Por: Sofia Crispim*
Olá, meu nome é Sofia, tenho 12 anos e vou escrever uma vez por mês sobre meus passeios e sugestões de coisas legais para fazer e hoje vou me apresentar e falar sobre minha visita ao museu.
Eu tenho paralisia cerebral e uso uma cadeira de rodas. Eu ando com a cadeira, pensei em chamar a coluna de ‘andanças’, mas como eu não ando de verdade, é mais a cadeira, então vamos chamar de ‘giros’. Talvez depois eu mude de ideia e mude o nome da coluna, tudo bem?
Bem, também podemos chamar de passeios. Eu gosto de passear e de escrever, mas detesto calçadas esburacadas e lugares em que eu não possa guiar minha cadeira sozinha.

Eu tenho muito medo de cair, então prefiro lugares com acessibilidade. Em São Paulo (SP), tem muitas opções para passear, mas poderia ter mais. Minha mãe não tem muito tempo e nem gosta muito de shopping. Eu gosto. Mas aqui vamos falar sobre museus, viagens, vários tipos de passeios.
Espero que vocês gostem. Podem comentar e sugerir outras opções que eu tento ir e comentar o que eu achei, mas só quando der tempo, porque eu tenho muita coisa para estudar.
Minha visita ao museu

Então o primeiro lugar que eu gostaria de contar é sobre um passeio que eu fiz em março: o Museu da Imaginação. Achei engraçado, porque imaginação não é uma coisa que a gente costuma ver no museu, mas praticar todos os dias não é? E o museu é bem prático mesmo: cheio de atividades, coisas atuais e bem moderno.
Na parte de cima do museu tem várias esferas e uma área de exposições. Cheguei a ver uma exposição que eles ainda estavam montando. O artista estava lá e eu até escrevi no mural. Isso é que é museu com ação, não é mesmo? Também vi como se pintam skates! Foi uma experiência incrível! E o artista, Didu Losso, ficou meu amigo e até vai me dar um Skate. Eu não sei andar de skate, mas minha mãe vai levar para a gente usar na terapia. Estou animada!

Na parte de baixo do museu tem muitos brinquedos. Tinha uma casa dentro da árvore que ensinava sobre estações do ano; uma bicicleta que podia pedalar com as mãos e gerava energia para o jogo do videogame. Lá eu fui pela primeira vez num balanço adaptado para cadeirantes, nossa, foi muito divertido. Tinha também um brinquedo em que a gente tem que acertar o alvo, espirrando água no patinho, e quando acerta todos: ‘splash’ a água volta para a piscina.
Brinquei também de equilibrar pesos. E é claro que se diversão é o lema desse museu, não poderia faltar música. Lá era possível formar uma banda, mas o curioso é que só quem estivesse com o fone ouvia os outros. Nossa, foi super legal.
A acessibilidade foi muito boa em todos os lugares, mas não fui no banheiro, então sobre isso não posso falar! Mas eu adorei tudo e quero voltar muitas vezes!
Nota da mãe!
O museu é muito rico em recursos sensoriais: visuais, auditivos, táteis e vestibulares. Toda essa estimulação sensorial é muito importante para a aprendizagem de crianças com deficiência, assim como o brincar. Saímos do museu e fomos para a fisio e a Sofia chegou super disposta, animada. Claro que cada criança reage de uma forma, mas o museu propicia não apenas o lazer, mas muitos recursos de aprendizagem para crianças com diferentes perfis! Recomendo muito a visita para crianças de 4 a 10 anos.

*Sofia Crispim é estudante e tem paralisia cerebral. Ela escreve a coluna com sua mãe, Denise Crispim, que é jornalista.
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