Por: Zilanda Souza*
Hoje vamos falar de um ambiente poderoso e estimulador na vida das nossas crianças: a casa! A conduta dos pais, a organização dos ambientes e das atividades, ajudam no estímulo e a potencializar a aprendizagem.
Eu vou um pouco mais longe. A conexão assertiva entre professores, terapeutas da aprendizagem, médicos e a família, protegem a criança, do que o psiquiatra e pesquisador Norman Doidge chamou de ‘Paradoxo Plástico’: as mesmas propriedades neuroplásticas que nos permitem mudar nosso cérebro e produzir novas aprendizagens, também nos permitem produzir rigidez e estagnação.
Mas, como potencializar a aprendizagem?
Vou dar um exemplo: imagine uma criança sendo acompanhada por um psicopedagogo, duas vezes por semana, sendo estimulada para a autonomia. Na sessão, ela é incentivada a ter iniciativas, pensar nas consequências, fazer alterações necessárias, guardar os brinquedos que utiliza e arrumar a mochila.
Em casa, os pais e cuidadores oferecem água, sem que ela tenha manifestado sede, oferecem comida na boca e também amarram o cadarço do tênis. Ao menor sinal de choro, os pais atendem imediatamente, certos de saber o que incomoda o filho, sem que ele elabore uma frase.
Duas vezes por semana de estímulos para autonomia, com duas horas de duração, são massacrados por sete dias, 168 horas de estímulos para a dependência. Eis aí um paradoxo plástico.
Educação com limites
Confira a seguir algumas sugestões para apoiar seus filhos e seguir os estímulos prescritos pela equipe especializada.
1) Conheça o Plano de Intervenção dos profissionais. Procure entender quais são os objetivos do trabalho deles;
2) Conheça o funcionamento da escola do seu filho e quais são os objetivos a serem alcançados naquele ano. Caso seu filho tenha um Plano de Desenvolvimento Individual, um currículo especial, solicite uma cópia desse plano;
3) Não tente ser o professor ou o psicopedagogo do seu filho. Procure apoiar como pais;
4) Reflita sobre os ambientes da casa e questione: eles limitam o seu filho? Dificultam o acesso, a exploração autônoma dos ambientes? Tem muitos distratores, excesso de objetos?
5) Observe os estímulos que vocês oferecem (brinquedos e atividades). Como é o dia do seu filho? Ele gasta mais tempo envolvido com qual brinquedo ou atividade? Ele tem uma agenda intensa? Tem espaço para escolher e desejar?
6) Como é o estímulo da autonomia? Vocês utilizam tempo para ensinar a manejar objetos e situações? O que seu filho consegue fazer sozinho? Ele consegue acessar seus objetos e brinquedos? Tem compreensão de que as tarefas da escola são de responsabilidade dele, e que apoiar não é o mesmo que fazer para ele?
7) Como é a maior parte do tempo com o seu filho: responde as suas solicitações e resolve seus problemas? Dá bronca e castigo por conta dos comportamentos errados? Faz perguntas, incentiva a descoberta e ensina a realizar suas tarefas? Propõe desafios e reconhece o esforço e envolvimento dele?
8) Como vocês lidam com o erro? Errar é um indicativo de coragem e motivação para acertar. Deve ser tratado como uma investigação que ainda não chegou a sua conclusão final. Diante dos erros, encoraje seu filho, errar faz parte do processo. Não dê a resposta pronta, mas pistas devem ser oferecidas, como estímulo para perseguir a resposta certa;
9) Como vocês lidam com a nota das provas? Evitem elogiar o produto final. A nota é consequência de um processo. Elogie o processo, os comportamentos que levaram a criança a um bom desempenho: estudar, persistir, se organizar, ter iniciativa, reconhecer erros. A nota não foi legal? Investigue junto com a criança quais comportamentos devem ser melhorados para que o desempenho na prova também melhore.
Esses são apenas alguns pontos que devem ser pensados afim de que, a família seja um apoiador efetivo no desenvolvimento da aprendizagem. Não substitui o diálogo franco e transparente com a escola, terapeutas e os médicos que o acompanham.
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*Zilanda Souza é mãe, professora, especialista em psicopedagogia e neuropsicopedagogia. Autora do livro ‘Brincando de Palavrear’, escritora da coluna ‘Desenvolvimento e Aprendizagem’, coordenadora da pós-graduação em neurociência aplicada a avaliação e intervenção psicopedagógica. Diretora da Espaço Vida em Minas Gerais e no Distrito Federal. Atua em pesquisa voltada para a intervenção em funções executivas em crianças do ensino fundamental anos finais.
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