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Daniel Massafera: o garoto em uma armadura de homem

Maquiador, colunista do canal @modainclusiva e bailarino do grupo @derodasparaoar, Daniel Massafera veio ao mundo para fazer a diferença.

Aos 27 anos, ele se intitula em suas redes sociais como ‘um garoto em uma armadura de homem’. E é nelas (as redes sociais) que ele vem tendo a oportunidade de fazer essa diferença, ao mostrar ao mundo que representatividade importa.

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Com isso, ele vem mobilizando suas redes, onde fala sobre temas variados, que vão de acessibilidade e inclusão, passando por moda, saúde e até política. Tudo, segundo ele, para promover “reflexões e transformar pessoas”.

“Quando me tornei uma pessoa com deficiência, buscava informações sobre esse universo e era tudo muito difícil. Tanto pela situação em que eu me encontrava, quanto pela falta de conteúdo relevante”, explica ele, que teve o braço e parte da perna direita amputados, há 6 anos, após sofrer um acidente.

Confira a entrevista exclusiva com Dani Massafera e entenda porque #representatividadeimporta!

Quem é o Daniel Massafera?
Daniel é um homem que quer transformar, promover reflexões e transformar pessoas. Sou formado em estética, maquiagem, cabeleleiro e atualmente também sou dançarino e colunista de moda. Minha deficiência é ampultaçao traumática de braço e perna, além de ter visão monocular.

Descrição da imagem: Foto de Daniel Massafera. Ele está usando uma sunga verde e vermelha. Daniel não tem o braço e a perna direita. Ela usa uma prótese na perna direita. Fim da descrição.

Quando e porque você decidiu se tornar influenciador digital?
Eu sempre tive redes sociais e após o acidente eu começei a compartilhar tudo de possitivo e de negativo que a nova realidade me  trouxe. Eu sempre quis falar de corpos, de beleza, de sexualidade… e, por meio das minhas vivências, boas e ruins, eu tive que ousar pra fazer a diferença. Comecei com um ensaio aqui, outro ali, para mostrar que existe vida depois da deficiência. Como eu gosto de fugir de títulos, evito a mesmice e as pessoas começaram a gostar do que eu tinha pra mostrar. Posso dizer que, sem querer, deu certo.

Como você lida com a questão de ser referência para tantas pessoas que te seguem?
Eu lido com isso da melhor forma possivel. Eu sempre respondo todo mundo que me procura porque acho importante essa troca e também tem o respeito pelo outro que parou ali pra falar com você e espera uma resposta. E o que eles falam muito é que gostam quando eu apresento novidades e diversifico os assuntos. Mostro uma vida sem limites de uma forma gentil porque sei que isso vai ser importante, seja para uma ou 500 pessoas, o importante é levar a mensagem e mostrar a importância da representatividade das pessoas com deficiência.

Porque e quando você decidiu que falaria sobre moda e beleza? Esse tema sempre te interessou?
Sou formado em estética, maquiagem e cabelo pelo Projeto Tesourinha, além de ter estudado em grandes institutos de beleza. Pouco antes do acidente estava tudo certo pra eu fazer um curso de especialização incrível na Argentina. Mas, com o acidente, perdi o curso e também muito de mim. Falo isso porque depois do acidente eu abandonei muitas coisas. Era como se eu pegasse tudo que vivi antes da deficiência e tivesse jogado fora. Tudo começou a mudar quando assisti um workshop de moda e beleza no centro de reabilitação que eu frequentava, e vi ali que eu poderia retomar a minha vida.

Descrição da imagem: Ilustração de Daniel em uma arte estilizada dos Simpsons. Fim da descrição.
Ilustração que Daniel ganhou de um seguidor (Imagem: Reprodução)

O que mudou a partir desse dia?
Foi ali que comecei a trabalhar a maquiagem na reabilitação e tive a oportunidade de fazer projetos para grandes marcas de beleza. Quando comecei a levar isso para minha realidade e para a internet, para mostrar o caminho que eu estava trilhando para as pessoas, aí bombou (risos).

Podemos dizer que isso foi um divisor de águas na sua vida?
Sim, porque quando eu tive a minha lesão eu pensava que tinha estudado tanto e acabei abandonando tudo pra viver o luto. E esse workshop com Mauro Marcos foi um dos meus primeiros contatos com a moda. Posso dizer que isso foi muito transformador porque me mostrou que eu podia voltar a ser feliz e viver de forma plena.

E como foi esse despertar criativo?
Digamos que a maquiagem me resgatou. Depois desse workshop fui fazer um curso no Centro de Tecnologia e Inclusão (CTI) da Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Sao Paulo e tive a oportunidade de trabalhar com mulheres que tiveram câncer de mama. Depois fiz um curso de moda inclusiva e conheci o pessoal da Atalhos e Retalhos que me ensinou a reestilizar. Com isso me especializei em moda sustentável, organica e util, porque não há nada mais elegante hoje em dia que fazer bem para o planeta e pro meu bolso, não é mesmo? Depois conheci o Instituto Europeu de Design (IED) que foi outro momento muito importante porque comecei a pensar a moda inclusiva, como fazer moda respeitando as diferenças …

Podemos dizer que a moda foi um caminho de aprendizado?
Acredito que tudo é uma construção. Até eu entender minha nova realidade e chegar no lugar onde estou hoje foi um longo caminho. Mas, acho importante as pessoas saberem que é sim possível.

Sobre sua carreira como microinfluenciador digital, conte alguma dificuldade ou situação interessante?
A maior dificuldade, com certeza, no meu caso é lidar com ‘haters’ (odiadores) e ‘devottes’ (que têm atração por pessoas com deficiência). Essas pessoas, em geral, costumam criar perfis fakes e não têm limites. Por isso, é importante não acreditar em tudo que aparece na internet. Sempre busco fazer as coisas de uma forma legal e se houver falta de respeito, se me sentir agredido, vou pra justiça. Também gostaria de falar que outra coisa me incomoda muito na internet: a falta de acessibilidade. Ver sites e perfis de grandes instituições sem acessibilidade em pleno século 21 é o fim. Texto alternativo, por exemplo, deveria ser obrigatório.

Descrição da imagem: Foto de Daniel Massafera. Ele está com o braço esquerdo esticado, apontando para a frente. Daniel é um rapaz de cabelos pretos, lisos e curtos. Ele está vestindo uma camisa de manga curta florida. Fim da descrição.

A pandemia prejudicou muito seu trabalho como influenciador?
Com certeza. Mudou completamente minha rotina, que era super ativa e cheia de compromissos de trabalho. Hoje minha vida se resume a ficar em casa com minha família e meu cachorro, sem poder ver a cor da rua. Por isso, comecei a gravar uma série e vejo que estamos seguindo para um novo momento, de flexibilização, graças a Deus.

Que mensagem você deixa para quem sonha em se tornar um influenciador? 
Seja você. Se precisar, peça ajuda. Olhe as coisas com poesia. Se dedique, seja verdadeiro, faça coisas com qualidade e mostre seu protagonismo. Interaja com seu público e faça disso uma via de troca. Você dá e recebe. Não desista porque o não você já tem. Corre atrás do sim, porque a internet precisa de pessoas com deficiência, independente da deficiência, porque representatividade importa. E, lembre-se: seja o protagonista da sua história… de vítimas a gente já está cheio. Claro que ninguem é forte todos os dias. Eu mesmo tenho meus dias ruins. Mas, foca no que você acredita que vá fazer a diferença na vida das pessoas. Compartilhe amor, faça as coisas com verdade e, o mais importante: seja feliz!

Você pode acompanhar o Daniel no Instagram e no Facebook.

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Juliana Reis
Juliana Reishttps://www.portalacesse.com.br/
Jornalista, com mais de 20 anos de atuação, 13 deles atuando em projetos editoriais no segmento de acessibilidade e inclusão. Co-fundadora do Portal Acesse e da Ludik, agência de comunicação especializada em soluções inteligentes para auxiliar empresas que queiram promover uma comunicação para todos.
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