Na semana em que se comemora o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência e o Dia Nacional da Acessibilidade, temas centrais das pautas do Portal Acesse, resolvemos apresentar uma série com matérias especiais sobre o universo das deficiências auditiva, intelectual, física, visual, múltiplas e nanismo, além do autismo, que você confere nos próximos dias.
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 10% da população mundial tem algum tipo de deficiência. Isso representa aproximadamente 650 milhões de pessoas. No Brasil, segundo dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010, existem cerca de 46 milhões de pessoas com deficiência, o que corresponde a 24% da população.
Dicas de relacionamento e as deficiências

Apesar dos números, no Brasil, as pessoas apresentam muitas dificuldades ao lidar com as deficiências. Desde a abordagem ao relacionamento, são muitas as dúvidas que permeiam no campo das deficiências.
Muitos ainda confundem as deficiências como doenças, quando na verdade, as deficiências apenas impõem, em casos específicos, a necessidade de adaptações. Por isso, é imprescindível que todos saibam como se relacionar e tratar esta parcela da sociedade.
Sempre que quiser ajudar uma pessoa com deficiência, pergunte qual é a melhor maneira de proceder. E, não se ofenda se a ajuda for recusada, pois nem sempre ela é necessária.
Por isso, bom senso e naturalidade são essenciais para manter um bom relacionamento com as pessoas com deficiência.
Terminologias e deficiências
Outra questão importante, no que se refere ao respeito, envolve o uso correto de terminologias quando for abordar ou tratar este público.
De acordo com o especialista em aconselhamento de reabilitação, consultor de inclusão e escritor Romeu Sassaki, o cuidado com as terminologias é fundamental pois “na linguagem se expressa, voluntariamente ou involuntariamente, o respeito ou a discriminação em relação às pessoas com deficiências”.
A Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada pela ONU, foi incorporada à legislação brasileira em 2008, no entanto, poucas pessoas sabem que termos como ‘portador’, ‘deficiente’ e ‘necessidades especiais’ estão em desuso, desde então, pois a condição de ter uma deficiência faz parte da pessoa. Ou seja, a pessoa não ‘porta’ uma deficiência, ela tem uma deficiência.
A Convenção determinou, entre outras ações acerca dos direitos deste público, novas terminologias para o tratamento de pessoas com deficiência, como o uso de ‘pessoa com deficiência’, seja ela visual, física, auditiva ou intelectual.
Tanto o verbo ‘portar’ como o substantivo ou adjetivo ‘portador’ não se aplicam a uma condição inata ou adquirida que faz parte da pessoa. Ou seja, a pessoa só porta algo que pode deixar de portar.
Também é importante evitar o termo ‘deficiente’, pois há uma associação negativa, que denota incapacidade e inadequação à sociedade. Ter uma deficiência é apenas uma característica. Assim, a pessoa não é ‘deficiente’, ela ‘tem’ uma deficiência.
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