cientistas de diferentes regiões do Brasil e de Portugal, no II Congresso Internacional Luso Brasileiro de Transtornos de Aprendizagem no qual, dentre todas as questões inclusivas e terapêuticas necessárias para a construção de um mundo cada dia melhor, duas coisas ficaram bem claras e explícitas.
Primeiro, os educadores precisam se remodelar e construir uma escola flexível e motivadora, que tenha ações inteligentes, inovadoras e sustentáveis para acolher e lidar com as diferenças em sala de aula.
Segundo, pais e mães precisam, mais do que nunca, assumir seu papel afetivo e potente de modeladores do comportamento e das emoções de seus filhos, porque ninguém, mais do que eles, pode exercer esse papel sem danos severos de conduta.
A educação parental nunca foi tão necessária para a humanidade. A pandemia agravou muitos quadros que antes eram camuflados de algum modo. As pessoas estão cada dia mais tristes, ansiosas, depressivas e desistindo da vida precocemente. As famílias estão mais doentes do que se pode imaginar e o reflexo claro disso está bem debaixo dos nossos olhos. Basta olhar!
A sua voz no mundo ecoa de dentro para fora. Vem do fundo da alma, carregado de emoções que falam tanto sobre quem você é, o que dói, o que alegra, o que te vulnerabiliza e a que você veio! É muito mais do que falar, sabe? É SER!
É preciso ter coerência entre aquilo que você diz, faz e escolhe. Existem pessoas que se inspiram em você muito mais do que se pode imaginar. Então, não é sobre um momento de euforia externa e a empolgação que as idas e vindas da vida colocam ao seu dispor, seduzem e acorrentam em seus emaranhados de possibilidades mirabolantes! É sobre realidade, possibilidade, alegria, tristeza, medo, nojo, abandono, negligência, incapacidade, imoralidade, desumanidade. Entende?
E creia, crianças e adolescentes observam detalhadamente cada passo que seus pais e mães dão. Os seus mais singelos gestos, as suas palavras e principalmente as suas vibrações diante das adversidades e diferentes situações da vida cotidiana.
A forma como você reage ao mundo diz muito sobre quem é.
Seja prudente com aquilo que cala para dar voz a alguém que, na maioria das vezes, não sabe nada sobre a sua história, seus anseios, suas lutas, sonhos, medos e desejos. Porque acaso soubesse, e se respeitasse quem você é, jamais lhe impediria de ser quem você nasceu para ser, porque todas as pessoas devem ter o direito de viver e realizar os seus propósitos. Concorda?
Todas as pessoas têm o direito de escrever a sua história única e fabulosa no mundo, mas para isso é necessário discernimento, prudência e coragem!
Filhos trazem em si, pedaços preciosos de suas mães e pais. Escolha com critério as sementes que deseja que reverberem na sua criança porque ela é a sua voz que ecoa no mundo.
Filhos nascem com seus próprios temperamentos, história emocional, valores e virtudes que se entrelaçam e são modelados, pouco a pouco, a partir da conexão com seus pais e as vivências da sua família. Coerência!
Filhos são a continuidade poderosa de seus pais e mães, avós, bisavós e toda a ancestralidade que um dia iniciou uma trajetória neste planeta e que persiste, de algum modo, através de cada um de nós na plenitude da existência.
Uau! Que coisa fantástica é fechar os olhos e sentir essa voz ecoar na eternidade!
E, melhor que isso, é ter a oportunidade de estudar para acessar saberes e ser humilde para aprender a aprender e, assim, desenvolver maturidade emocional para fazer escolhas sábias, pinçar as melhores sementes, plantar, nutrir a mente, cuidar, acolher, selecionar, amar e contemplar os pequenos milagres que todos os dias vemos acontecer dentro dos nossos lares. E de lá, que a nossa voz ecoa e transforma!
O termômetro para isso? É o sorriso livre, leve, puro e espontâneo dos filhos!
Faz sentido para você?
Com amor,
Roberta Borges
