No final de semana fui surpreendida com o convite das minhas filhas para maratonarmos o MasterChef Brasil Júnior de dois anos atrás. É claro que isso chamou muito a minha atenção já que se tratava do penúltimo final de semana das férias para elas e eu retornaria ao trabalho na segunda.
Uau, tantas coisas para aprender com as crianças!
Poderíamos assistir ou fazer muitas coisas juntos e elas preferiram ficar em casa, juntinho da gente, curtindo os desafios lançados, cozinhando delícias e sem dúvida alguma, se inspirando nos extraordinários aprendizados que essa competição entre 20 crianças nos trouxe.
Observar aquela competição entre crianças vindas de diferentes lugares e realidades foi muito especial e instigante do ponto de vista educacional. Foi lindo vê-las honrar suas histórias, cada qual repleta de peculiaridades e desafios.
E claro, uma vez tendo olhos e coração treinados na observação e compreensão dos aspectos socioemocionais e comportamentais, foi ainda mais divertido me divertir e refletir sobre a natureza humana.
Observar crianças sendo testadas pelo tempo e PRESSÕES emocionais e convidadas a demonstrar seus Temperamentos, valores e base familiar sendo espontâneas, genuínas e verdadeiras em suas entregas, trocas e interações.
Perceber que habilidades e competências socioemocionais estão presentes nas mínimas coisas da vida. E que o comportamento humano é mágico, complexo e apaixonante!
Então, simmmm, é preciso olhar para as nossas crianças com olhos apurados na capacidade de ver muito além do que os olhos alcançam. Aprender a ouvir o que elas têm a dizer, atentamente! Perceber quem são, quais são os valores que lhes movem, comportamentos, talentos, emoções, sentimentos e padrões comportamentais e emocionais aos quais estão inseridas e que colaboram diretamente para ser quem são.
É fantástico enxergar que apesar de competitivas, são justas, coerentes, humanas, gentis, generosas, solidárias, cooperativas, corajosas, humildes, simples, práticas, objetivas, empáticas e muito mais respeitosas do que a maioria dos adultos.
Observar o comportamento da criança me faz questionar em que momento da vida os adultos se desprendem da bondade, da beleza e pureza que nasce em cada um de nós.
Qual é o momento da vida que nos desencorajamos, desistimos dos nossos sonhos, desiludimos com as pessoas a tal ponto de desaprender a conviver com harmonia, verdade e leveza. Tudo parece ficar pesado e talvez bem mais desafiador do que realmente é.
Será que pais, mães, cuidadores e professores têm algo a ver com tudo isso? Por que será que ao nos tornarmos adultos perdemos a coragem, a leveza e a bondade pura e cristalina de ver a vida e conviver com mais alegria e confiança com o outro? E pior, perdemos a autoestima, o autorrespeito e a autoconfiança!
O mundo contemporâneo traz sim momentos desafiadores que a todo instante nos testam e convidam a batalhas. Algumas naturais da própria existência, outras criadas pelo comportamento desenfreado, desajustado e ganancioso de algumas pessoas, mais do que outras. E quais armas usamos para enfrentar essas lutas?
Acredito na inteligência emocional como ferramenta potente para que dá condições para seguirmos adiante aplicando recursos nobres que nos ajudam a sobreviver com qualidade de vida e bem estar.
Eis aqui um tesouro poderoso que desenvolve habilidades e refina competências socioemocionais que podem ser claramente observadas no comportamento da criança e favorecem o autogerenciamento e equilíbrio emocional determinantes para que as pessoas sigam em frente ou simplesmente desistam da vida.
Crianças olham para as potencialidades e forças. Adultos valorizam as limitações. Crianças querem ganhar, mas atuam de forma cooperativa, gentil e disponível. Adultos são gananciosos, egoístas e traiçoeiros para atingir seus objetivos.
Onde foi mesmo que esquecemos a generosidade?
As minhas filhas sabem que o que me acalma é ficar em casa e estar com a minha família sem me preocupar com os terrores e desafios do mundo lá fora. Ficar em casa é sentir o nosso cheiro, cuidar da gente, das plantas, dos sonhos,das nossas coisas que construímos e fazem parte da nossa história.
Sim, é bom também viver e degustar das coisas inacreditáveis que a vida lá fora nos oferece. Passamos alguns dias nessa agitação interminável.
Mas no meu último dia de férias elas me deram de presente a paz que habita dentro da gente e no lar que construímos juntos. E isso me fez muito feliz!
Amar é se doar por inteiro e compreender que nem sempre o que te agrada faz sentido para o outro. Então ceder, partilhar, acolher e compreender é necessário. Nossos filhos, são nossos mestres! Ensinam com pequenas atitudes coisas indescritíveis sobre viver e conviver.
Acolha e surpreenda-se!
Obrigada filhas!
Faz sentido para você?
Com amor,
Roberta Borges
