Setembro é um mês de mobilização, reconhecimento e visibilidade para a comunidade surda. Marcado por datas que reforçam a luta por direitos e igualdade, entre elas, o Dia Internacional das Línguas de Sinais, celebrado em 23 de setembro. O período também convida à reflexão sobre um desafio ainda presente no Brasil: fazer com que cultura, educação e entretenimento sejam experiências verdadeiramente acessíveis a todas as pessoas.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 10 milhões de brasileiros têm algum grau de deficiência auditiva, o equivalente a aproximadamente 5% da população. Desse total, mais de 2,3 milhões de pessoas apresentam grande dificuldade para ouvir ou perda total da audição.
Apesar desse cenário, muitos museus, centros culturais e espaços de entretenimento ainda precisam avançar na eliminação de barreiras de comunicação. A presença de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras), video-guias, sinalização acessível e mediações inclusivas é fundamental para garantir que pessoas surdas possam acessar conteúdos, participar das atividades e vivenciar plenamente os espaços culturais.
Embora a Lei Brasileira de Inclusão e o Estatuto dos Museus estabeleçam diretrizes para a acessibilidade comunicacional em instituições culturais, esses recursos ainda não fazem parte da realidade da maioria dos equipamentos do país.
Para o professor e pessoa surda Flávio Nascimento, a presença da Libras transforma a relação da comunidade surda com os espaços culturais. “Acredito que estar em um museu não é apenas visitar um espaço, mas também ter acesso ao que ele comunica e ensina. Quando as atividades culturais são oferecidas com acessibilidade em língua de sinais, podemos acompanhar, trocar experiências e participar com autonomia“, afirma.
Em Belém, o Museu das Amazônias (MAZ) aposta na acessibilidade como princípio de sua atuação pública. O museu conta atualmente com uma equipe formada por oito tradutores e intérpretes de Libras, responsáveis por acompanhar todas as atividades educativas e culturais da programação. Em cada ação, dois profissionais se revezam na tradução simultânea de visitas mediadas, oficinas e demais experiências oferecidas ao público.
A gerente técnica do Museu das Amazônias, Camila Costa, destaca que a acessibilidade deve atravessar toda a experiência de visitação, e não ser tratada como um recurso complementar.
“Um museu só cumpre plenamente sua missão quando todas as pessoas podem se reconhecer, participar e construir sentidos dentro dele. Garantir a presença da Libras em nossa programação é afirmar que a cultura amazônica é plural, viva e deve estar ao alcance de todos. Isso é uma prática adotada em todos os equipamentos culturais do país geridos pelo idg – Instituto de Desenvolvimento e Gestão“.
Viralização reforça o poder da acessibilidade nas redes sociais
Em agosto, a performance dos intérpretes de Libras Lucas Martins e Gabriel Lucena viralizou nas redes sociais. A dupla traduziu a música “Minha Amiga”, sucesso da banda Ravelly interpretado pelo grupo de tecnobrega Fruto Sensual, durante a oitava edição do projeto MAZ Música realizada a bordo de um barco. O registro em vídeo ultrapassou 138 mil visualizações nas plataformas digitais.
Para Lucas, a grande visibilidade alcançada pelo conteúdo ajuda a dar mais projeção à inclusão em espaços artísticos. Já Gabriel reforça que o engajamento do público demonstra a relevância de democratizar as expressões culturais em Belém.
No dia 4 de novembro, o Museu das Amazônias reabre ao público com novas exposições que, além de tradução em Libras, contarão com outros recursos de acessibilidade, como audiodescrição, textos em braile e recursos táteis, ampliando a inclusão e o acesso de pessoas com deficiência.
Sobre o MAZ
O Museu das Amazônias é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura do Pará, do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet – Lei Federal de Incentivo à Cultura, e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com concepção e implementação do idg- Instituto de Desenvolvimento e Gestão e do Museu Paraense Emílio Goeldi. Exemplo bem-sucedido de parceria entre o poder público e a iniciativa privada, o Museu das Amazônias tem a Vale como Parceiro Estratégico e conta com o apoio financeiro da Finep e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além do patrocínio internacional do CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina. O patrocínio nacional é da Hydro e da New Fortress Energy. O projeto também conta com o co-patrocínio da Ipiranga, do Grupo Carrefour, e com o apoio do Mercado Livre, da Ultracargo e do Grupo BID.
Sobre o idg
Há mais de 20 anos, o idg atua na gestão e desenvolvimento de projetos culturais, ambientais e educacionais. Une conhecimento, inovação, criatividade e ousadia para dar vida a ideias e contar histórias que provocam reflexões e criam experiências.
Guiado pelo propósito de esperançar futuros possíveis, implementou e gere o Museu do Amanhã e o Museu do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro; o Museu das Favelas e o programa CultSP PRO, em São Paulo; o Paço do Frevo, no Recife. Também são gestores operacionais do Fundo da Mata Atlântica, no Rio de Janeiro, e do Museu das Amazônias, em Belém.
