Em apenas oito dias de competições nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, os atletas brasileiros conseguiram superar a marca alcançada nos Jogos do Rio de Janeiro. Isso porque o país conquistou sua 15ª medalha de ouro, superando as 14 medalhas douradas conquistadas no Rio, em 2016. Além disso, o Brasil está a apenas seis medalhas do recorde de 21 ouros, estabelecido nos Jogos de Londres, em 2012.
O 8º dia contou ainda com alguns marcos históricos protagonizados pelos atletas paralímpicos do Brasil. Aos 33 anos, o nadador Daniel Dias, maior atleta paralímpico da história do país e um dos maiores do mundo, se despediu das piscinas. Em sua última disputa paralímpica, realizada na manhã desta quarta-feira, 1º de setembro de 2021, Daniel terminou a final dos 50m livre, classe S5 (intermediária entre as 10 para atletas com deficiência funcional), na 4ª colocação, com o tempo de 32s12.

Assim, o paulista de Campinas encerra sua jornada no esporte com a impressionante marca de 27 medalhas em 4 edições de Jogos Paralímpicos (Pequim 2008, Londres 2012, Rio 2016 e Tóquio 2020), sendo 14 de ouro, 7 de prata e 8 de bronze.
Chuva de medalhas
Maria Carolina Santiago também marcou o seu nome no esporte paralímpico brasileiro ao conquistar o ouro nos 100m peito, classe SB12 (para atletas com deficiência visual). Essa foi a terceira vez que a pernambucana subiu ao lugar mais alto do pódio em Tóquio. Antes ela já havia faturado os 100m livre e os 50m livre. Aos 36 anos, ela ainda ganhou o bronze nos 100m costas e a prata no revezamento misto dos 4x100m livre – 49 pontos, ao lado de Wendell Belarmino (S11), Douglas Matera (S13) e Lucilene Sousa (S12).
“Agora estou deixando a emoção tomar conta. Fiz a minha prova, nadei tranquila e não pensei em mais nada. Fiz o que o meu treinador pediu e o resultado veio. Só posso agradecer por tudo o que está acontecendo comigo nesses Jogos de Tóquio”, comemorou Carol Santiago.
A potiguar Cecília Jerônimo de Araújo também fez bonito e conquistou a medalha de prata nos 50m livre (classe S8) da natação, assim como o catarinense Talisson Glock, que levou o bronze nos 100m livre (classe S6). “Essa medalha veio para consagrar a competição. Gostaria de dedicar à minha mãe. Queria ter nadado na marca de 1min04s. A virada poderia ter sido um pouquinho melhor. Perdi um pouco no submerso. Mas estou feliz e satisfeito, pois nadei três vezes para o meu melhor tempo. Agora é corrigir os erros. Amanhã, tem os 400m”, analisou Glock.

O país também faturou dois bronzes na bocha, com Maciel Santos (classe BC2) e José Carlos Chagas de Oliveira (classe BC1), sendo esta última medalha, inédita na história do Brasil em Jogos Paralímpicos.

O tênis de mesa do Brasil conquistou a medalha de bronze por equipes da classe 9-10 entre as mulheres. Com o time formado por Bruna Alexandre, Danielle Rauen e Jennyfer Parinos, a seleção acabou derrotada pela Polônia por 2 sets a 0 na semifinal. O resultado já era garantia de mais um pódio, já que não há disputa de terceiro lugar nos Jogos. Antes, as brasileiras haviam vencido a Turquia por 2 sets a 1, nas quartas de final da competição.
As mesa-tenistas brasileiras já haviam conquistado duas medalhas no torneio individual dos Jogos, com Bruna Alexandre (prata na classe 10) e Cátia Oliveira (bronze na classe 1-2).
Com estes pódios, o Brasil soma agora 48 medalhas nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, com 15 ouros, 12 pratas e 21 bronzes. Está na sétima colocação no quadro de medalhas geral. A China lidera com 68 ouros e 147 medalhas, com o Comitê Paralímpico Russo em seguida, com 89 medalhas, sendo 32 de ouro, e a Grã-Bretanha, em terceiro lugar, com 30 medalhas de ouro e um total de 86 medalhas.
Goalball
Em um duelo emocionante, o Brasil mostrou força na defesa, venceu a favorita seleção da China – três vezes medalha de prata nos últimos Jogos (Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016) – e avançou às semifinais em Tóquio. Após um tempo regulamentar sem gols, a vaga veio em cobrança de penalidade de Carol, no primeiro ataque brasileiro no segundo tempo da prorrogação: 1 a 0.
Amanhã, dia 2 de setembro de 2021, o Brasil encara os Estados Unidos, às 7h30 (horário de Brasília), no Makuhari Messe Hall C. Um pouco mais cedo, às 5h45 (horário de Brasília), o time masculino do Brasil reencontra a Lituânia, atual campeã paralímpica, na semifinal. Apesar da vitória arrasadora dos brasileiros por 11 a 2, logo na estreia em Tóquio, o histórico entre as duas seleções é de resultados apertados.
Vôlei sentado
Na última partida da fase classificatória, a Seleção Brasileira feminina de vôlei sentado venceu a Itália por 3 sets a 1 (23/25, 25/17, 25/16 e 25/21), garantindo a classificação para as semifinais como líder do Grupo A. A equipe está invicta na competição e agora encara os Estados Unidos, na próxima sexta-feira, 3, às 6h30 (horário de Brasília), no Makuhari Messe Hall A.
No masculino, o Brasil joga a semifinal contra os atletas do Comitê Paralímpico Russo, na quinta-feira, dia 2 de setembro de 2021, às 6h30 (horário de Brasília).
Atletismo
O Brasil esteve presente em duas finais neste oitavo dia de competições em Tóquio. Nos 100m feminino, da classe T36, Samira Brito terminou na sétima colocação, com o tempo de 15s27. A medalha de ouro foi para chinesa Yiting Shi, que anotou o novo recorde mundial: 13s61. A prata ficou com a atleta do Comitê Paralímpico Russo, Elena Ivanova (14s60) e o bronze com Danielle Aitchison (14s62).
O outro brasileiro que brigava por medalhas era Ariosvaldo Fernandes da Silva, o Parré. Aos 44 anos, o atleta terminou a final dos 100m masculino da classe T53 na quarta colocação, com o tempo de 15s41. O tailandês Pongsakorn Paeyo foi ouro ao anotar o novo recorde paralímpico da prova com 14s20. A prata ficou com o canadense Brent Lakatos (14s55) e o bronze com o saudita Adbulrahman Alqurashi (14s76).
Os brasileiros Felipe Gomes e Lucas Prado foram eliminados nas semifinais dos 100m rasos, classe T11. Felipe correu na primeira bateria, ao lado do guia Jonas Silva, e chegou em último, com 11s68, oitavo tempo na classificação geral. Lucas correu a segunda semifinal e ficou em terceiro, com 11s44, com o guia Anderson Machado.
Tiro esportivo
Único brasileiro no tiro esportivo dos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, o paulista Alexandre Galgani disputou a classificatória da carabina de ar deitado 10m da classe SH2 (para atletas que precisam de suporte para a arma).
Alexandre terminou a fase classificatória com 633.9 pontos e na 10ª posição, ficando fora da final. Este foi o melhor resultado de Calgani em Jogos Paralímpicos. Nos Jogos Rio 2016, ele havia ficado em 24º lugar na carabina deitado. No próximo sábado, dia 4 de setembro de 2021, o atleta ainda vai disputar pela carabina deitado 50m.
Ciclismo de estrada
A paranaense Jady Malavazzi, de 26 anos, disputou a final da prova de estrada das classes H1 a H4 e ficou na 13ª colocação, com o tempo de 1h06min43.
Tiro com arco
Rejane Cândida da Silva foi eliminada no tiro com arco. A brasileira foi superada pela britânica Victoria Rumary após perder para a oponente por 115 a 107.
