Por: Matheus Racy Mariusso
Uma das maiores vantagens de se trabalhar na área da saúde, é sem dúvida, conviver diariamente com pessoas diferentes e aprender com todas elas. Há pouco tempo, ouvi da mãe de um paciente com síndrome de Down algo que me fez pensar e repensar. Em um determinado momento de nossa conversa inicial me deparei com a seguinte frase: “Sabe doutor, as pessoas vão ter que se acostumar com os ‘novos deficientes’. Faço de tudo para meu filho ser independente, e sei que ele será. Aquela pessoa com síndrome de Down que todos estavam acostumados a lidar, não vai mais existir”. Neste momento, em que temos uma grande luta pela inclusão, certamente precisamos pensar quem são essas pessoas.
Será necessário nos despirmos dos conceitos antigos e de todos os estigmas que cercam a deficiência, seja ela física ou intelectual. Teremos pessoas com deficiência casando, tendo filhos, morando sozinho ou com os amigos, estudando e trabalhando em cargos que nunca foram alcançados. Teremos pessoas com deficiência que serão valorizadas como cidadãs, com direitos a serem respeitados e deveres a serem cobrados. Utopia? Não, apenas a visão de quem acredita que não haverá mais espaço para preconceito e que foi alertado por aquela mãe que o filho dela viverá nesta sociedade, pois ela está pronta para lutar por isso.
Neste contexto, não hesito em citar o grande professor Boaventura de Sousa Santos: “Temos o direito a ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito a ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades”.
Como todas as mudanças que buscamos para a sociedade, é indispensável que haja trabalho e conscientização em varias esferas, e também com o transcorrer do tempo. Porém, é cada vez mais claro que os novos e verdadeiros deficientes desta sociedade são aqueles que não conseguem enxergar além e ficam presos em estigmas, e que acima de tudo, não conseguem respeitar a diferença.
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